Author Archives: novaaguia

Fotos da sessão de lançamento do livro de António de Abreu Freire, “Ensaios sobre Identidade e Cidadania” (Ed. MIL)

 Com Renato Epifânio, José Pacheco Pereira e António de Abreu Freire.
Paços do Concelho do Município da Murtosa (12.09.2018)
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Também no Jornal Público: Carta Aberta à CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

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Em sintonia com todos os cidadãos lusófonos, manifestamos a nossa profunda tristeza com o incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro neste início de Setembro, instituição fundada há 200 anos, por D. João VI, e que se tornou no maior museu de História Natural da América Latina.

Cientes de que o valiosíssimo espólio, com cerca de 20 milhões de peças, será em grande medida irrecuperável, exortamos os diversos países de língua portuguesa para oferecerem ao Museu Nacional do Rio de Janeiro, que deverá ser reconstruído tão cedo quanto possível, algumas peças dos seus Museus nacionais.

Obviamente, Portugal deverá ter, nesta questão, um papel indeclinável. O Museu Nacional do Rio de Janeiro preservava, como nenhum outro Museu, a memória viva da relação umbilical entre o Brasil e Portugal. Mais do que a qualquer outro país de língua portuguesa, cabe pois a Portugal empenhar-se por inteiro na reconstrução desse Museu, oferecendo-lhe peças que simbolizem essa relação inquebrantável entre Portugal e o Brasil. Felizmente, temos muitas peças para oferecer, na nossa extensa rede museológica.

Tal como Portugal não é compreensível fora da relação com os demais países de língua portuguesa, o Brasil também não se compreende fora da relação com os demais países lusófonos, desde logo com Portugal. Como lapidarmente escreveu o insigne cidadão luso-brasileiro Agostinho da Silva, num texto publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, a 14 de Julho de 1957, “o Brasil será o Portugal que não se realizou”.

Sabemos que o Brasil vive uma situação particularmente problemática. Não tomando partido sobre as Eleições Presidenciais que se realizarão a 7 de Outubro – é aos brasileiros, e só aos brasileiros, que cabe decidir o futuro do Brasil –, de algo não temos a menor dúvida: o Brasil terá tanto mais futuro quanto mais apostar na relação estratégica com os demais países lusófonos. Pela nossa parte, esperamos apenas que todos os candidatos presidenciais tenham isso presente e que o candidato vencedor, quem quer que venha a ser, reafirme a importância dessa relação estratégica, que tão desprezada tem sido.

A própria CPLP precisa desse renovado empenho do Brasil. Ao empenhar-se na reconstrução do Museu Nacional do Rio de Janeiro, a CPLP estará pois a empenhar-se no seu próprio reforço. Este Museu era um grande repositório dessa memória viva da fraternidade lusófona. Por tudo isso, exortamos pois os diversos países de língua portuguesa para oferecerem ao Museu Nacional do Rio de Janeiro algumas peças dos seus Museus nacionais, de modo a promover uma maior consciência histórico-cultural, que, quer em Portugal quer no Brasil, muito tem sido posta em causa. Pela nossa parte, temos orgulho na nossa história comum.

MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org

Mais duas Obras promovidas pelo MIL, de Marcus Mota (Brasil)…

Outras obras promovidas pelo MIL:
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Também no Jornal Público: Carta Aberta à Administração da RTP: Rádio Televisão Portuguesa…

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Declaração MIL sobre a XII Cimeira da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Saudamos a realização da XII Cimeira da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que decorreu em Cabo Verde, neste mês de Julho de 2018. Numa altura em que algumas vozes punham já em causa o compromisso de Cabo Verde com a Lusofonia, a realização desta Cimeira da CPLP é, por si só, uma reafirmação desse compromisso. Para mais, Cabo Verde anunciou ainda que vai acolher, já em 2019, na cidade da Praia, uma conferência sobre “o futuro da língua portuguesa no sistema mundial”.

De igual modo, saudamos o reiterado compromisso de Angola com a Lusofonia, ao ter-se disponibilizado a assumir a próxima presidência rotativa da CPLP, a partir de 2020, sucedendo a Cabo Verde. Numa altura em que tantas vozes puseram em causa o compromisso de Angola com a Lusofonia, esta manifestação de vontade por parte de Angola é também, por si só, uma resposta cabal a todas essas vozes, que por vezes parecem desejar, ainda que não de forma expressa, o fim da própria CPLP.

Saudamos ainda o embaixador Francisco Ribeiro Telles, candidato português ao cargo de Secretário Executivo da CPLP, eleito para um mandato de dois anos, com início em 2019, esperando que possa ter condições para cumprir um mandato com mais resultados do que a Secretária Executiva da CPLP ainda em funções, Dra. Maria do Carmo Silveira, de São Tomé e Príncipe, cujo mandato termina no final deste ano. O Secretariado Executivo da CPLP, como decorre da sua própria designação, não tem qualquer autonomia orgânica ou estratégica – depende essencialmente do empenhamento dos diversos Governos dos Países de Língua Portuguesa (e é sobretudo isso o que explica a letargia de mais de duas décadas da CPLP).

Finalmente, saudamos a aprovação da concessão da categoria de Observador Associado da CPLP ao Grão-Ducado de Luxemburgo, ao Principado de Andorra, ao Reino Unido, à República da Argentina, à República da Sérvia, à República do Chile, à República Francesa, à República Italiana e à Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Se, internamente, há quem continue a ter dúvidas existenciais sobre o potencial da CPLP, externamente, parece não haver qualquer dúvida a este respeito. A CPLP pode constituir-se como uma plataforma de cooperação com enorme impacto a nível global.

No nosso espaço lusófono, temos uma (muito) má tradição: só reconhecermos o potencial de algo quando esse reconhecimento vem de fora. No caso da CPLP, que essas novas entradas para Observadores Associados da CPLP sirvam, pelo menos, para que os países da CPLP se empenhem (muito) mais nesta nossa causa comum. Em quase todas as áreas, houve poucos resultados concretos, nomeadamente na área de liberdade de circulação, causa que tem sido reiteradamente assumida pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono (e que foi tema do nosso mais recente Congresso da Cidadania Lusófona, realizado em Novembro de 2017). Esperemos que na XIII Cimeira, essa causa, como outras igualmente importantes, tenha melhor sorte, em prol de uma real cooperação lusófona, em todas as áreas.

MIL: Movimento Internacional Lusófono

http://www.movimentolusofono.org

Mais duas Obras promovidas pelo MIL, de Marcus Mota (Brasil)…

Outras obras promovidas pelo MIL:

Também no jornal Público: Da “razão atlântica” à “razão lusófona”

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Infelizmente, é algo que acontece cada vez mais. Na maior parte dos casos, os Colóquios Universitários – falamos, sobretudo, na área da Filosofia, que conhecemos melhor – pouco acrescentam ao “estado da arte”. Os oradores vão apenas ouvir-se e reiterar as suas ideias feitas. O debate, quando existe, serve apenas para cristalizar ainda mais essas ideias feitas, tudo isto perante um público que, Colóquio após Colóquio, é cada vez menor (e nós ainda nos lembramos de Colóquios que encheram o “velho” Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa…).

O Colóquio que se realizou em Janeiro deste ano, no Porto, sobre “A Obra e o Pensamento de António Braz Teixeira”, e que entretanto se estendeu à cidade de Mariana, no Brasil, foi, a esse respeito, bem diferente, sobretudo porque contou com a presença do próprio homenageado. Sendo que, apesar de ter sido um Colóquio de Homenagem – inclusivamente, com testemunhos (e lembramo-nos bem da memorável intervenção do cineasta António-Pedro Vasconcelos) –, este foi um Colóquio em que se debateu verdadeiramente – e em que, por isso, se progrediu realmente no “estado da arte”.

O exemplo máximo disso foi o debate em torno do conceito de “razão atlântica”, um dos conceitos mais emblemáticos da obra de António Braz Teixeira e que, naturalmente, foi tema de diversas comunicações no Colóquio. Pois bem: logo no primeiro dia, o próprio António Braz Teixeira teve a oportunidade de esclarecer que esse era um conceito, em grande medida, “ultrapassado”; e que, hoje, mais do que de uma “razão atlântica” (circunscrita ao espaço luso-brasileiro ou, quanto muito, luso-galaico-brasileiro), se deve falar, cada vez mais, de uma “razão lusófona”, senão mesmo de uma “filosofia lusófona”, porque aberta a todo o pensamento expresso em língua portuguesa, por muito que esse pensamento mais filosófico ainda não tenha realmente desabrochado em todo o espaço lusófono.

No final do primeiro dia de trabalhos, cruzando-me com um participante do Colóquio que, no dia seguinte, iria igualmente falar da “razão atlântica”, lancei-lhe a provocação: “Estás com azar. Vais ter que reescrever a tua comunicação esta noite…”. Não a reescreveu. Mas sugeriu, em nota, que «para além da existência de uma “filosofia atlântica”, se equacione mesmo a possibilidade de [se] afirmar a existência de uma “filosofia lusófona”, implantada em determinados espaços geoculturais do Atlântico e do Índico». Não são de facto muitos os Colóquios em que algo de similar aconteça. Neste aconteceu. Foi por isso um Colóquio realmente progressivo.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

Uma versão mais longa deste artigo foi entretanto igualmente publicada:

As Artes entre as Letras_11 Julho 2018