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4 de Fevereiro: Colóquio do Centenário do Nascimento de Afonso Botelho

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Colóquio do Centenário do Nascimento de Afonso Botelho

4 de Fevereiro de 2019 | Palácio da Independência (Salão Nobre)

Programa

09h30 | SESSÃO DE ABERTURA

09h40 | CONFERÊNCIA I

António Braz Teixeira | APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO

10h10 | PAINEL I

Manuel Cândido Pimentel | O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA‎ DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO

Maria de Lourdes Sirgado Ganho | DO CORAÇÃO E DA RAZÃO EM AFONSO BOTELHO

Miguel Real | A FICÇÃO EM AFONSO BOTELHO

Teresa Dugos Pimentel | SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO

11h30 | INTERVALO

11h40 | PAINEL II

Emanuel Oliveira Medeiros | EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO: CONHECIMENTO, CULTURA DOS MESTRES E CIVILIDADE

Jorge Rivera | O LIMIAR DA VISÃO E A MODERNIDADE DO OLHAR: ESTÉTICA E ENIGMÁTICA NA PINTURA DOS “PRIMITIVOS PORTUGUESES”

José Almeida | AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE

Mendo Castro Henriques | AFONSO BOTELHO E A UTOPIA POLÍTICA

13h00 | ALMOÇO

14h30 | TESTEMUNHOS

José Esteves Pereira, Joaquim Domingues, Pinharanda Gomes e Rodrigo Sobral Cunha

15h10 | CONFERÊNCIA II

Guilherme d’Oliveira Martins | AFONSO BOTELHO E O CENTRO NACIONAL DE CULTURA

15h40 | PAINEL III

António Cândido Franco | AFONSO BOTELHO DESCONHECIDO

Elísio Gala | O ABC DA LEALDADE

Paulo Borges | RELIGIÃO DO AMOR E SAUDADE A PARTIR DE AFONSO BOTELHO

16h40 | INTERVALO

16h50 | PAINEL IV

Luís Lóia | MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE

Renato Epifânio | DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”

Samuel Dimas | A REFLEXÃO DE AFONSO BOTELHO SOBRE “A RENÚNCIA CRISTÔ

17h50 | INTERVALO

18h00 | LEITURA INTERPRETADA E COMENTADA DA PEÇA O HÁBITO DE MORRER, DE AFONSO BOTELHO (direcção de Jorge Castro Guedes; com Adérito Lopes, Ângela Pinto, Guilherme Filipe, Lúcia Maria e Paulo Lages)

19h30 | ENCERRAMENTO

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Também no jornal Público: “2019: um ano em aberto para a Lusofonia”

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Este ano começou com a tomada de posse do novo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Para além de todas as polémicas que decorrem do seu perfil político, continuamos a notar uma omissão maior no seu discurso – mesmo na sua tomada de posse, Jair Bolsonaro nada disse sobre a ligação do Brasil com Portugal e os restantes países de língua portuguesa.

Ao contrário, Jair Bolsonaro parece insistir numa visão completamente auto-centrada, “nacionalista”, como se o Brasil, pelo seu gigantismo, pudesse ser de facto auto-suficiente. Essa é de resto uma tentação recorrente e que decorre desse gigantismo. Por razões óbvias, são os países mais pequenos da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa que mais têm valorizado a nossa Comunidade Lusófona. O Brasil, volta e meia, parece dar a entender que a dispensa.

Esperemos porém que esse auto-centramento decorra sobretudo da magnitude da crise interna em que o Brasil tem vivido e que, em breve, o Brasil reafirme a sua aposta na sua ligação com Portugal e os restantes países de língua portuguesa. Temos fundada esperança nisso, até porque sabemos que algumas pessoas da sua equipa governativa têm igualmente esta nossa visão.

A esse respeito, não podemos deixar de saudar o comportamento exemplar do Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Contra algumas vozes que propunham que Portugal não se fizesse representar na tomada de posse, como se Portugal tivesse que ficar agora refém de algumas agendas partidárias, Marcelo Rebelo de Sousa representou condignamente Portugal e teve o discurso que se impunha: não falando apenas da ligação entre Portugal e o Brasil, como da importância particular do Brasil para a CPLP. Daí também o significado da presença do Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, Presidente da CPLP em exercício.

