DECLARAÇÃO MIL DE REGOZIJO COM O APOIO DE TIMOR-LESTE À MADEIRA

Sua Excelência a Embaixadora da República Democrática de Timor-Leste em Portugal

Senhora Natália Carrascalão,

O MIL vem por este meio congratular-se com a medida tomada pelo governo da República Democrática de Timor-Leste em apoiar financeiramente a região autónoma da Madeira neste momento tão difícil, para além do apoio moral entre povos unidos pela história e pela fraternidade, que sabemos existir, medida tanto mais de louvar porquanto, como sabemos, Timor-Leste tem pela frente grandes desafios no plano económico.

Neste sentido, como grande defensor da cooperação lusófona, em todos os planos, o MIL regozija-se pela aprovação do referido apoio e deixa aqui um bem-haja ao governo e ao povo timorenses, apelando ao mesmo tempo ao sucesso da cooperação entre os países da CPLP e o Estado-membro, Timor-Leste.

Muito cordialmente

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

www.movimentolusofono.org

O MIL APOIA O DOUTOR FERNANDO NOBRE NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2011

1. O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO orgulha-se de ter sido a primeira entidade, em todo o espaço lusófono, a apoiar a Candidatura do Doutor Fernando Nobre à Presidência da República Portuguesa.

2. Fizemo-lo porque, tal como disse o próprio Doutor Fernando Nobre na Apresentação da sua Candidatura, “Portugal precisa de um Presidente que venha verdadeiramente da sociedade civil, que seja independente, que nada precise da política e que conheça bem o país e o mundo”. Recordamos que o MIL tem assumido uma posição radicalmente crítica da Partidocracia que tanto tem desgovernado este país e que tanto se tem governado à conta dele, tendo inclusivamente já defendido a possibilidade de candidaturas independentes à Assembleia da República.

3. Tão ou mais importante do que isso, o Doutor Fernando Nobre assume-se, sem complexos, como um “patriota”, como alguém que tem “orgulho de ser português” e que compreende bem a importância estratégica da “lusofonia”, da “lusofonia à dimensão do mundo”. Se vier a ser eleito, estamos convictos que o Doutor Fernando Nobre tudo fará para reforçar os laços entre os países lusófonos – não só no plano cultural, mas também social, económico e político, tendo em vista a criação de uma verdadeira Comunidade Lusófona, no aprofundamento da CPLP. Porque esse é também o objectivo maior do MIL, apoiamos, sem reservas, a Candidatura Presidencial do Doutor Fernando Nobre.

4. Sendo esta a posição institucional do MIL, e porque valorizamos em máxima medida a Liberdade – ao contrário, precisamente, dos Partidos, sempre prontos a declarar a “disciplina de voto” –, respeitaremos quem, no âmbito do nosso movimento cultural e cívico, não nos acompanhar nesta posição.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
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DECLARAÇÃO MIL DE REPÚDIO PELA DESTRUIÇÃO DE LIVROS POR PARTE DO GRUPO EDITORIAL LEYA

Foi recentemente noticiado, por vários órgãos de comunicação social, que o grupo editorial Leya “destruíu dezenas de milhares de livros antigos de autores como Jorge de Sena, Vasco Graça Moura ou Eugénio de Andrade”.
Face a isso, o MIL não pode deixar de exprimir o maior repúdio por tal barbaridade. O caso é tanto mais grave porquanto, ainda segundo o que foi noticiado, “chegou a haver uma oferta para que os livros entretanto destruídos chegassem a Timor, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros ‘disse não ter dinheiro para o transporte’”.
Recordamos, a esse respeito, o teor de uma Petição que lançámos, entretanto subscrita por mais de 4 milhares de pessoas, e que já foi entregue na Assembleia da República:

PETIÇÃO MIL: “NÃO DESTRUAM OS LIVROS!”

Verificando-se que editoras nacionais estão a proceder à desativação comercial dos livros não esgotados mediante a sua destruição, e que esta hipótese é igualmente contemplada pela editora do Estado português, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO considera isto um escandaloso crime de lesa-património, que vai fazer desaparecer muitos milhares de volumes preciosos da nossa cultura que, apesar do seu valor, não tiveram sucesso comercial junto do grande público.

Perante esta situação, o MIL apela a todos os cidadãos que assinem esta petição, exigindo que as editoras nacionais, e em particular a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, não destruam as obras em questão, oferecendo-as antes às bibliotecas, escolas e centros culturais nacionais, aos leitorados de Português e departamentos onde se estude a Língua e a Cultura Portuguesas nas universidades estrangeiras, bem como às universidades e centros culturais dos países lusófonos. Para tanto, os Ministérios da Cultura, da Educação e dos Negócios Estrangeiros (este através do Instituto Camões), bem como a TAP AIR Portugal, devem-se articular com as Editoras na estratégia da distribuição e transporte dos livros a nível nacional e internacional.

Em vez de se destruir património precioso e insubstituível, esta é uma ótima oportunidade de se prestar um serviço à cultura e à educação nacionais, bem como de promover a cultura portuguesa no espaço lusófono e no mundo, tarefa por todos reconhecida como fundamental na qual o Estado não se tem empenhado devidamente.

PARA ASSINAR:
http://www.gopetition.com/online/28707.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

Discurso de Fernando Nobre na Apresentação da sua Candidatura Presidencial: Comentários e Análise

APRESENTAÇÃO DE CANDIDATURA
19 de Fevereiro de 2010 / 20h00
Auditório do Padrão dos Descobrimentos, Belém – Lisboa

“Portugueses,
Sou candidato a Presidente da República, impulsionado por imperativo moral, de consciência e de cidadania.
Portugal precisa de um Presidente que venha verdadeiramente da sociedade civil, que seja independente, que nada precise da política e que conheça bem o país e o mundo.”

