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2010: O TERCEIRO ANO DO MIL

1. O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO nasceu no primeiro dia de 2008, enquanto o movimento cultural e cívico prefigurado no Manifesto da NOVA ÁGUIA (cf. nº 1, pp. 7-13, ponto 9), procurando ser pois, no século XXI, o que foi o MOVIMENTO DA RENASCENÇA PORTUGUESA, agora a uma escala lusófona, como desde logo se infere pelo nome, procurando repensar Portugal no contexto da Lusofonia e erguer um Portugal novo que seja um modelo de justiça, desenvolvimento e fraternidade entre os homens. Logo no seu primeiro ano de existência, o MIL tomou várias posições em prol de uma real convergência lusófona: quer defendendo uma“Força Lusófona de Manutenção de Paz”, para acorrer às situações vividas em Timor-Leste e na Guiné-Bissau, por exemplo, quer defendendo o princípio do “Acordo Ortográfico”, a nosso ver um instrumento importante para essa convergência lusófona que almejamos, quer ainda defendendo o “Passaporte Lusófono”, uma das mais marcantes bandeiras de Agostinho da Silva, uma das personalidades cujo pensamento mais inspira o nosso ideário, em prol da livre circulação de pessoas no espaço lusófono.

2. No segundo ano de existência, o MIL lançou mais três petições: a primeira defendendo as candidaturas independentes à Assembleia da República Portuguesa, de modo a revitalizar a nossa democracia; a segunda apelando a um maior envolvimento da comunidade lusófona em relação à grave situação que se viveu, e vive ainda, na Guiné-Bissau, petição que teve como primeiro subscritor Francisco José Fadul, ex-primeiro-ministro deste nosso país irmão (e membro do Conselho Consultivo do MIL); a terceira, por fim, apelando a que o Governo Português providenciasse a distribuição dos livros que em Portugal não tivessem distribuição comercial para todo o espaço lusófono, em alternativa à sua destruição. Para além dos vários Comunicados que fomos emitindo sobre as mais diversas questões ligadas à convergência lusófona, promovemos ainda três debates públicos: o primeiro sobre o futuro da CPLP, em que foram oradores Lauro Moreira (Embaixador do Brasil na CPLP) e Miguel Real (Membro do Conselho Consultivo do MIL); o segundo sobre a situação na Guiné-Bissau, em que o orador foi Francisco José Fadul; o terceiro sobre a condição lusófona da Galiza, em que foram oradores Alexandre Banhos Campo e José Manuel Barbosa, vindos expressamente da Galiza, membros do Conselho Consultivo do MIL e da AGAL (Associação Galega da Língua). Promovemos ainda duas recolhas de livros: uma para Timor-Leste, em parceria com a Associação de Apoio da Diocese de Baucau; outra para a Guiné-Bissau, em parceria com a ONG Ajuda Amiga. Igualmente publicitámos iniciativas da AMI e da Amnistia Internacional, com as quais também nos reunimos e estabelecemos parcerias. Organicamente, neste segundo ano procedeu-se ainda à reestruturação dos nossos órgãos dirigentes: de uma Comissão Coordenadora de 15 elementos passámos para uma Comissão Executiva de 6 (mais pequena e por isso mais coesa e operativa), acompanhada por um Conselho Consultivo, neste momento constituído por 25 elementos, de todo o espaço lusófono, incluindo a Galiza, Goa, Macau e Malaca. O número de adesões cresceu igualmente – neste segundo ano passámos a fasquia das duas mil adesões, de todos os países da CPLP –, tendo-se a tendência de crescimento acentuado nestes últimos meses.

3. Sem crises de identidade, o MIL avança para o ano de 2010 centrando-se naquilo que para si é, desde sempre, o essencial: o reforço dos laços entre os países lusófonos – a todos os níveis, como sempre expressamente dissemos: não só no plano cultural, mas também social, económico e político. Neste último plano, não antecipamos as formas em que se poderá concretizar a convergência lusófona que almejamos. Sabemos que o caminho será longo e que falta quase tudo: desde logo, o sentido de uma cidadania lusófona. Por isso, é também desde logo isso o que queremos cimentar. Esse será o chão a partir do qual depois se construirão as paredes deste edifício. Para tal, importa também que cada país arrume antes a sua casa, criando sociedades mais justas, reais Estados de Direito, onde todos possam viver com dignidade, usufruindo da liberdade e da justiça, que só Estados fortes podem proteger, no cumprimento das suas constituições, doa a quem doer – só assim será possível, no aprofundamento da CPLP, criar uma verdadeira comunidade lusófona, uma casa comum da lusofonia. Ainda que de forma demasiado lenta, sabemos que a história, na sua lógica pendular, vai nesse sentido – para aí apontam múltiplos sinais: depois de mais de três décadas de costas voltadas, por um amontoado de traumas e ressentimentos, todas essas feridas estão agora, finalmente, a cicatrizarem-se, assim abrindo caminho para a recriação do espaço lusófono enquanto um verdadeiro espaço cultural e civilizacional. Sabemos que ainda há quem agite fantasmas do passado, mas o nosso paradigma é um paradigma novo, de futuro.
Queremos que esse espaço lusófono seja o lugar, a casa comum, onde todos os lusófonos tenham, numa base de liberdade e fraternidade, uma vida digna, sem mais adjectivos. Para mais, no caso dos portugueses, se de novo nos viramos para o Atlântico, não é para de novo virar as costas à Europa – somos europeus e por isso manteremos todos os laços: desde logo com a Galiza – ainda que, como salientámos no debate que promovemos, seja aos galegos que cabe decidir o seu futuro –, depois, com os demais povos ibéricos (sem procurar ressuscitar guerras do passado); por fim, com todos os outros povos europeus, em especial os do Sul (com os quais partilhamos uma história milenar). Mas esses laços não são para nós amarras que impeçam o reencontro com a nossa vocação desde logo mediterrânea e atlântica; por fim, por tudo aquilo que nos liga aos demais países lusófonos, universal. Por isso também defendemos o trans-nacionalismo lusófono – mais do que um sistema, uma dinâmica, através da qual, sem pôr em causa a soberania dos diversos países da CPLP, estes escolham, livremente, cooperar, de modo crescente, nos mais diversos níveis, para benefício de todos (para tal, uma das nossas últimas propostas, o “Banco de Desenvolvimento Lusófono”, pode ser um bom instrumento). Por esse caminho, quem sabe se, mais à frente, não se criará um bloco cultural, social, económico e político – em suma, civilizacional –, que seja um exemplo para outros povos do mundo, num tempo em que o sistema económico e político que nos tem desgovernado se apresenta cada vez mais exangue. É esse o caminho que o MIL pretende trilhar, mobilizando cada vez mais cidadãos lusófonos e estabelecendo parcerias com as mais diversas entidades que partilhem a nossa visão. Ainda e sempre, tomando posição pública sobre todas as questões que promovam a convergência lusófona (por isso, de resto, em Portugal e nos demais países da CPLP, somos cada vez mais reconhecidos como a entidade que, de forma mais coerente e consequente, no plano por vezes político mas sempre trans-partidário, tal defende). Ainda e sempre, lançando, para o espaço público das ideias, propostas concretas e tomando nós próprios iniciativas para que essa convergência lusófona seja cada vez mais real.
Eis, em suma, o caminho que continuaremos a trilhar durante esse novo ano de 2010. Quer juntar-se a nós? Para partilhar este nosso caminho, para propor iniciativas e tomadas de posição, para difundir esta visão – contamos consigo. Em 2 anos, somos já mais de 2 MIL. Mas queremos ser muitos mais…


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
(blogue: www.mil-hafre.blogspot.com)
(facebook: http://www.facebook.com/group.php?gid=2391543356)

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de dois milhares de adesões, de todos os países da CPLP.

Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.

MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:
António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.
MIL-CONSELHO CONSULTIVO:
Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Luísa Timóteo (Malaca), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).

Contacto: 967044286

Comunicado MIL sobre as Emissões de Rádio e Televisão Portuguesas na Galiza

Considerando que cabe aos galegos determinar o futuro da Galiza, conforme foi expressamente ressalvado no último debate público que promovemos, e não pretendendo suscitar um diferendo diplomático entre o Estado Português e o Estado Espanhol a este respeito, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO apela a que as emissões de rádio e televisão portuguesas (sobretudo aquelas que privilegiem programas de cariz cultural) sejam recebidas na Galiza, conforme é desejo expresso de múltiplas organizações galegas.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
http://www.movimentolusofono.org/

COMUNICADO MIL SOBRE A SITUAÇÃO DE TIMOR-LESTE

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO saúda o recente anúncio público do Embaixador australiano em Timor-Leste relativo à retirada, ainda que não imediata, dos militares australianos e neozelandeses aí estacionados. Como o MIL defendeu na sua Petição “Por uma Força Lusófona de Manutenção de Paz” (http://www.petitiononline.com/mil1001/petition.html), as únicas forças que deveriam estar em Timor-Leste deveriam ser Forças Lusófonas, de todos os países da CPLP.

Não obstante, o MIL repudia as declarações do mesmo Embaixador, Peter Heyward, relativas à situação política interna de Timor-Leste. Este país lusófono não é tutelado pela Austrália, pelo que são descabidas quaisquer declarações públicas relativas à situação política interna timorense.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
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MIL-CONSELHO CONSULTIVO:
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Vídeo (quase integral) do Debate Público de 5 de dezembro: O Futuro da Galiza no Espaço Lusófono

Entregando a Carlos Fortunato da “Ajuda Amiga” os livros para a Guiné-Bissau

Entregando alguns dos livros já recolhidos para envio para a Guiné-Bissau. Graças à parceria (e contentor) da Ajuda Amiga, cujo presidente J. Carlos M. Fortunato aqui surge, à esquerda. Estes livros, juntamente com outros que esperamos ainda recolher em lançamentos da Nova Águia, devem seguir para Bissau já em janeiro de 2010.

P.S.: Falta o amigo Pires (o fotógrafo) e a Paula Viotti que cedeu uma grande parcela dos livros recolhidos!

Proposta MIL: “Banco de Desenvolvimento Lusófono”

Tendo em consideração que:
a) o aprofundamento das relações institucionais, culturais, económicas e sociais entre os Estados membros da CPLP tem que ser claramente assumido como preocupação e objetivo prioritário dos respectivos Governos e como condição necessária da promoção da paz e do bem estar social dos seus cidadãos;
b) as profundas desigualdades económicas e sociais que ainda caracterizam o espaço lusófono, e a dimensão da atual crise económico-financeira planetária, exigem dos governantes dos Estados membros da CPLP a definição de uma estratégia comum de cooperação e de uma conjugação de políticas de longo prazo que, no campo económico e no da promoção do desenvolvimento social, se não subordinem ao imediatismo do ‘desenvolvimento financeiro’ e à vertigem da ‘competição global’ induzida e conduzida pelo discurso e pelos interesses do capitalismo dito neo-liberal, mas que visem a criação das condições para uma verdadeira gestão equilibrada e de longo prazo dos recursos naturais, para um desenvolvimento ecologicamente sustentado e para o reforço de uma sociedade livre onde a pobreza seja uma memória e não uma fatalidade;
c) o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO considera que é no quadro do respeito pelos valores essenciais da cultura lusófona e do seu humanismo universalista que se podem e devem buscar alternativas viáveis à crise do actual ciclo de civilização economicista e tecnocrático, para tornar possível a emergência de uma outra globalização, a do desenvolvimento das plenas possibilidades humanas e da harmonia ecológica, assente na utilização partilhada, responsável e democrática dos actuais recursos materiais, económicos e tecnológicos;
d) o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO considera essencial assegurar o predomínio da ética e da política sobre a economia, de modo a que a produção e distribuição da riqueza visem o bem comum e a satisfação das necessidades básicas das populações, para o que se torna imperativo explorar as potencialidades de formas de organização económica cujo objectivo fundamental não sejam, meramente, o crescimento desgovernado e o lucro financeiro a todo o custo;
e) não existem ainda, a nível da CPLP, estruturas intergovernamentais capazes de dar resposta eficaz às necessidades de planeamento, partilha de saberes e experiências, e acesso ao crédito e ao micro-crédito por parte das famílias, das pequenas comunidades e dos projectos locais de valorização de uma economia respeitadora de recursos e de pessoas, ou sequer de auxiliar consistentemente a sustentabilidade dos Estados e regiões mais desfavorecidos e a articulação das economias dos Estados lusófonos numa rede ecológica e humana de economias locais auto-organizadas e sustentáveis;

Entende o MIL que
Se torna necessária a conjugação de esforços dos Governos e o empenhamento dos cidadãos da comunidade lusófona na criação de uma estrutura financeira institucional de fins não lucrativos com a participação de todos os Estados que atualmente integram a CPLP, ao serviço das políticas de cooperação e envolvimento que os Governos desses Estados não podem deixar de definir em conjunto, no âmbito das aspirações comuns que presidiram à constituição e justificam o progressivo e permanente reforço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Uma tal estrutura financeira terá o objetivo e a missão de, em todo o espaço lusófono, prosseguir o desenvolvimento equilibrado e sustentado das sociedades dos países-membros, o combate à exclusão social e à pobreza, a criação de condições para a melhoria da qualidade de vida das populações lusófonas, onde quer que estas se encontrem, e a contribuição para a integração das economias dos países da CPLP.
Para tal, é indispensável a criação das condições técnicas, financeiras e humanas para que essa estrutura financeira possa estimular e dar apoio efectivo a projectos públicos ou em parceria público-privada, em qualquer dos Estados-membros da CPLP, que contribuam para concretizar os objectivos de aprofundamento da integração das economias da CPLP, que apresentem garantias de solidez do ponto de vista económico, financeiro, técnico e ambiental e que sejam susceptíveis de atrair fontes de financiamento complementares, designadamente privadas.
Uma tal instituição apenas poderá ser constituída com a participação directa dos Estados-membros da CPLP, de forma a permitir o necessário acesso ao crédito nos mercados financeiros internacionais nas melhores condições; não visando o lucro, poderá por sua vez conceder crédito em boas condições, em permanente ligação aos Governos dos países da CPLP e a instituições financeiras públicas e privadas, agências de desenvolvimento, ONGs e fundações privadas do espaço lusófono.

Assim,
- Requeremos aos Governos da CPLP que assumam o compromisso da criação de uma estrutura financeira institucional lusófona de suporte a um horizonte comum de envolvimento e cooperação entre os povos e as economias da lusofonia;
- Requeremos aos Governos da CPLP a construção comum de uma alternativa lusófona ao já existente “Banco do Sul”, lançado por Hugo Chávez e que além da Venezuela, agrega também Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e o lusófono Brasil, de uma alternativa lusófona a esta abordagem estritamente sul-americana da política externa brasileira.
- Requeremos aos Governos da CPLP o empenhamento claro num projecto de longo prazo que aprofunda os laços económicos e sociais entre os povos da lusofonia, que abre novas alternativas de financiamento onde as outras se encontrarem indisponíveis, que tem como prioridade o foco no desenvolvimento humano e não apenas os critérios do lucro ou do crescimento bruto das economias, sem ter em consideração a repartição da riqueza ou a qualidade de vida e direitos cívicos e humanos dos cidadãos.
- Requeremos aos Governos da CPLP o empenhamento consistente na criação de um verdadeiro banco de desenvolvimento que promova o envolvimento das populações e a integração, à escala humana, das economias dos seus países – o empenhamento na criação e na condução partilhada de um Banco de Desenvolvimento Lusófono.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

Fotografias do Debate Público: O Futuro da Galiza no Espaço Lusófono (5 de dezembro de 2009)

Uma sala bem composta…

José Manuel Barbosa, Renato Epifânio (moderador) e Alexandre Banhos

José Manuel Barbosa, Renato Epifânio (moderador) e Alexandre Banhos

Alexandre Banhos

José Manuel Barbosa, Renato Epifânio (moderador) e Alexandre Banhos

J. Carlos M. Fortunato, presidente da Ajuda Amiga, tomando notas…

Cuidando da parte técnica…

José Manuel Barbosa, Renato Epifânio (moderador) e Alexandre Banhos

COMUNICADO MIL SOBRE A (NÃO) ELEIÇÃO DO NOVO PROVEDOR DA JUSTIÇA

O degradante espectáculo público que se arrasta há meses em torno da eleição do novo Provedor da Justiça, e que já levou, inclusivamente, o anterior Provedor a renunciar ao cargo, é mais uma prova da situação de bloqueio da nossa Partidocracia. A eleição ainda não se concretizou, essencialmente, porque os nossos Deputados põem os interesses partidários acima dos interesses do país.

Nessa medida, o MIL relembra as propostas que fez numa Petição lançada há pouco tempo:
- que, nas Eleições Legislativas, os Deputados possam ser eleitos como independentes ou em listas não partidárias;
- que todos os Deputados, ainda que integrados em listas partidárias, respondam em primeiro lugar aos Cidadãos que os elegeram e não aos respectivos Partidos, de modo a que jamais se possa de novo ouvir um Deputado dizer que votou num determinado sentido apenas por “disciplina partidária”, como, tantas vezes, tem acontecido.

Só assim, reiteramos, com Deputados que livremente representem aqueles que os elegeram e que não sejam apenas uma caixa de ressonância dos respectivos Partidos, teremos uma verdadeira Democracia Representativa.

PETIÇÃO EM PROL DE UMA VERDADEIRA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
PARA ASSINAR A PETIÇÃO:
http://www.gopetition.com/online/26885.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Secção Portuguesa

Nota de apresentação: O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, que conta já com quase um milhar de adesões, de todos os países lusófonos.
A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).
A lista de adesões é pública – como se pode confirmar publicamente (www.novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.

COMUNICADO MIL: AINDA SOBRE A GUINÉ-BISSAU

Conforme notícia da Agência Lusa, Baciro Dabó, ministro da Administração Territorial e candidato presidencial à Guiné-Bissau, foi assassinado na madrugada de hoje, bem como um antigo ministro da Defesa, Hélder Proença.Estes assassinatos, que se seguem a todos os outros que ocorreram nestes últimos meses, provam, uma vez mais, a necessidade de um maior envolvimento da comunidade internacional e, em particular, da comunidade lusófona, em prol de uma efectiva pacificação da sociedade guineense, como o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO insistentemente tem reclamado.

A esse respeito, o MIL relembra, em particular, a Petição que lançou recentemente, antecipando que irá promover um debate público sobre “O futuro democrático da Guiné-Bissau no espaço lusófono”, a realizar-se no dia 4 de Julho, às 16h, na Associação Agostinho da Silva, que contará com a presença de Francisco José Fadul, ex-primeiro-ministro da Guiné e primeiro subscritor da Petição:

EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU: http://www.gopetition.com/online/26953.html


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

2ª Conferência MIL: O Futuro Democrático da Guiné-Bissau

CARTA AO DIRECTOR DO JORNAL “PÚBLICO”

Exmo Senhor
Director do Jornal “Público”

Enquanto subscritor da Petição “Não Destruam os Livros!”, lançada pelo MIL. MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO, bem como da “Carta Aberta ao Primeiro-Ministro de Portugal”, que foi entretanto enviada aos órgãos de comunicação social, gostaria antes de mais de esclarecer que nada nos move contra ninguém em particular – a nossa única motivação é, como se diz no texto da Petição, “que as editoras nacionais, e em particular a Imprensa Nacional – casa da Moeda, não destruam as obras em questão, oferecendo-as antes às bibliotecas, escolas e centros culturais nacionais, aos leitorados de Português e departamentos onde se estuda a língua e a cultura portuguesas nas universidades estrangeiras, bem como às universidades e centros culturais dos países lusófonos”.

Feito este esclarecimento prévio, gostaria em primeiro lugar de manifestar a minha estranheza perante a notícia publicada na edição de hoje (Sexta, dia 3 / 7/ 09), notícia não assinada sobre a Imprensa Nacional – Casa da Moeda (cf. caderno 1, p. 17), de clara resposta à Petição e à Carta Aberta, sem que, contudo, nem a Petição nem a Carta Aberta seja referidas. Isto para além do facto da notícia ter numerosas semelhanças com uma outra surgida em Novembro de 2008 no JL, essa a respeito do surgimento da Agenda INCM para 2009.

Quanto à notícia propriamente dita, registamos que se mantém a possibilidade da destruição de livros. É esse o título da notícia: “Casa da Moeda pode ter que destruir livros”. Isto caso não se encontrem instituições disponíveis para “acolher as obras publicadas há mais de quatro anos e que não tiveram sucesso comercial”.

Ora, instituições disponíveis para acolher essas obras é o que, no espaço lusófono, não faltam. O que falta, tão-só, é vontade para as fazer chegar lá. Mas, para tanto, como se diz ainda no texto da Petição: “os Ministérios da Cultura, da Educação e dos Negócios Estrangeiros (este através do Instituto Camões), bem como a TAP AIR Portugal, devem-se articular com as Editoras na estratégia da distribuição e transporte dos livros a nível nacional e internacional. Em vez de se destruir património precioso e insubstituível, esta é uma óptima oportunidade de se prestar um serviço à cultura e à educação nacionais, bem como de promover a cultura portuguesa no espaço lusófono e no mundo, tarefa por todos reconhecida como fundamental na qual o Estado não se tem empenhado devidamente.”

Ao contrário do se diz na notícia, os livros não são “feitos para ser vendidos”. Mas para ser lidos. Eis toda a diferença.

Muito cordialmente
Renato Epifânio

2ª Conferência Pública: O Futuro Democrático da Guiné-Bissau

Debate Público com Francisco Fadul, antigo Primeiro-Ministro e ex-Presidente do Tribunal de Contas

(infelizmente a qualidade dos vídeos não é a melhor. Brevemente contamos substituir estes vídeos por outros melhores.)

Comunicado MIL sobre o “Passaporte Lusófono”

Conforme foi noticiado esta semana, o Partido Socialista “está a estudar a criação de um novo conceito, o Estatuto do Cidadão da CPLP, que na prática poderá proporcionar a livre circulação de pessoas oriundas dos países de expressão portuguesa”.

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO congratula-se com essa intenção, esperando que não seja uma mera promessa eleitoral.

Lembramos que essa medida havia sido já por nós lançada, numa Petição em prol do Passaporte Lusófono, “uma das grandes aspirações de Agostinho da Silva, que venha a permitir a livre-circulação dos cidadãos em todos os estados da comunidade lusófona”:
http://www.gopetition.com/online/20337.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

COMUNICADO DO MIL

Em virtude de uma reestruturação interna, após a saída voluntária (mas por razões diversas) de alguns membros, a Comissão Coordenadora do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO ficou constituída pelas seguintes pessoas:

António José Borges
Casimiro Ceivães
Eurico Ribeiro
Francisco José Fadul
José Pires Freixeda
Renato Epifânio
Rui Martins

Esta Comissão Coordenadora compromete-se a continuar a respeitar a Declaração de Princípios e Objectivos do MIL e não renega – antes pelo contrário – nenhuma das causas que assumiu até ao momento (em Petições, Comunicados e noutras tomadas de posição), visando sempre o reforço dos laços entre os países lusófonos – numa óptica, portanto, trans-nacionalista –, reforço esse que, como desde o princípio defendemos, se deve realizar em todos os planos.

O MIL tem sido, pelo menos no espaço português, a voz pública que, de forma mais coerente e consequente, tem defendido a Convergência Lusófona.

Assim continuará a ser! Cada vez mais!

A Comissão Coordenadora do MIL

MENSAGEM DO ÚLTIMO ADERENTE AO MIL:

Adiro ao movimento de união lusófona, convencido que é um caminho de realização sócio-cultural e de melhoria da  qualidade de vida de todas as pessoas que formam a comunidade dos países da língua oficial portuguesa, bem como, ao mesmo tempo, um meio catalisador de união e de comunicação com todas as pessoas que falam português por esse mundo fora da CPLP ou que queiram fazer a sua parte.

Com as melhores saudações a todos os unionistas.
Ganganeli Pereira

O MIL: Movimento Internacional Lusófono envia livros para as crianças de Timor-Leste (Baucau)

O MIL: Movimento Internacional Lusófono, como movimento cívico e cultural, tem, entre as suas valências, como princípio o espírito de colaboração aos mais variados níveis com os países lusófonos. Neste sentido, encetou há alguns meses uma colecta de livros junto de entidades e particulares, no sentido de os enviar para Timor-Leste, assim contribuindo não só para reintrodução da Língua Portuguesa no país, mas também para o enriquecimento cultural das instituições e da população, em particular da região de Baucau, no caso, mais concretamente das escolas associadas à Diocese de Baucau.

Esta opção relativa ao local de destino dos livros prende-se com o facto de não ser possível, pelo menos nesta fase, distribui-los por todo o território, dadas as dificuldades de acesso a certas zonas do país e à falta de meios/apoios de transporte para o fazer.

Assim, o MIL, por não possuir meios financeiros que lhe permitam suportar o envio dos livros, na ordem dos 200kg, por intermédio de um dos seus membros do Conselho Executivo, António José Borges, encetou contactos com Sua Excelência o Bispo D. Carlos Filipe Ximenes Belo, SDB, no sentido de este dar o seu parecer sobre a melhor forma de realizar sem custos a empresa a que o MIL se propõe.

Sua Excelência recomendou então que contactássemos o Dr. Alberto Araújo, residente em Lisboa e membro da Direcção da Associação de Apoio à Diocese de Baucau, e este, em nome da Associação que dirige e da qual são membros o próprio Bispo D. Carlos Ximenes Belo, SDB, e D. Basílio do Nascimento, actual bispo de Baucau, após o acerto de alguns requisitos a serem cumpridos pelo MIL, como a redacção de uma carta/dedicatória dirigida à dita Diocese, a realização de uma listagem dos livros e a respectiva carimbagem dos mesmos, prontamente se disponibilizou para fazer chegar os livros a Timor-Leste num contentor que partirá de Lisboa em meados de Dezembro do corrente ano.

Muito em breve, o MIL cumprirá todos os requisitos necessários para que facultem o envio dos livros, fará chegar os mesmos aos responsáveis da Associação de Apoio à Diocese de Baucau e, assim, o processo ficará concluído com o enriquecimento do acervo das bibliotecas, escolas e outras instituições da região de Baucau.

Desejamos que outras regiões de Timor-Leste e outros países possam contar com o nosso apoio neste e noutros níveis, cumprindo, assim, um dos objectivos que definem o programa cívico e cultural de um movimento como este, que dentro do espaço lusófono tanto valoriza as diferenças como a união – factores de enriquecimento da comunidade lusófona.

Em nome da Comissão Executiva do MIL,

António José  Borges

O MIL: Movimento Internacional Lusófono faz publicar um anúncio no JN de 18.9.2009 sobre a defesa da língua portuguesa da Galiza (Língua Galega)

MIL JN 18.09.09

NOVOS ÓRGÃOS DO MIL

MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:

António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.

MIL-CONSELHO CONSULTIVO:

Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Cabo Verde), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).

COMUNICADO DO MIL SOBRE AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS EM PORTUGAL

A governação de um país, qualquer que ele seja, deve obedecer sempre a uma visão estratégica. Na perspectiva do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO, conforme resulta da nossa “Declaração de Princípios e Objectivos”, bem como de outros documentos que temos emitido, essa visão estratégica para Portugal passa por uma progressiva convergência entre todos os países lusófonos, para benefício de todos eles, de todos nós.

Após o estudo dos programas eleitorais dos partidos concorrentes às próximas eleições legislativas, bem como das respostas ao inquérito que realizámos aos mesmos, constatamos que nenhum deles assume essa convergência lusófona como o eixo da sua visão estratégica para Portugal. Há apenas algumas medidas avulsas, como, por exemplo, no Programa do Partido Socialista, a criação do Estatuto de Cidadão da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que vai, em parte, ao encontro da petição do MIL que defende o “Passaporte Lusófono” ().

Dizemo-lo, note-se, sem com isso querermos entrar no jogo partidário. Do mesmo modo que nos assumimos como trans-nacionalistas, em prol dessa convergência lusófona, assim também nos assumimos como trans-partidários, na premissa de que essa visão estratégica para o país deverá ser assumida, ainda que de forma diversa, por todos os partidos. Difundir essa visão estratégica, eis, tão-só, o que o MIL pretende.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

www.movimentolusofono.org

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com cerca de um milhar de adesões, de todos os países lusófonos.

MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:
António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.

MIL-CONSELHO CONSULTIVO:
Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Cabo Verde), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).

Mensagem do último aderente do MIL

“Sin coñecer a sua esitencia estuven sempre aderida,farta de tanto asoballamento por parte do ingles ,cada un debe ter dreito a falar na sua lingoa materna,se non fora por a lingoa eu seria apátrida,porque o galego é a miña patria.”

Panxón Alborés

O MIL enviou hoje a primeira remessa de livros para Timor-Leste…

(à direita, o Dr. Alberto Araújo, da Direcção da Associação de Apoio à Diocese de Baucau)


O MIL enviou hoje a primeira remessa de livros para Timor-Leste. Em breve faremos um apelo público para uma nova recolha de livros. A todos aqueles que colaboraram com esta iniciativa do MIL – como, nomeadamente, a Paula Viotti – os nossos maiores agradecimentos.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

www.movimentolusofono.org

LIVROS PARA A GUINÉ

http://ajudaamiga.com.sapo.pthttp://ajudaamiga.com.sapo.pt

Hoje, o MIL estabeleceu uma parceria com a Associação “Ajuda Amiga“, no sentido de angariar livros (escolares, sobretudo, mas não só) para a Guiné-Bissau. Em breve indicaremos quando e onde os livros deverão ser entregues.

COMUNICADO MIL DE APOIO À CRIAÇÃO DE UMA COMPANHIA AÉREA LUSÓFONA

Face às recentes declarações do Presidente Executivo da TAP, o gestor brasileiro Fernando Pinto, que, segundo a Agência Lusa, defendeu, em Luanda, a possível “fusão” da TAP com as congéneres angolana TAAG e brasileira TAM, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO vem apoiar publicamente esta possibilidade.

Neste nosso mercado cada vez mais globalizado, importa que as grandes empresas do espaço lusófono se articulem entre si, de modo a reforçarem a sua competitividade diante da concorrência internacional.

Este projecto deve ser um embrião de uma companhia aérea realmente lusófona – através da participação dos outros países da CPLP –, com as vantagens óbvias que daí decorrerão. E servir de exemplo a outras áreas, nas quais, de igual modo, se deverão concretizar projectos desta envergadura.

Sugerimos mesmo um nome para essa companhia: TAL – TRANSPORTES AÉREOS LUSÓFONOS.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

www.movimentolusofono.org


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (sítio: www.movimentolusofono.org)
(facebook: http://www.facebook.com/group.php?gid=2391543356)

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de um milhar de adesões, de todos os países lusófonos.

Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.

MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:
António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.
MIL-CONSELHO CONSULTIVO:
Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).

APELO PÚBLICO DO MIL: MAIS LIVROS PARA TIMOR

Uma vez mais, o MIL: Movimento Internacional Lusófono, apela à solidariedade lusófona para com Timor-Leste. Desta vez, dirigimo-nos em particular aos nossos irmãos lusófonos brasileiros.

Pedimos, em concreto, livros de literatura infantil. Deverão estes ser remetidos para o seguinte endereço:

HCGN 706 Bloco R ap. 302
Asa Norte, Brasília Distrito Federal
CEP: 70.740-718
(ao cuidado de Lúcia Helena Alves de Sá)

Depois, numa cerimónia pública, a realizar-se no Instituto Histórico e Geográfico de Brasília, os livros serão entregues ao Embaixador Domingos de Sousa, de Timor-Leste (data a anunciar).

Debate Público: O Futuro da Galiza no Espaço Lusófono (5 de Dezembro, 15:00)

mil5DEZ

COMUNICADO MIL SOBRE A PETIÇÃO “NÃO DESTRUAM OS LIVROS!”

Foi na passada sexta-feira assinado um protocolo, no âmbito do qual, conforme foi entretanto noticiado, serão distribuídas “400 mil obras de Literatura, História, Poesia, Teatro, Epistolografia, Filosofia, Ensaio e Crítica, entre outros, às associações portuguesas no estrangeiro, nomeadamente gabinetes de leitura, leitorados e escolas portuguesas”.

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO congratula-se com esse acordo, uma óbvia resposta à Petição que lançámos, “NÃO DESTRUAM OS LIVROS!”  (http://www.gopetition.com/online/28707.html), que foi já entregue na Assembleia da República, dado que superou a fasquia das 4 MIL assinaturas.

Ainda que este acordo fique aquém do que na Petição defendemos – como nesta se diz, essas obras devem ser oferecidas “às bibliotecas, escolas e centros culturais nacionais, aos leitorados de Português e departamentos onde se estude a Língua e a Cultura Portuguesas nas universidades estrangeiras, bem como às universidades e centros culturais dos países lusófonos”.

Entretanto, o MIL prossegue o seu próprio trabalho de cooperação lusófona neste âmbito, estando neste momento a recolher livros escolares a serem em breve enviados para a Guiné-Bissau.

A SITUAÇÃO DO PORTUGUÊS NA GALIZA: A desconstrução do modelo normalizador autoanémico

Comunicação de Alexandre Banhos, em Lisboa, na Sociedade da Língua Portuguesa, o dia 5 de Dezembro de 2009, sob a organização do MIL (movimento internacional lusófono)

A modo introdutório, um excerto do texto de José Chão de Lamas “Porque e  que nós, portugueses, devemos de amar a Galiza

Portugal não nasceu no ano 1143. Nasceu quando da queda do império romano no ventre do reino dos suevos, que criaram as condições para que a província da Gallaecia (com forte personalidade diferencial) evoluísse, juntamente com parte da Lusitânia, de modo claramente separado do resto peninsular. É neste reino que se produzem e funcionam os mecanismos que farão que a nossa língua portuguesa nasça do latim e seja estabelecida no noroeste peninsular no velho solar da Gallaecia, no seu esqueleto fundamental no período que vai dos séculos VI ao IX. Aí já temos os primórdios da nossa atual língua e o nosso funcionamento como povo diferenciado na península e no mundo europeu. É suficiente olharmos todas as crónicas muçulmanas peninsulares ou documentos referentes à península, das longínquas terras europeias do Mar do Norte, e ali estamos nós, portugueses, trajados de galegos. Que Portugal então não se chamasse assim, pois chamando-se Galiza era já verdadeiro Portugal, tanto faz.

  1. Os antecedentes
  2. A unidade da língua a norte e sul, é uma certeza da ciência lingüística
  3. Os resultados do modelo “normalizador
  4. Desconstruindo o modelo da Galiza (dominada)
  5. Os problemas a enfrentar
  6. O prtuguês da Galiza

1- Os antecedentes

Cada país gera os seus próprios modelos que são determinados em grande medida polas suas condições materiais e sociais e polas tradições históricas nas que estão submersas as elites tradicionais do povo, ou as novas que nasçam ligadas à vontade de câmbio. Na medida em que essas novas elites tenham sucesso, o câmbio é factível.

A língua da Galiza é uma língua que não se acha reduzida ao espaço do território regional da Galiza comunidade autónoma, somado a isso o espaço da Galiza espanhola não incluída nesse espaço autônomo e que se conhece por Faixa-Leste1, senão que é uma língua internacional conhecida como português e uma das mais extensas e faladas de todo o mundo.

O português nasceu na Galiza, mas esse espaço pouco tem a ver com o território que atualmente usufrui o nome de Galiza, pois essa Galiza histórica e originária entendia-se do mar Cantábrico até o Tejo. Como diz o professor português Joaquim Pinto da Silva2 <<1. O galego (e dizer o português) nasceu na Galiza – facto – mas a Galiza onde ele nasceu é geograficamente também a minha (que sou do Porto). Quer o galego, quer o termo Galiza são também meus, e não falo apenas de filiação linguístico-cultural (onde caberão todos os falantes das variantes galegas e portuguesas da nossa língua comum) mas sim de herança térrea, telúrica como gostam de dizer alguns.

2. Não  é correcto dizer que o galego Condado Portucalense se afastou da nação, da mesma maneira que não seria correcto dizer que a Galiza actual não quis seguir uma parte da Galiza histórica no seu caminho para a autonomia. Não há “crime”, nem “pecado”, nem sequer “erro” no facto de uma parte da Galiza lutar e conseguir a independência, nem tampouco de uma outra, a setentrional, não o conseguir e ficar Casteladependente.

A História fez-se assim, os povos não são melhores uns do que outros e muito menos neste caso em que se trata(va) de um único povo com a mesma matriz cultural.>>

Na Galiza, conhece-se popularmente o português da Galiza como galego por ter continuado a Galiza espanhola usufruindo em exclusiva o nome3. Quando a língua da Galiza se incorporou a universidade foi designado como idioma galego-português. A  Academia Galega da Língua Portuguesa chama-lhe com precisão português da Galiza, ainda que em determinados contextos pode usar o nome de falas galegas que conformam o português da Galiza.

A parte da Galiza que continuará usufruindo o nome, perde a sua real independência na batalha de Toro, de 1 de Março de 1479, que supõe a renúncia da incorporação à coroa de Afonso V de Portugal, de toda a Galiza4, e o começo do processo que o cronista de Castela Zurita, chamou de doma e castração do reino da Galiza.

O processo de doma foi determinante do estado em que viria cair o português da Galiza. Como aponta Fernão de Oliveira no prefácio da primeira gramática da língua portuguesa em 1526, – A perda da corte, verdadeiro espaço onde se pulem e se estabelece o modelo de língua, vai supor o esmorecimento da língua na Galiza -.

O processo de doma e castração resume-se em: 14 anos de Guerra de Castela contra a resistência da Galiza: banimento da nobreza -classe dominante- da Galiza. Supressão da autonomia religiosa, – todas as ordens religiosas passam a depender de Valhadolid capital da província religiosa na que se inseriu à Galiza-5.

2- A unidade da língua a norte e sul, é uma certeza da ciência linguística

Toda a lingüística mundial, excepção dos trabalhos posteriores ao ano 70 no estado espanhol, afirmou a unidade do romance ocidental peninsular. Trás o processo de doma e castração, o papel das elites dominantes, – da classe dominante -, passa a ser ocupado pola estrutura de dominação de Castela, e elementos de serventia local a ela.

Como conseqüência tínhamos na Galiza, por uma banda, a estrutura de dominação e o poder político-religioso que funciona em castelhano, e por outro o povo que funcionava em português de Galiza. A pressão social do povo não admitia o se viver na comunidade lusófona da Galiza, e que os seus membros não se exprimirem na sua língua própria e natural.

Com certeza que o português da Galiza, desde o 1500 sofreu um processo de castelhanização, mas tamém desde o século XV estivo incorporando termos novos que iam aparecendo ao sul do rio Minho, muitos deles ligados à expansão colonial portuguesa6. O português da Galiza modernamente integrou imenso corpus cultural desenvolvido em Portugal como único jeito de gerar jeitos próprios e libertar-se do processo maciço de dialectização a respeito do castelhano.

A língua da Galiza chegou ao período da segunda república com uma situação aparentemente invejável, já que era a língua habitual de perto do 96 per cento da população da Galiza espanhola.

Como diz o professor Fernando Corredoira no seu prefacio a edição em português (do acordo) do Sempre em Galiza de Castelão: “Em meados do século XIX renasce para a literatura uma língua socialmente estigmatizada, funcionalmente minorizada, banida das instituições oficiais e hostilizada pelo Estado. Popular e realmente falada, a língua galega começará a ser posta ao serviço dum movimento cultural e político que irá perfilando uma vocação que (com cautela, porém) poderíamos chamar nacional. Desde inícios do século XX, contra tudo e apesar de tudo, sectores da comunidade linguística galega transgredirão normas imemoriais, abrirão brechas em altos muros e sondarão novos caminhos, passando a fazerem servir o galego como instrumento do discurso público e da acção política.

Como previsível, o recurso ao modelo ortográfico castelhano foi inevitável. O ágrafo galego passou a escrever-se conforme a feição gráfica da língua oficial e única língua verdadeira – tal como ortografada desde finais do século XVIII. Este modelo tinha no mínimo duas vantagens invencíveis: era tecnicamente prestadio e era o único conhecido, o único aliás que podia conhecer-se”

Além das dificuldades na prática do uso da escrita (ortografia) comum da nossa língua, forma parte do pensamento cultural e político da tradição galeguista, a afirmação de ser a mesma língua o português da Galiza e o português de Portugal… e o português do Brasil, (e os muitos portugueses que são nos distintos estados)7 tal e como é próprio das línguas internacionais.

O grande líder nacionalista galego Afonso Daniel Rodrigues Castelão8, exprimia isto num debate com o historiador espanhol Claudio Sanchez Albornoz, quando afirmava: eu só anseio que o galego (homem e língua) se confunda com o português.

O processo esperançado que se vivia na república, o apoio maciço do povo galego a sua autonomia, foi liquidado pola guerra e o franquismo9.

O franquismo liquidou a elite galeguista com a morte e o exílio e não só  perseguiu o português da Galiza, senão que também tutelou o seu uso, dentro das várias formas de controlo do regime, sempre amparou uma visão do português da Galiza como um galego regional e espanhol radicalmente arredado do português.

É dizer, a ditadura vai supor a ruptura da tradição galeguista, de tal jeito, que as novas gerações a aparecerem nos anos 60 do século passado, são desconhecedoras, em muita grande medida, da forma plena dessa tradição, que estava assassinada e exilada com muito poucas excepções.

Na década dos anos 1970, na que as elites já albiscavam a pronta mudança no sistema de dominação espanhol por uma questão biológica da própria pessoa do ditador.10 O sistema universitário espanhol enxerga de jeito radical (ILG)11 a afirmação ideológica e “politicamente correta” no contexto espanhol,12 que é apresentada como científica, da natureza distinta das línguas galega e portuguesa13, e da necessidade de que a sua “normalização” se realizar dentro dos esquemas e parâmetros normativos da língua castelhana, ao que órgãos universitários como o Instituto da Língua Galega chamam política lingüística independente para um galego -isolacionista-.

O professor Carvalho Calero impulsionado à universidade desde o mundo “Galaxia”, como primeiro catedrático do português da Galiza, sob o nome da cátedra de galego-português, começa trabalhando aceitando essas coordenadas espanholas, mas dentro da tradição galeguista que vimos antes, à que ele pertencia. A sua honradez e coerência científica levou-no a formular a língua da Galiza como o que é, parte do diassistema galego-português-brasileiro. Os processos que se vão dar e viver na Galiza para banir a sua doutrina e ciência vão ser de antologia no âmbito dos ideologemas linguísticos, começando pola eliminação do nome galego-português da matéria, para deixá-la só em galego.

A morte do ditador e o começo da transição democrática14 vai supor a incorporação parcial do português da Galiza ao sistema educativo sob uma perspectiva “isolacionista15. e pronto e de jeito radical, o poder político na Galiza espanhola (franquismo reconvertido) vai fazer um esforço para que o “galego” (continua esforçando-se) se afirme radicalmente diferente e separado do português.

É algo tão óbvio o serem a mesma língua o português de aquém e além-Minho, que o esforço para fazer das falas galegas língua distinta do português se converte no elemento fulcral da política regional16.

No ano 1982, o governo autonómico publica um muito polémico Decreto de Normalização e Normativização, D-173/82 que vai ser a peça chave para a incorporação do galego ao ensino e a administração, e para a exclusão do sistema educativo da linha lingüística que estava incluída dentro da tradição galeguista, e da que existiam crescentes contributos impulsionados desde a cátedra do primeiro catedrático de galego-português D. Ricardo Carvalho Calero e dos seus discípulos.

Para vermos a filosofia desse Decreto, e que é, no chamado processo de normalização da língua da Galiza, nada melhor que repararmos na entrevista que o Conselheiro de Cultura (ministro do governo autónomo galego), com motivo de vir a luz esse Decreto declarava no jornal La Voz de Galicia (17-12-1982) “En opinión del profesor Filgueira Valverde, el sistema adoptado por la Xunta, es el que incorporó ya en los años 30 el Seminario de Estudos Galegos, mejorado con las normas de la Academia Galega. Es un sistema que tiene la ventaja de ser lo más parecido al que se enseña en la escuela (castelhano) y no obliga al niño “por un prurito diferencialista” a usar un sistema para el gallego y otro para el castellano.

Es un sistema que hay que adoptar para que la enseñanza y la lectura sea más sencilla. Esto es perfectamente lógico, cuando en la escuela se tienen que enseñar dos idiomas. No es un caso de castellanismo, es una cuestión pragmática.

Nosotros hemos defendido la lengua del pueblo, yo cuando escribo me dirijo a todos y no a una minoria filológica. ……… y duarnte muchos años é sido el único doctor en filologia gallega que hubo en Galicia. Pero a mi no se me ocurriria escribir “paxariño” con doble s. ¿Que significado tendria escribir hoy como escribia Alfonso X? Muchas de esas grafias se han perdido y el gallego no las tiene hoy.

En cuanto a la posible castellanización del gallego que denunciam los reintegracionistas, el profesor señaló, que eso puede ocurrir por convivencia fónica, independientemente de que las normas que tratan de imponer y que no son gallegas “…17

3- Os resultados do modelo “normalizador”

No ano de 1980 o 84 per cento dos galegos vivia no português da Galiza, 29 anos depois, o galego é a língua habitual do 54 por cento;  porém há que ter em conta a pirâmide de população da Galiza com forte envelhecimento, o que nos da os seguintes dados: só é a língua habitual do 34 per cento dos menores de 30 anos; só é a língua habitual do 20 per cento dos menores de 20 anos; só é a língua habitual do 5 per cento dos menores de 10 anos. O processo de substituição linguística na Galiza acelerou-se nos últimos anos

Trás 27 anos de isolacionismo governante, com o esforço da escola e da “normalização”, a língua da Galiza espanhola é uma língua paralela do castelhano, com a ortografia do castelhano, com a convergência fónica com o castelhano.

Sob a palavra de ordem de normalização foi feito na Galiza muito castelhano trajado de galego. O resultado nos utentes deste esforço de aprendizagem, é  uma fala de pobre qualidade que é percebida por um número crescente dos galegos e galegas como uma espécie degredada e adaptada do castelhano, o que, em palavras do sociolinguista catalão Lluis Aracil, significa que qualquer cousa que for castelhano passa perfeitamente como galego, chega para isso só uma cousa, que essa cousa for castelhano18.

4 – Desconstruindo o modelo da Galiza (dominada)

Paralelamente a este processo, existe na Galiza um movimento da sociedade civil de grande importância conhecido por reintegracionismo, – reintegrarmo-nos no português-

A entidade mais importante nesta linha de trabalho reintegracionista, é a Associaçom Galega da Língua (AGAL) quem ao longo dos seus 27 anos de existência elaborou materiais que serviram de cimento para a construção dum modelo alternativo à normalização isolacionista, e para ganhar a batalha da ciência lingüística desde formulações científicas, as únicas possíveis e de sucesso, com obras como Estudo Crítico das Normas 1983, 1987, Guia Prático dos Verbos conjugados 1988, Prontuário Ortográfico Galego 1985, Manual de galego Científico 2000, Manual galego de Língua e Estilo 2007…. e cinco grandes congressos internacionais sobre o Galego-Português na Galiza etc..

O resultado de todo esse trabalho, foi um período muito duro de vinte anos de perseguições desde o poder, a todo o movimento reintegracionista tentando a exclusão social de estes posicionamentos, (professores e empregados públicos perderam empregos por defenderem esta linha de pensamento, assim como trabalhadores das televisões e jornalistas de diversos meios) mentres tentavam impor um consenso sobre as políticas lingüísticas que se seguiam (impostas), como as únicas possíveis e aceitáveis.

Durante esses anos a tensão lingüística adquiria muitas vezes um alto grado de agressividade nas formulações, basicamente pola falta de base científica, pola sua parte, e a dificuldade de achar espaços onde fosse possível a troca de posições de jeito sã.

O modelo normalizador impulsionado desde o poder funcionou perfeitamente como um processo estupefaciente19 de substituição lingüística, onde o modelo de língua é a contracapa do modelo de substituição, tal como foi definido pelo professor Lluis Aracil.

No modelo galego estupefaciente de substituição, aparentemente dedicam-se muitos recursos nisso tão difuso da proteção20 do galego.

Os sectores acadêmicos isolacionistas, sem serem pessoas ligadas aos partidos governantes, funcionavam na medida em que estavam de jeito radical opostos ao reintegracionismo, como garantes ideológicos do modelo de substituição lingüística, cujos dados de perda de falantes, venho de expor.

O modelo isolacionsita tem não pequenas vantagens para uns quantos milhares de pessoas, todas as que comem e vivem de existir esse modelo; a Espanha é generosa… mentres o português da Galiza não esteja totalmente eliminado.

Durante estes anos de dura luita, o nacionalismo político de mais grande peso na Galiza, Bloco (BNG), manteve-se na defesa das normas de 1980, dos mínimos de reintegração, e ainda que tinha uma prática muito fossilizada neste campo, sim que era um defensor da opção reintegracionista que via sempre como o ponto final dum futuro um pouco hipotético. Foi defendendo esses posicionamentos que o nacionalismo galego BLOCO chegou aos máximos de apoio social, a ser a segunda força política na Galiza, estar arredor do 25 per cento de apoio social e 400.000 votos.  O século XXI para o BLOCO é a aceitação e rendição ante as conceições isolacionistas (2002), sob o chapéu da concórdia e do consenso. Curiosamente desde essa não deixou de descer no apoio social ainda que chegasse a estar no governo, ficando cada vez mais longe do lugar que ocupou como segunda força política.

O duro combate de ideias que librou o reintegracionismo, foi ganho socialmente a pesar da ingente quantidade de recursos dedicado a fomentar práticas lingüísticas afins à política oficial e da exclusão e ocultação do reintegracionismo. Ajudou muito nisso o termos o amparo da ciência linguística como não podia ser de outro modo, e termos ganho internacionalmente a batalha científica da língua galega como português da Galiza.

Esse duro período gerou poderosos anti-corpos, e uma crescente aceitação social cada dia com mais peso, profundamente transversal e desvinculada duma posição política determinada21, que se viu compensada com o nascimento de múltiplas associações de diverso tipo mas na quase totalidade inseridas no modelo reintegracionista, assim como também a permeabilização das teses reintegracionistas numa medida significativa, entre os elementos más formados e conscientes da nossa sociedade.

O modelo reintegracionista, na sua prática de intervenção social lingüística, tem que desconstruir o modelo social em vigor, como único jeito da sua superação e de colocarmos raízes sólidas para um projeto de futuro da Galiza na sua língua nacional, o português da Galiza.

5 – Os problemas a enfrentar:

1- A passividade e permeabilidade ante o modelo castelhanofilo de normalização do português de Galiza.

2- O desconhecimento da língua nacional da Galiza como língua plena para estarmos no mundo22, e a utilização dela mui hibridizada polo castelhano, verdadeira norma de correção do galego secundarizado e dependente, impulsionado pola política autonômica. Ainda que a secundarização não é afirmada conscientemente polos seus ideólogos, na prática funciona assim no seus utentes, inclusos os seus elementos mais cultos.

3- A não separação do modelo galego do modelo castelhano

4-  A interiorização constante do castelhano na Galiza como língua normal dos galegos

5- O problema de se estar fazendo castelhano em galego, com essa língua extremamente paralela e dependente do castelhano.

6- A ruptura na transmissão inter-geracional. Já não é simples questão de que os pais optem pola língua que estava ligada a um modo de vida não tradicional com presunção de assim encaminhar os filhos para o progresso e a melhora no estatus, senão que os pais transmitem a língua na que a cada passo se sentem mais seguros a todos os efeitos, facto no que influem muitos fatores incluída a sensação de insegurança e pobreza lingüística que gerou o processo23.

7- O sutil racismo anti-português que geram as instituições espanholas e a pertença simbólica ao imaginário coletivo espanhol da imensa maioria dos galegos e galegas, incluídos muitos ferrenhos nacionalistas galegos, elites nacionalistas e falantes do português da Galiza plenos.

8- O papel de centralidade cultural e ideológico que ocupa o castelhano. De aí  a dificuldade nos elementos inseguros a respeito de sua centralidade social, para viverem na sua língua em contextos que não se correspondem com a Galiza tradicional, as suas gentes, e o seu viver a cotio, no que o português da Galiza ocupa o role central.

6- O Português da Galiza

A língua da Galiza, o português, é uma língua perfeitamente normalizada no mundo24,  que tem a pluralidade diatópica própria das línguas estendidas por todos os continentes, é dizer própria por tanto das  línguas internacionais, que ainda que não seja oficial no estado espanhol sim que o é na União Europeia.

Mas no estado espanhol dá-se uma situação de reconhecimento lingüístico assimétrico no que uma das línguas tem carácter oficial pleno e a outra(s) co-oficial, e essa co-oficialidade é regulada mentres não existe nenhuma regulação dos usos do castelhano nos territórios de língua própria e originária. Aliás, esse seria o primeiro plano de qualquer política de sucesso normalizador dos usos das línguas.

As políticas lingüísticas em todo momento estão intervindo nessa realidade e regulando a minorização lingüística da língua não oficial do estado, com o peculiar exercício que fazem os tribunais e o próprio constitucional dessa regulação.

Como diz o profesor Sánchez Carrion25 “La distorsión asimétrica consiste en el modo en que tiene una comunidad lingüística de percibir la misma situación como si fuera distinta”.

Como dizíamos, o modelo espanhol é o do castelhano pleno e a outra(s) é uma língua co-oficial com uma regulação em constantemente modificação, e se juntamos que ambas línguas tem distintas velocidades de circulação e penetram em âmbitos comuns mas com uma muito distinta intensidade, veremos que, como conseqüência de isso assiste-se a constante descompactação e fracionamento dos falantes, e esse fracionamento é o mecanismo mais poderoso de minorização, ou melhor dito de que  –os falantes da “língua nacional”, o castelhano ou espanhol – se percebam como tais.

No caso do português de Galiza, que dispõe de instrumentos enormemente válidos e mui produtivos para poder estar no mundo sendo ele próprio, com todas as variações diatópicas que se quiserem ressaltar, mas que não fazem mudar o discurso unitário da língua; essa ruptura do cordão umbilical com a língua galega internacional (o português) é um elemento chave do fracionamento, da minorização lingüística. De aí que as alternativas de mais êxito (as únicas que podem ter sucesso na Galiza) procurem restaurar essa comunicação como elemento de viabilidade social lingüística26.

O século XXI é o do trunfo na rua de forma bastante massiva do reintegracionismo. Em grande medida isso é pola sensação de derrota e de batalha perdida pola língua, que transparecem e expõem já com toda naturalidade os defensores do modelo filocastelhanista (isolacionismo); a batalha, além da escusa ideológica do modelo de substituição da língua nacional, que se agachava sob o discurso do presumido modelo normalizador, percebe-se como um beco sem saída. Mas hoje na rua é difícil vermos um só cartaz ou uma faixa do movimento cívico que não siga as pautas da escrita reintegradora que nos junta ao “galego internacional”, o português.

A Galiza por fortuna todavia, tem capacidade de captar para o seu projeto coletivo como povo, a juventude que em não poucos casos, são quem de serem (reconhecerem-se) como pessoas neo-falantes do português da Galiza (conscientemente do português da Galiza); é dizer pessoas educadas em castelhano pero que conscientemente decidem voltar para as suas raízes das que, polo processo vivido foram arrancados, já que a existência da língua (deturpada) no ensino infelizmente não serve para garantir o seu domínio, ademais de estar reforçando a imagem minorizada e paralela do castelhano; e para esses educados nesses padrões, o castelhano ocupa sempre a condição de língua per se. (Segundo venhem comprovando vários estudos desde distintas perspectivas. mas com idênticos resultados)

Estamos ante o nascimento de múltiplos espaços sociais de compactação e de naturalização do português da Galiza como língua internacional, que por outro lado exige uma aprendizagem constante por parte dos falantes ao deixar o castelhano de representar um papel que agora usufrui, e passar a fazê-lo a tua  própria língua, o português da Galiza. Nascem espaços que são plurais politicamente e socialmente ademais de integradores, que tem rico convívio com a contorna… esta criação de redes sociais é o grande trunfo socializador do reintegracionismo27