Escusado seria dizê-lo, por ser (ou dever ser) por demais óbvio, mas como vivemos tempos em que cada vez mais se põe em causa o óbvio, afirmamo-lo com toda a convicção: a ligação entre Portugal e o Brasil é uma ligação estrutural entre países, mais do que isso, entre povos, unidos por profundos laços de língua, de história e de cultura; não é uma ligação que deva depender de figuras, por mais polémicas e/ou carismáticas que sejam, nem, muito menos, de afinidades ideológicas, sempre circunstanciais. Que o ano de 2019 comprove tudo isso, eis o nosso voto, saudando todos os cidadãos lusófonos.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org

Próximas sessões de apresentação da NOVA ÁGUIA…

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16.01.19 – 18h30: Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (Braga)

18.01.19 – 18h30: Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa (Lisboa)

25.01.19 – 18h30: Casa de Angola (Lisboa)

08.02.19 – 18h30: Associação Caboverdeana de Lisboa

Também no Jornal Público: “Uma amálgama absurda…”

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Provavelmente por (de)formação filosófica, tendemos sempre a avaliar toda e qualquer posição pela sua coerência lógica. Ainda que, obviamente, a coerência lógica não seja um valor absoluto – apenas um “exemplo-choque”: Hitler e Estaline foram decerto pessoas muito coerentes (a ponto de terem sacrificado milhões de vidas humanas em nome da sua coerência) e não será por isso que as suas posições se tornam aceitáveis.

Muitas das nossas polémicas no espaço público não resistem, porém, a esse crivo da avaliação lógica. Paradigmático exemplo recente disso tem sido a polémica de início de ano em torno da entrevista de Mário Machado à TVI. É mesmo um exemplo do absurdo lógico em todo o seu esplendor.

Vamos então por partes: em primeiro lugar, tem-se questionado a legitimidade da entrevista por causa das ideias antidemocráticas da pessoa em questão. O argumento é decerto atendível. Mas, a ser assim, em nome da coerência, também se deverá defender que, por exemplo, pessoas e/ou instituições que defendam a “ditadura do proletariado” devem igualmente ser banidas do espaço público. Alguém defende realmente isso? Não estamos a ver ninguém.

Em segundo lugar, tem-se questionado a legitimidade da entrevista porque a pessoa em questão cometeu crimes e foi condenada por isso. O argumento é decerto igualmente atendível (um conhecido comentador, Daniel Oliveira, usou até o argumento-extra de que a entrevista teria chocado as famílias das vítimas). Mas, a ser assim, em nome da coerência, ninguém, por exemplo, das “FP-25 de Abril” pode ser entrevistado. Decerto, também aqui o argumento-extra das famílias das vítimas pode ser aduzido.

Sendo que, neste caso em particular, há um absurdo lógico ainda maior, que não vimos ser devidamente denunciado: a escolha de Mário Machado para defender o “regresso de Salazar”. Passando por cima desse absurdo não menor que é pôr a hipótese desse regresso em pleno século XXI, é de facto absolutamente absurda essa escolha. Independentemente da opinião que cada um possa ter sobre Salazar, é factual que ele defendia um Portugal multirracial e transcontinental, em particular em África. Poderemos decerto depois defender que Salazar estava errado ou que a sua visão de Portugal tinha passado todos os prazos de validade. Mas, em nome da verdade histórica, não podemos negar que essa era a sua visão de Portugal.

Mário Machado, assumidamente, defende o oposto: um Portugal “branco” (no seu caso, literalmente), apenas europeu, nada africanista. Independentemente da opinião que cada um possa ter sobre Mário Machado, é evidente que a sua visão de Portugal nada tem a ver com a de Salazar. Sendo que não estamos aqui a defender nenhuma delas: quanto a Mário Machado, consideramos que a sua visão de Portugal é errada, porque anti-lusófona; quanto a Salazar, consideramos que a sua visão de Portugal já no seu tempo era anacrónica. Mas nem por isso podemos não denunciar esta amálgama absurda, só justificável por ignorância ou má-fé.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org

De Elter Manuel Carlos (Cabo Verde), “Filosofia da Educação em Paulo Freire”: mais um Livro MIL, a ser lançado no início de 2019…

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– “Filosofia da Educação em Paulo Freire”, Lisboa, MIL/ DG Edições, 2018, 84 pp.