- até hoje, todos os Presidentes da República estiveram de algum modo ligados à classe política dominante que – de forma alternada – têm dominado o espectro político português. A mesma partidocracia bipartida que colonizou a Democracia de Abril tem colocado os seus agentes sempre na Presidência, dominando assim também um setor crucial da representatividade democrática, e logo, aquele que pelo seu caráter unipessoal poderia precisamente estar livre da prisão partidocrática.

“Nada tenho contra os partidos ou a democracia partidária, porque não existe outra. Mas sou contra o sufoco partidário da vida pública. Acredito, sincera e profundamente que um homem livre, só e independente, pode servir melhor o país, nesta altura tão difícil e sensível para Portugal. A magistratura suprapartidária do Presidente da República deve ser exercida sem demagogias, sem populismos, sem anti-corpos contra os partidos e os políticos.”

- o MIL contudo acredita que os males da nossa democracia assentam precisamente em dois pilares defeituosos da governação: um Parlamento detendo o exclusivo do Poder Legislativo e completamente dominado pelos partidos políticos. O Parlamento da Assembleia da República devia estar povoado precisamente desses homens “livres, sós e independentes” de que fala Fernando Nobre. Homens diretamente eleitos pelo povo, respondendo de forma clara pelos seus eleitos, em círculos uninominais que permitissem que cada eleitor soubesse sempre que é o seu eleito. O modelo defendido nos primeiros tempos da República, em que os deputados eram representantes eleitos nos municípios e enviados depois para Lisboa, para o Parlamento, poderia também ser estudado numa visão que sendo compatível com a do MIL, é (importa sublinhar) pessoal. De uma forma ou de outra, a democracia representativa precisa de urgente renovação, porque os cidadãos já não acreditam nela, descrença que exprimem de forma gritante nos crescentes índices de abstenção expressos em todas as eleições.

“Não peço nem pedirei nenhum apoio que não o dos cidadãos que se identifiquem com o meu projecto, e aceitarei de bom grado todos os que a minha consciência não rejeitar, não me enfeudando a nenhum”

- Fernando Nobre não precisa do apoio de qualquer um dos “grandes” partidos políticos para se apresentar como candidato à Presidência da República. De facto, tal apoio até poderia ser contraprodutivo já que o maior “mercado eleitoral” disponível nas eleições portuguesas reside precisamente fora do espectro partidário, na imensa massa de abstencionistas, que não se sente ligado a nenhuma suserania partidária nem tem fidelidades de voto.

“A minha candidatura é, também, a candidatura dos que não tiveram voz até agora, dos que se desiludiram com a política, dos que acreditam que a política não se esgota nos políticos e não é a sua coutada privada. Não é uma candidatura neutral, é uma candidatura empenhada, que diz respeito a todos aqueles para quem o destino do país não é indiferente, e que acreditam que as mudanças indispensáveis podem, ainda, ser feitas dentro do quadro constitucional e institucional.”

- sendo as eleições presidenciais precisamente o espaço mais adequado para a expressão de cidadania e de ação cívica. O MIL, enquanto Movimento Cultural e Cívico não poderia deixar de associar a um ato voluntarioso e desinteressado de um dos seus membros mais antigos e que surge desde o começo da candidatura completamente desligado de qualquer fidelidade ou castração partidária. Ainda que a partidocracia nunca tenha permitido a “intrusão” de deputados independentes na Assembleia da República, permite que Constitucionalmente a eleição presidencial possa ocorrer fora do restrito quadro político-partidário por isso a candidatura de Fernando Nobre é mais do que necessária é oportuna e adequada.

“Sei que muitos pensam ou já pensaram muitas vezes o mesmo que eu, mas não acreditaram que valesse a pena este combate. Chegou a hora da grande, determinada e corajosa opção de actuar, de acreditar em Portugal. Chegou a hora de não continuar de fora, chegou a hora de travar as dúvidas e de combater a maledicência, chegou a hora da esperança e da confiança no nosso futuro colectivo. Portugal é uma questão que diz respeito a todos os portugueses: ninguém se pode eximir desse dever de cidadania indeclinável.”

- sendo que é precisamente porque tantos de nós prescindiram do dever cívico de participar em eleições, de escutarem cada proposta, cada candidato, cada programa político antes de decidirem onde votar que Portugal está como está, numa longa e lenta crise que o faz definhar enquanto Estado e nação independente. Urge portanto renovar a crença em Portugal e no nosso “futuro coletivo” (nas palavras de Fernando Nobre) e cumprirmos o dever fundamental de cidadania que é o de votar. De votar em consciência, escolhendo livremente o melhor candidato. Fernando Nobre, na sua pessoal opinião e na coletiva posição do MIL.

“Sou democrata, patriota e com particular sensibilidade social e humanística. Tenho orgulho de ser português e, trago bem enraizadas em mim as marcas da multiculturalidade, da lusofonia e de uma profunda mundivivência.”

- como no primeiro número da Nova Águia, não devemos temer utilizar a palavra “Pátria” ou “patriota”. Uma e outra, não são exclusivo de uma direita “patrioteira” ou “carrosseira” que hoje a ergue como se tal conceito lhes pertencesse com exclusividade. Não faltará quem – sobretudo em certa “Esquerda” mais radical – queira ver nesta afirmação de patriotismo uma inclinação para a Direita, mas na verdade, os dois conceitos (Esquerda e Pátria) não são contraditórios: se o primeiro busca nos valores da Liberdade, da Solidariedade e da Democracia os seus três grandes eixos, o segundo encontra na fundação de um sentimento de “coisa comum”, de fraternidade e comunidade as suas raízes. Não vemos como estes termos podem ser inconciliáveis entre si. Pelo contrário: completam-se.

“Sou apartidário mas não apolítico. Tenho os meus valores e os meus princípios e não acredito num saco de gatos onde todos cabem. O meu espaço político, mais do que definido à esquerda, à direita ou ao centro, é o da liberdade, da justiça social, do humanismo, da ética, da solidariedade, da transparência na vida pública e da adequada, justa e indispensável função redistributiva do Estado, que abranja no que diz respeito aos deveres, e não apenas aos direitos, todos os cidadãos de todas as áreas do território nacional. Procurarei, assim, que a sociedade portuguesa e todas as suas instituições se libertem dos velhos paradigmas e passem a reconhecer o mérito, a premiar a excelência, e a recusar a impunidade.”

- nesta reforma do Estado que – para garantir a sua sobrevivência – é imperativa realizar as funções de governo devem sair da exclusiva esfera onde têm estado encerradas e serem dispersadas pela comunidade. Em vez da mecânica herança genética que em Portugal (um dos países europeus com menor mobilidade social) determina à nascença a posição social, política e económica dos indivíduos importa procurar estabelecer em Portugal uma verdadeira meritocracia que seja capaz de alavancar os mais capazes até posições onde possam expressar melhor as suas vocações e serem mais úteis à comunidade.

“Conhecendo os poderes presidenciais que a Constituição reserva ao Presidente, não tenho um programa político para a governação – tal compete ao Governo eleito – mas apenas um programa que constitui um compromisso moral intransigente, com o qual me comprometo e pelo qual responderei sempre perante os portugueses e Portugal.”

- em Portugal, o quadro constitucional esvazia o cargo presidencial de poderes executivos. Além da chamada “bomba atómica” da dissolução do Parlamento e da convocação de novas eleições, pouco mais pertence à esfera limitada dos poderes presidenciais. Querer mais, alegar que se pode fazer mais, orientando campanhas eleitorais para discursos “fazedores” ou de marcado teor económico é – tão somente – induzir em erro os eleitores, porque tais domínios cabem constitucionalmente à esfera de ação do Executivo, não do Presidente.

“Não usurparei nenhum poder que não me caiba pela Constituição, mas não prescindirei de exercer nenhum dos que me competem. Não serei factor de perturbação das instituições, mas sim garante da sua estabilidade e regular funcionamento, tal como manda a Constituição.”

- o Presidente da República deve ser o garante da estabilidade governativa procurando moldar sempre a sua ação, conduta pública e intervenção política pela regulação arbitral das diversas partes oponentes da sociedade, buscando a conciliação de opostos e a defesa do regular funcionamento das instituições democráticas. Não deve (não pode) imiscuir-se no fútil e transitório jogo político-partidário, de “pequena política”, aconselhando tal ou tamanho líder político com quem alimente relações de amizade pessoal, nem procurar sussurra (por acessores ou direta pessoa) ou dada notícia para os jornais. Um Presidente da República tem que se manter acima de tais atitudes rasteiras e degradantes para a suprema respeitabilidade da função que ocupa e saber – pela eloquente via do exemplo – ditar à sociedade o tipo de modelo de cidadania e respeito que deve ser propagado depois a toda a Pátria.

“Não interferirei nem dificultarei a vida a qualquer Governo, mas não presidirei, de braços cruzados, ao desgoverno do país ou à degradação das suas condições de vida, da sua essencial coesão social, do seu desenvolvimento, da sua justiça, da sua democracia e da dignidade de Portugal.”

- essa chamada “magistratura de influência” é, de facto, uma das derradeiras áreas de ação que restam ao Presidente. O presidente deve estar sempre atento à vida política nacional e procurar determinar o que nela corre mal, intervindo e chamando os agentes envolvidos em polémicas sempre que estas alcancem um determinado patamar de relevância mediática ou política. O mutismo exagerado da atual presidência Cavaco Silva (por exemplo, no caso Face Oculta) ou intervenções públicas de gravidade exagerada (por exemplo a propósito do Estatuto dos Açores) são exemplos que não devem ser seguidos por qualquer outro presidente e esta declaração de Fernando Nobre faz crer que num seu mandato estes desvios aquilo que deve ser a conduta correta de um Presidente da República não deve ocorrer.

“Se for eleito Presidente, como espero, embora limitado aos poderes que a Constituição me confere, prestarei contas ao País sempre que necessário.”

- a comunicação com os portugueses tem que ser o aspecto prioritário de qualquer presidência. O presidente não se pode remeter a uma torre de marfim, resguardado por automóveis de luxo, que atravessam as passadeiras do país tendo à frente escoltas policiais que quase atropelam peões e voos alucinados a mais de 240 km/h, em permanente “marcha de urgência” e medo de atentados num país onde não há terrorismo…

“À luz que faço do mandato presidencial proponho-me:
1 – Lutar, promover e incentivar a regeneração ética da vida política do país. Todos os eleitos, todos os nomeados politicamente, estão ao serviço do país e têm de prestar contas, honrar as suas propostas, assumir as responsabilidades e deveres do cargo e as consequências dos seus actos. Serei intransigente a exigir de cada um o cumprimento das suas obrigações. Portugal espera de cada um que cumpra o seu dever. A todos exigirei o mesmo que exigirei a mim próprio: trabalho, cidadania, solidariedade e ética.”

- não seria impossível criar legislação que impusesse aos detentores de cargos públicos (eleitos ou nomeados pelos primeiros) um tipo de conduta mais restrita do que aquela que se exige aos ditos “cidadãos comuns”. Ressalvando eventuais abusos (que poderiam sempre ser legalmente previstos e bloqueados) um candidato a um dado cargo político não poderia estar foragido da Justiça (Fátima Felgueiras) ou ter processos já em Julgado (em investigação é coisa bem diversa, porque todos podemos estar sob investigação, sob os mais variados pretextos e credibilidade). Seria também possível criar legislação que obrigasse todos estes vendedores de promessas da nossa partidocracia a responderem em Tribunal pelo incumprimento das mesmas.

“2 – Apoiar e incentivar todos os esforços do governo e da sociedade civil no caminho da justiça social em todos os sectores da vida dos cidadãos: na educação, na saúde, nas oportunidades de emprego, na criação de riqueza, na justiça fiscal, na promoção de condições de vida dignas. Estarei particularmente atento à situação dos desempregados e dos trabalhadores precários assim como ao futuro dos nossos jovens, à dignidade do fim da vida dos nossos idosos, às comunidades emigrantes e imigrantes, porque entendo que todos eles são essenciais a uma equilibrada e saudável coesão social nacional.”

- a imobilidade social, o agravamento contínuo da desigualdade económica entre os portugueses, a precariedade entre os jovens, o desemprego crónico dos adultos (sobretudo as mulheres) com mais de 45 anos, são problemas que a prazo (curto) ameaçam a própria sobrevivência do país. Onde a Globalização e a Neoliberalização da Economia criaram a Desigualdade, importa reencontrar formas de recuperar a classe média numerosa e sólida que esteve na base da recuperação europeia do pós-guerra e que hoje se erode a um ritmo alucinante sob pressão das deslocalizações e da liberalização do comércio e dos serviços.

“3 – Defender a soberania nacional, tal como compete ao Presidente, entendida num sentido amplo e concreto: a defesa dos seus recursos e riquezas naturais, do seu património histórico e natural, da língua, da cultura e do prestígio do seu nome no concerto das nações.”

- nos últimos anos, a União Europeia tem penetrado com uma força crescente no espaço anteriormente reservado aos Estados, tantas vezes sem submeter (na maioria dos países) essa redução de soberania ao sufrágio dos povos que vêm assim a sua soberania ser transferida em porções crescentes para entidades supranacionais livres de qualquer sufrágio e escrutínios eleitorais. Nesse aspecto o Tratado de Lisboa representa mais (e importante) passo para um federalismo europeu que está muito longe de assegurar os direitos dos pequenos países europeus contra os “grandes” do chamado “diretório europeu”. Portugal, neste contexto encontra-se de facto mais entre as médias nações europeias do que entre as pequenas e não está tão desprovido de recursos naturais como os portugueses crêem, já que os recursos piscatórios, minerais e até talvez petrolíferos da nossa ZEE são potencialmente muito consideráveis. Importa assim reconhecer a existência desses recursos, favorecer a aparição de operadores nacionais dispostos a investigá-los e explorá-los de forma sustentável e criar uma rede defensiva que os protegia das atividades predatórias que tantas vezes já hoje se abatem sobre eles.

“4 – Não pactuar com a situação trágica da justiça em Portugal. É privilégio e função primeira do Estado a aplicação da justiça, e um Estado que o não faz é um Estado que não tem justificação moral. Defenderei, pois, intransigentemente, a independência da Justiça, mas não aceitarei que o corporativismo, a ineficácia, a irresponsabilidade ou as justificações de circunstância neguem o direito de todos, por igual, à Justiça. Também na Educação, na Saúde, na Economia e na Defesa, é a Justiça que deve estar ao serviço das pessoas e do Estado e não o contrário.”

- o Portugal em que vivemos enferma hoje de uma grande doença. A corrupção entre os meios políticos é praticamente endémica e estende-se – com grande impunidade – a praticamente todos os estratos da atividade política. Não quer isto dizer, contudo, que “todos os políticos” são corruptos, mas a sucessão contínua de casos que ficam sempre por resolver, que prescrevem e que se arrastam pelos obscuros e pouco transparentes corredores da Justiça. A Justiça, por sua vez, é talvez – juntamente com a Educação – o grande obstáculo ao desenvolvimento de Portugal. Sem Justiça não há combate à corrupção, segurança para os particulares e empresas, eficácia na cobrança de dívidas, etc, etc, etc…

“Portugueses: Todos sabemos que Portugal não é um País rico e que a sua situação económica e financeira é hoje muito difícil. Não existem milagres nem soluções mágicas em tempo recorde. A minha tarefa será a de despertar, motivar e incentivar o espírito de cidadania em cada um dos portugueses: todos temos direitos, e todos temos deveres para com o país.”

- é verdade que em termos de riquezas, não temos nem o petróleo de Angola, nem os férteis campos agrícolas do Brasil. Mas temos os recursos marítimos já listados e, sobretudo, temos um espaço de lusofonia que – como no passado – se pode revelar como a grande fonte de energia anímica de que carecem hoje Portugal e os portugueses: a Lusofonia. Aquilo que mais falta aos portugueses é motivação, força de vontade para nos movermos em direção a um projeto de ampla escala e maior desafio, tão “impossível” quanto o melhor, porque é no campo dessa impossibilidade que melhor cumpre o espírito e o esforço do português. E esse campo é – acreditamos – o da Lusofonia, do aprofundamento dos laços entre os países lusófonos e o alargamento radical do âmbito e intervenção da CPLP, transformando de uma entidade multinacional de teor pouco mais que formal e teórico, num protótipo catalisador uma União Lusófona sonhada por Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

“A missão – que já não pode mais ser adiada – de devolver a todos a fé na democracia, a esperança num país melhor e a confiança num país justo, cabe a todos e a cada um dos portugueses, e não apenas aos que governam e decidem.
Temos enormes potencialidades: uma lusofonia à dimensão do mundo, um mar com reservas inexploradas, jovens cientistas de craveira internacional e um povo ímpar, que foi dos poucos povos que marcou indelevelmente a História da Humanidade.
Assim, não acredito em nenhum fatalismo lusitano para que Portugal seja regularmente citado pelas piores razões.
Candidato-me, não apenas porque o imperativo da hora me impõe esse dever moral e cívico, mas, sobretudo, porque a tarefa de não nos conformarmos a assistir, sem nada fazer, à agonia lenta de Portugal é uma exigência dos que vêm a seguir – os nossos filhos e netos – que não podemos ignorar nem desiludir.”

- devolvendo aos cidadãos o espaço da expressão de cidadania e de atividade cívica que os partidos usurparam e que hoje guardam – ciosamente – apenas para si. Aproveitar esta candidatura livre, independente e apolítica de Fernando Nobre para recordar à partidocracia que o espaço da ação cívica não é seu exclusivo, mas que pertence também (ou sobretudo) aos cidadãos, individualizados ou reunidos em associações ou entidades comunitárias ou cívicas, é assim um testemunho perene que esta candidatura pode deixar neste Portugal civicamente adormecido e onde os níveis galopantes de Abstencionismo ameaçam a própria sobrevivência da Democracia.

“Estou consciente que esta será uma batalha difícil, talvez até invencível, mas não será nunca inútil: a luta contra a indiferença sempre foi e será a minha marca individual. A minha candidatura é, assim, uma questão de coerência para comigo próprio.
É HORA DE ACREDITAR EM PORTUGAL!”

- em que acompanho Fernando Nobre, candidato à Presidência da República, exemplo público de cidadania e humanismo e exorto que lêem estas linhas todos a seguirem o apelo do MIL à voto neste candidato verdadeiramente independente e apartidário como forma de reinstaurar a fé pública na nossa democracia e despertar o sentido cívico dos portugueses.

“Agora e aqui, neste Padrão dos Descobrimentos, alicerçados na nossa História convido-vos a olhar para o futuro, destemidos e a trabalhar com perseverança e afinco para vencermos os novos adamastores que nos angustiam e amedrontam, e assim transformarmos os actuais “cabos das tormentas” em “novos cabos de esperança” que iluminarão Portugal.”

- alguns recearam que pelo apoio que Fernando Nobre concedeu a Capucho e Barroso (PSD) e pela sua integração no monárquico Instituto da Democracia portuguesa e, sobretudo, pela sua escolha do Padrão dos Descobrimentos como local de apresentação da sua candidatura se estivesse a afirmar um candidato posicionado à Direita ou (pior) por um candidato “à Esquerda” que escolhendo um dos símbolos monumentais preferidos pelo Salazarismo estivesse a “cantar à Direita”, buscando assim recuperar à Direita que os votos em Alegre (e eventualmente no candidato do PCP) lhe roubariam. Na verdade, tal escolha não tem esse fundamento e antes se baseia na crença firme e convicta de que a energia, a motivação e os valores que estiveram na origem da gesta dos Descobrimentos e da Expansão portuguesas não estão perdidas e que podem ser recuperadas através do reencontro da democracia portuguesa com a cidadania e a expressão cívica dos portugueses.

“Convido-vos a todos para esse combate em nome dos nossos filhos e netos.
Em nome da esperança,
Em nome do “Acreditar em Portugal”.
Viva Portugal!”

- convite aceite! (em meu próprio nome e em nome do MIL)
- Viva Portugal!

www.fernandonobre.org

Rui Martins

Membro da Comissão Executiva do MIL

CARTA ABERTA AO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA “IBÉRIA”

Excelentíssimos Senhores:

1. Como devem saber, as empresas de aviação civil que operam em Portugal são obrigadas a cumprir a legislação nacional e a respeitarem a cultura e a língua nacionais. Para poderem realizar as suas operações entre nós, recebem um alvará, emitido pela ANA e é a ASAE que é responsável pelo estrito cumprimento da lei nas suas operações. Daí, por exemplo, uma recente queixa à ASAE relativa à “Easyjet”, dado que a empresa britânica recusava as reclamações de perda de bagagens que não usassem a língua espanhola ou inglesa, conforme foi amplamente noticiado nos meios de comunicação social.

2. Embora opere em Portugal e tenha que cumprir a legislação portuguesa, a Ibéria mantém no nosso país apenas um escritório de vendas. Fazem reservas de segunda-feira a Domingo, mas, ainda que estejam a vender em Portugal e a portugueses, não se dignam a falar em português fora deste período conforme se constata na sua página web:

“Portugal

Reservas

707 200 000 (Português) De 09:00 a 20:00 horas locais de Segunda a Domingo.

(Inglês e Espanhol) 24 horas de Segunda-Feira a Domingo.”

3. Mas isto não é o mais grave: se um cliente português quiser apresentar uma reclamação pelo mau serviço prestado, o escritório da Ibéria em Portugal não o aceita. Nem aceita um correio eletrónico, nem um fax nem uma carta. Obriga os clientes portugueses, que compram e pagam os seus bilhetes em Portugal a uma empresa certificada para operar em Portugal, a enviarem uma carta em inglês ou em castelhano.

4. Nessa medida, o MIL, enquanto entidade que, sem complexos, defende, de forma coerente e consequente, a Lusofonia, irá apresentar uma reclamação junto do Instituto do Consumidor, da ANA e da ASAE:

i) Porque a Ibéria não cumpre a lei do consumidor em vigor e recusa a apresentação de reclamações em língua portuguesa;

ii) Porque a Ibéria mantém um serviço de venda (reservas) em língua não portuguesa, em Portugal (o número verde é de uma operadora nacional);

iii) Porque ainda que sejam portugueses uma parcela muito significativa dos seus clientes, a empresa não mantém a língua portuguesa no seu serviço de comunicações. Algo que, de resto, seria muito fácil, tendo em conta que na própria Espanha há já 3 milhões de falantes do Português da Galiza (língua galega).

Muito cordialmente

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

www.movimentolusofono.org

Comunicado MIL sobre a catástrofe ocorrida na Região Autónoma da Madeira

1. O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO exprime a toda a população da Madeira e em especial às pessoas e às famílias mais atingidas pela catástrofe natural ocorrida ontem, as suas mais profundas condolências, apelando à comunidade lusófona e aos responsáveis políticos nacionais e regionais para que dêem uma resposta à altura da situação.

2. Este tipo de catástrofes naturais têm efeitos incontroláveis, mas não são toleráveis os sistemas político-económicos nem as estruturas de poder que se mostram impotentes para as prevenir na direta razão da sua permanente subordinação a interesses mesquinhos fundados na especulação irresponsável e a políticas incompetentes, pouco claras ou inconfessáveis de gestão do espaço público, das solidariedades sociais e do património ecológico a todos os níveis. Nessa medida, o MIL chama a atenção dos responsáveis políticos, e de todas as pessoas preocupadas com o bem-estar e o desenvolvimento equilibrado das comunidades, regiões e nações do espaço lusófono, para a urgência em repensar, fora dos momentos de tragédia e de luto, o caminho sem regresso a que têm conduzido e inevitavelmente conduzirão as políticas de desordenação urbanística, de permissividade diante da especulação imobiliária, de passividade diante da terciarização não-produtiva da economia e de desconsideração perante os princípios mais elementares da autonomia local e da solidariedade global.

3. O MIL encontra nas tradições de liberdade, de solidariedade e de responsabilidade que a cultura e a história dos portugueses propuseram ao mundo e colheram dele, e no pensamento e na ação de Agostinho da Silva, a sua maior inspiração. Mas a construção partilhada da lusofonia como projeto alternativo de cultura e de civilização não pode deixar de ser acompanhada pela defesa, a nível local e como tarefa de todos, do património, da segurança das populações, da ordenação ecológica do território, da qualidade de vida dos cidadãos; e para isso torna-se urgente a recriação de uma economia que não mais seja a passiva ‘presa dos mercados’ de uma cultura social que não mais seja a da mediocridade e da impunidade, de uma capacidade de atuação técnica e política que não mais seja a do curto prazo e do resultado aparente. Por isso, no contexto e em consonância com a sua Declaração de Princípios e Objetivos, o MIL recorda que a desordenação urbanística patente na Ilha da Madeira resulta do primado da especulação imobiliária sobre o urbanismo, do falhanço de um modelo esgotado de Regionalismo e de um domínio da terciarização da Economia em prol dos setores produtivos. A construção desregrada em leitos fluviais, a multiplicação selvagem de unidades hoteleiras junto a antigas ribeiras e a destruição de uma economia de produção em favor de uma economia orientada para o Turismo e Hotelaria criou o caos urbanístico que agora potenciou a multiplicação da escala desta catástrofe natural.

4. O MIL recorda que a forma de Regionalização estabelecida na Madeira contribuiu também, em muito, para a presente situação de caos urbanístico e desrespeito dos mais básicos princípios de construção e urbanismo. E que uma regionalização municipalista não permitiria o estabelecimento do tipo de regime regional que contribuiu para esta tercialização selvagem da economia madeirense assim como para uma doentia e insustentável dependência entre a Economia local e o Estado. Nessa medida, importa “recuperar a tradição municipalista portuguesa, promover uma regionalização e descentralização administrativa equilibradas, assegurando mecanismos de prevenção e controlo dos caciquismos locais”, conforme consta da nossa Declaração de Princípios e Objetivos.

5. Por fim, o MIL apela a que, como resposta a uma Globalização cujas consequências nefastas ficaram tão evidentes aos olhos de todos após a eclosão da mais grave recessão global desde 1929, seja dada prioridade ao recentramento para o domínio local e comunitário das economias e das estratégias de desenvolvimento, conforme consta igualmente da nossa Declaração de Princípios e Objetivos: “Promover a sustentabilidade económica do país, desenvolvendo as economias locais e respeitando a harmonia ambiental”. Em vez de economias orientadas para a captação de turistas e onde as estratégias governativas escolhem o Turismo Global como prioridade e assim justificam todos os abusos ao meio ambiente, que estiveram na base de uma parcela significativa desta catástrofe na Madeira, o MIL apela a um recentramento para o Local da Economia madeirense, da portuguesa e da de todos os demais países lusófonos.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
http://www.movimentolusofono.org/

APOIO DO MIL À CANDIDATURA PRESIDENCIAL DO DOUTOR FERNANDO NOBRE

Escassas horas após ter tido dela conhecimento e ainda antes dela ser anunciada formalmente, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO comunica o seu apoio público à candidatura do Doutor Fernando Nobre à Presidência da República.

Fazemo-lo sem que isso tenha envolvido qualquer espécie de negociação prévia. Nem sequer pelo facto do Doutor Fernando Nobre ser um membro do nosso movimento cultural e cívico.

Fazemo-lo, simplesmente, em reconhecimento da sua Pessoa: a de alguém que tem tido um percurso sempre coerente e consequente, em nome dos mais nobres valores, que não está nem nunca esteve refém de compromissos partidários, e que, sendo um Humanista, sempre teve uma particular atenção à Comunidade Lusófona por todo o mundo.

Se vier a ser eleito, estamos convictos que o Doutor Fernando Nobre tudo fará para reforçar os laços entre os países lusófonos – não só no plano cultural, mas também social, económico e político, tendo a vista a criação de uma verdadeira Comunidade Lusófona, no aprofundamento da CPLP. Porque esse é também o objectivo maior do MIL, apoiamos, sem reservas, a Candidatura Presidencial do Doutor Fernando Nobre.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

www.movimentolusofono.org

Entrevista de Rui Martins a Camilo Nogueira em nome do MIL (16 fevereiro 2010)

1. Qual é o estado atual das relações Portugal / Galiza?

A entrada conjunta na União Europeia estabeleceu uma nova relação entre os dous paises. Hoje Galiza é a primeira das Comunidades Autónomas do Estado espanhol na importação desde Portugal, mais que Catalunha e Madrid, e também a primeira exportadora se se incluir a origem real da exportação de energia eléctrica.

As visitas pessoais mútuas sempre foram mui importantes e agora mais. Muitos galegos e galegas conhecem Portugal como um país de seu: não só Porto, Coimbra, Lisboa ou Faro, senão também Castro Leboreiro, Mirandela, Freixo de Espada a Cinta, o nascimento do Zézere e Manteiga, Abrantes, Marvão, Galegos, Vila Viçosa, Beja, Ourique, Sines, Albufeira ou Sagres.

As relações políticas e instituçionais permanentes limitam-se as existentes entre a Região Norte e o Governo Galego e entre as cidades do Arco Atlántico de ambos lados do Minho e a Raia Seca ou às que mantenhem algúns partidos políticos e sindicatos. En tanto não são raras as visitas do Presidente do Governo Galego ao Presidente de Portugal ou ao Primeiro Ministro. Eu mesmo, sendo deputado no Parlamento Europeu encabecei uma delegação do BNG que visitou ao Presidente e aos Grupos políticos da Assembleia da República e tambén ao ex Presidente Mario Soares, com quem, como com os demais deputados e deputadas de Portugal, tive uma relação amistosa no Parlamento Europeu. Em Lisboa não diferenciam as relações como Galiza das que mantenhem como o resto do Estado espanhol e os governantes galegos tampouco as de Galiza com Portugal.

Existem interessantes relações universitárias. Também teatrais e musicais. Igualmente, ainda que paradoxalmente minoritárias, as de carácter lingüístico. E especialmente de profissionais da saúde e operarios de sectores económicos como a construção.

Algumas salientes empresas portuguesas estão na Galiza e em maior medida galegas em Portugal, particularmente na fronteira do Minho em relação com Vigo e também nas zonas de Porto e Lisboa.

A Televisão galega poder ver-se em parte de Portugal, mas não as portuguesas na Galiza, excepto os canais de pago. A incomunicação na imprensa é, de facto, total.

Ainda hoje, quando alguém se achega à fronteira desde Portugal não encontra nenhuma referência a que entra na Galiza, entanto que se proclama a entrada em Espanha, como se o Minho fosse o Guadiana em Ayamonte.

Porém, se ha poucos anos a única ponte estrada sobre o Minho era a de Tui e Valença, agora existem a correspondente à autoestrada entre essas duas cidades, e as pontes entre Goian e Vilanova de Cerveira, entre Salvaterra de Minho e Mónaco e entre Arbo e Melgaço, estando prevista alguma mais. A não tardar haberá tantas como em Paris.

As relações estão entorpecidas pelos prejuizos derivados dos conflitos hispano-portugueses. Fica muito por fazer para estarmos de mans dadas.

2. Qual é a sua opinião sobre a política externa do Governo Português para com a Galiza?

Esta condicionada pelas relações estatais entre Portugal e Espanha, pela justa desconfiança portuguesa e pela vontade de domínio do poder espanhol e, também, porque a realidade histórica e cultural de Galiza pôe em causa as ideologias historiográficas dominantes nos dous Estados. Mas isto requeria uma conversa muito mais extensa.

3. Que tipo de contactos culturais existem hoje entre Portugal e a Galiza?

Não os contactos necessários e possíveis, malia que algúns dos existentes são prometedores. Algo fica dito na primeira pergunta.

4. Como descreveria em breves palavras o termo “reintegracionismo”?

Acho que deveria significar a convergência da norma ortográfica que hoje é oficial de Galiza com a galega histórica e pelo tanto com a portuguesa, mantendo o galego as diferenças morfológicas ou fonéticas, como ocorre no portugués de Brasil e noutros paises e como sucede sem problemas em todas as línguas de carácter intercontinental. Como estou a fazer aquí, na imprensa galega escrevo com frequência em galego com a norma ortográfica portuguesa. De ter escrito aquí com a norma oficial galega a estrutura morfológica e sintáctica utilizada seria a mesma. Em tudo o caso, o reintegracionismo não pode significar -seria contrário à consciência de Galiza como povo e como nação, ademais de inecessário e impossível- que a norma fonética e morfológica de Lisboa se imponha em Galiza como se tem feito no Norte de Portugal.

Devo salientar que como deputado no Parlamento Europeu falei em galego com grande frequência nos Plenários, aproveitando a oficialidade do português e constando nos diários de sessões na norma ortográfica portuguesa, sendo traducido sem problemas a todas as lenguas oficiais, entre elas o castellano. Em Madrid estaria-me totalamente prohibido. Actuei como os flamencos de Bélgica e os holandeses, que têm as suas línguas como a mesma.

5. Como descreveria em breves palavras o termo “isolacionismo”?

Como o propósito de estabelecer uma norma diferenciadora da língua galega a respeito da portuguesa. Essa norma, pretendendo aproximar-se ao galego falado, está tendo um perigoso desvio que a arreda da rica língua popular, de modo especial na fonética, e a aproxima á castelá. Essa norma tende a ciscunscrever a língua galega no âmbito de comunicação do Estado espanhol, dificultando o aproveitamento da fortuna de ser partilhada a través do português por Portugal, Brasil e os demáis paises da mesma língua.

Ainda assím, é preciso dizer que os lingüistas que estabeleceram a norma oficial recuperaram a rica lingua histórica e popular, fazendo uma aportação fundamental ao galego-português, que deve ser muito valorada também fora de Galiza. De facto, desde o ponto de vista estritamente lingüístico hoje não resulta difícil passar da actual norma ortográfica oficial galega à norma portuguesa.

Acho, pois, que não responde à realidade dizer que o galego se arredou do português precisamente no momento em que foi radicalmente proibido na administração e no culto religioso, no princípio do século XVI. O galego mantívo-se apesar de tudo como língua falada, pelo povo, evoluindo básicamente como o portugués e desde logo como o portugués falado tanto em Portugal como em Brasil ou em África. As pessoas que falam entre eles correctamente e sem prejuizos, uns em galego e outros em português, comprovam que não têm, tudo o contrário, nenhum problema de compreensão. A mesma toponimia, de Viseu a Cádavo e de Pereiró a Torres Vedras (em Galiza Pontevedra ou Vedra: topónimos que lembram a uma forma galego-portuguesa de “velha”). Não ha mais que caminhar por Galiza e Portugal para enxergar a total identidade dos topónimos. Na Galiza, como suponho no Norte de Portugal, cada palmo de terra tem un nome próprio.

6. Qual considera ser a importância da sobrevivência da língua galega para a manutenção de uma “identidade galega”?

Evidentemente o galego é fundamental na história -se existe o galego é porque existiu durante séculos o Reino independente de Galiza-, e na consciência presente da identidade galega.

Hoje o galego é falado pela imensa maioria da povoação de Galiza, sendo as pessoas habitualmente monolingües em galego muitíssimas mais que as monolingües em castellano, por muito que todos saibam as dúas línguas Como tal língua não está em perigo de desaparição. Muito menos se se pensa que resulta impossível tal sucesso entanto que se fale como portugués no mundo.

Agora bem, durante os cinco séculos de proibição pública por parte da monarquia e o Estado espanhol o galego resistíu na fala da prática totalidade da gente e como língua das viçosas culturas agrária, marinheira e do artesanato. Tendo padecido a experiência da dominação pelos filipes Habsburgo entre 1580 e 1640, os portugueses sabem o difícil que resulta uma resistência como a galega. Porém no mundo urbano e industrial de hoje toda língua necessita de um Estado, ou de uma instituição de tipo estatal, que a tenha inequívocamente como língua própria e nacional. A existência do Estatuto de Autonomia de Galiza melhorou muito a situação pública do galego, mas estamos longe de normalizar o seu uso como tal língua própria nacional. A dia de hoje estamos perante un decisivo problema político, enfrentados a un Estado que toma o castellano como signo de identidade, querendo mesmo ignorar teimosamente que o galego, através do português é tão intercontinental como a língua castelá.

7. Qual o significado da estandartização do idioma galego?

Creio que servem respostas anteriores. Falta ainda a necessária convergencia com a norma ortográfica do português

8. Quais são -na sua opinião- os mais graves atentados à língua galega na atualidade?

A acção permanente dos poderes que impidem o seu uso como a língua própria e nacional de Galiza,  começando pela difusão sistemática da ideia de que a sorte do galego deve depender simplesmente de cómo os pais a transmitam aos filhos, como se a nossa língua como todas, não fosse também uma língua institucional, política e social.

9. Qual o estado da definição de um modelo de língua culta?

Existe um modelo oficial específico do galego como língua, mas como venho de dizer é necessário avançar no caminho da convergencia, começando já pelo ensino da norma portuguesa nas próprias aulas de galego e abrindo a mão para dar apoio igual às publicações que escrevam em galego com a  norma portuguesa. De facto já está a ocorrer que determinados autores escrevam assím em jornais de tirada em galego ou castellano

10. Que benefícios concretos obteriam os galegos e a cultura galega através da adesão da Galiza ao Acordo Ortográfico de 1990?

Creio que já  contestei dizindo que a norma ortográfica galega deveria ser igual à portuguesa.

11. Qual acha que poderia ser o papel do MIL: Movimento Internacional Lusófono no aprofundamento das relações Portugal-Galiza?

Penso que o MIL, como os demais movimentos reintegracionistas, estão a fazer um grande trabalho. Acho que em Galiza o caminho a seguir é o de convencer à maioria da gente. Neste momento em Galiza todo o mundo aceita a ideia de que galegos, portugueses, brasileiros, angolanos…falamos a mesma língua ou que pertencemos ao mesmo sistema linguístico. Até ha muito pouco isto era apenas património de uma minoria.

12. Qual é a sua opinião no que diz respeito ao apoio à causa galega por parte de países lusófonos?

Deveriam, penso, reconhecer jà ao galego como a mesma língua que o portugués. Confiando em que em Galiza se tomem decisões convergentes ou reintegracionistas e sem pôr isto como condição imediata: para que as cousas madurarem, como está a suceder.

13. Como considera em que poderia consistir esse apoio?

Creio que serve a resposta anterior

14. Que utilidade teria para a Galiza e a sua língua a adoção de um modelo reintegracionista no que diz respeito à sua política linguística?

Seria enormemente positivo quando se acordar por convencimento como é devindo e necessário, mantendo a personalidade do galego, como ocorre ponhamos por caso com o brasileiro,.

15. Quais seriam os obstáculos para levar a cabo essa política?

Em Galiza temos que tomar a decisão de agir na questão da língua com total independência de Madrid. Com o Estatuto de Autonomia e a Lei de Normalização Linguístia aprovada polo Parlamento galego, Galiza tem hoje competencias que permitiriam avançar nesse caminho.

Desde Galiza é preciso abandonar a ideia de o galego ser uma língua do Estado espanhol e de o português constituir uma língua estrangeira. Desde Portugal estaria bem que se reconhecesse a paternidade partilhada do galego-português, normalizado como língua da cultura desde a irradiação de Compostela em Galiza e Portugal, e mesmo em Toledo e Sevilla, substituindo depois na administração ao latim no tempo de Dom Dinis, tanto em Portugal como na Galiza, sendo levada mais tarde pelos portugueses por todo o mundo, numa aventura histórica extraordinária.