ISBN: 978-989-54080-8-5

Este livro que ora se dá a conhecer ao leitor procura estabelecer uma reflexãosobre a problemática da Filosofia da Educação em Paulo Freire, tendo como referência primordial as categorias antropológicas da alteridade, dialogicidade, utopia e crítica profundamente evidenciadas na arquitetónica do seu pensamento. De facto, o pensamento educacional de Paulo Freire consubstancia um olhar crítico e transformador que, ao não se reduzir a mera perspetiva metodológica (a um método de alfabetização), abre-se às dimensões antropológica, epistemológica, filosófica, sociológica, tanto a partir da realidade brasileira, em particular, como, em termos mais amplos, abarcando os próprios desafios da educação à escala planetária” (In “Introdução”).

Outros Livros MIL: https://millivros.webnode.com/

Também no jornal Público: Saudação ao novo Ministro da Educação do Brasil

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Já tem sido mil e uma vezes denunciado (nomeadamente, por José Pacheco Pereira), mas nem por isso é excessivo insistir: os nossos “media”, em geral, tendem a noticiar sobretudo o que parece confirmar as “narrativas” que eles próprios criam. Exemplo paradigmático disso tem sido, na Europa, o fenómeno do “Brexit” – narrativa: os britânicos enganaram-se (ou foram enganados, conforme as versões); logo, noticia-se sobretudo o que pareça confirmar esse “engano”.

Sobre esse e outros fenómenos falámos longamente com o novo Ministro da Educação do Brasil, Ricardo Vélez-Rodriguez, que participou em dois eventos em Lisboa, recentemente promovidos pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, que ambos integramos: XII Colóquio Tobias Barreto, sobre “Historiografia e Hermenêutica da filosofia luso-brasileira”, e um Congresso sobre “O krausismo ibérico e latino-americano”.

Sem ilusões nem lamentações, Ricardo Vélez-Rodriguez constatou igualmente como o mesmo se tem passado com o Brasil. “Vocês não percebem o que se tem passado no Brasil” – reiterou. Chegou até a dar o seu exemplo pessoal, no que respeita ao fenómeno da (in)segurança: ele próprio esteve na iminência de ser raptado, conjuntamente com a sua filha menor, o que o levou a abandonar o Rio de Janeiro. No plano académico, deu também conta de como projectos filosóficos seus eram sistematicamente boicotados por preconceitos ideológicos.

Não admira por isso que os “media” no Brasil estejam a apresentar Ricardo Vélez-Rodriguez como “um desconhecido”. Em Portugal, pelo menos, não o deveria ser. Ricardo Vélez-Rodriguez é um dos maiores estudiosos da filosofia luso-brasileira, com vasta obra publicada. Sendo que, obviamente, por cá também (quase) ninguém o conhece… Não conseguimos antecipar como será o próximo Governo do Brasil chefiado por Jair Bolsonaro. No plano das relações com Portugal e os restantes países lusófonos, Jair Bolsonaro tem sido completamente omisso. De algo, porém, estamos certos, conhecendo, como conhecemos, Ricardo Vélez-Rodriguez: pelo menos na pasta (fundamental) da Educação, teremos alguém que muito preza as relações culturais luso-brasileiras.

Saudamo-lo, pois, fazendo-lhe desde já o seguinte repto: nos programas de História no Brasil, nos vários graus de ensino, Portugal continua a ser, por grosseiro enviesamento ideológico, mais do que diabolizado, a ponto de se sugerir, nalguns casos de forma muito pouco tácita, que tudo o que existe de mau no Brasil decorre ainda da “herança colonial portuguesa”. Fazemos pois votos para que o seu modelo de um ensino não ideologicamente enviesado leve também à desconstrução desse embuste. Como Ricardo Vélez-Rodriguez bem sabe, o Brasil só terá real futuro quando superar por inteiro esse complexo edipiano em relação a Portugal. O próprio futuro da Lusofonia disso depende. Estamos igualmente certos de que, na sua pasta, Ricardo Vélez-Rodriguez tudo fará para a promoção da convergência, a todos os níveis, entre os países de língua portuguesa.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org

Mais um Livro MIL, a ser lançado no IV Colóquio do Atlântico…

Ver Programa: