MIL: Movimento Internacional Lusófono

Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 30 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa) NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

Continuar a ler

Uma polémica no Jornal Público: “Portugal, um país racista?” (I e II)

IMG01178-20170720-1150

Habituados que estamos à intervenção no espaço público, não nos surpreenderam, de todo, algumas reacções ao nosso artigo “Portugal, um país racista?” (PÚBLICO, 18.07.2017). As mais extremadas exploraram o mais do que estafado nexo “lusotropicalismo > salazarismo > nazi-fascismo”.

Ainda que (cada vez mais) cépticos quanto à possibilidade de desconstruir esses lugares-comuns, que em particular pululam, sem qualquer espécie de sentido crítico, nas redes sociais, não podemos deixar de os (tentar) contrariar.

Em benefício desse desiderato, podemos até, à partida, aceitar a crítica de Fernando Henrique Cardoso, reputado sociólogo e ex-Presidente do Brasil, a Gilberto Freyre, que sempre o acusou de “adocicar as relações entre as etnias diferentes, considerando-o mais poeta do que cientista” (cf. Adriano Moreira, “A Lusofonia como Utopia”, in NOVA ÁGUIA, nº 20, 2º semestre de 2017, no prelo).

Uma coisa é, porém, aceitar isso, outra, completamente diferente, é sugerir que o seu paradigma de sociedade multi-racial é, de alguma forma, afim do paradigma social nazi-fascista. O próprio Gilberto Freyre, de resto, assumiu que a sua proposta podia e devia ser lida, no Brasil, como uma resposta aos “nostálgicos da colonização holandesa” e “alemã” (in O Mundo que o Português criou, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1940, p. 52).

Esses, sim, defendiam uma colonização abertamente racista e segregadora. Por isso, ainda hoje espanta ver no Brasil pessoas, algumas até de ascendência africana, que proclamam que o grande azar do Brasil foi ter sido criado por Portugal e não pela Holanda ou pela Alemanha. Decerto, não têm consciência de que o Brasil teria sido um país muito parecido com a África do Sul. Não que isso tenha feito da sociedade brasileira uma sociedade imune ao racismo. Mas, uma vez mais, importa não confundir os paradigmas – que, neste caso, são particularmente contrastantes.

E, quanto ao nexo salazarista, também é mais do que tempo de relermos a obra de Gilberto Freyre libertos desses preconceitos e sectarismo ideológicos – porta, de resto, já aberta pelo insuspeito Mário Soares: “Agora, passados os anos e lendo novamente Gilberto Freyre, abstraindo Salazar e as guerras coloniais, aquilo que ele disse é verdadeiro. Aquilo que ele disse sobre luso-tropicalismo é verdadeiro, é uma cultura própria e temos que desenvolvê-la no futuro.” (cf. Vamireh Chacon, “O Futuro Político da Lusofonia”, Lisboa, Verbo, 2002, p. 49).

IMG01177-20170718-1000

Há uma nova moda politicamente correta a emergir, de forma cada vez mais ruidosa, no nosso discurso político-mediático: a de considerar Portugal um país racista. Há mesmo políticos de alguns partidos que parecem ter particular gáudio em ecoar tal consideração. Nas suas mentes, Portugal continua a ser um país atrasado, ainda longe do cume civilizacional da Europa, sendo esse alegado “racismo” um dos supostos sintomas do nosso atraso.

Esse (cada vez menos) tácito discurso, de tal modo provinciano, não resiste, porém, à crítica. Decerto, Portugal terá alguns atrasos nas mais diversas áreas em relação a outros países europeus. Mas não, de todo, nesta área. Quem conhece minimamente a Europa não poderá senão concordar connosco: Portugal é, provavelmente, para não dizer decerto, o país menos racista da Europa. Defender esta evidência não significa, obviamente, dizer que não há racismo em Portugal. Significa apenas afirmar que, comparando com o que acontece na restante Europa, o racismo em Portugal é bem menor.

Decerto, isso não acontece por razões genéticas. Não há nenhum “gene lusitano” menos propenso ao racismo. O que acontece, muito naturalmente, é que a nossa cultura, tal como se foi sedimentando ao longo dos séculos, desenvolveu essa marca axial: tal como acontece com qualquer outro povo que, não se tendo cingido às suas fronteiras e cristalizado uma qualquer homogeneidade étnico-identitária, se foi habituando, ainda que nem sempre de forma pacífica, a lidar com a alteridade: étnica, linguística, cultural, religiosa, etc.

Apenas um exemplo: há não muitos anos, ocorreu um aceso debate em França sobre a alegada descaracterização da principal selecção de futebol, com um crescente número de atletas vindos do Ultramar. Pois bem: em Portugal, nunca houve um debate público similar e um dos nossos maiores símbolos futebolísticos continua a ser Eusébio. É a nossa própria identidade histórico-cultural que se tornou mestiça, sendo por isso absurdo um debate como o que ocorreu em França. É igualmente por isso que, em Portugal, ao contrário do que acontece em muitos países europeus (bem sabemos que, nalguns casos, com alguns problemas que nós não temos), não há partidos com uma agenda racista com expressão.

Bem sabemos igualmente que por vezes ocorrem incidentes que parecem pôr em causa o panorama que aqui traçámos: como foi o incidente (grave, a nosso ver) ocorrido com a nossa Polícia na Cova da Moura. Também não ignoramos que, na grande Lisboa e noutras áreas metropolitanas do país, persistem bolsas de pobreza com alguns contornos não apenas económico-sociais, mas também étnicos. Todos esses problemas, porém, que existem e não devem ser escamoteados, não podem pôr em causa todo o restante, que não é pouco, até porque pode e deve constituir-se como um dos nossos maiores motivos de orgulho perante os outros países da Europa. Ao menos nesse plano, somos nós o exemplo.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org

Curso Livre MIL de Verão: 12, 19 e 26 de Julho…

 

“As três vidas de Agostinho da Silva”
I – Até à partida para o Brasil (1944).
II – Visão e Vivência do Brasil (1944-1969).
III – Regresso a Portugal, Morte (1994) e Posteridade.
(por Renato Epifânio)
No Palácio da Independência (Espaço MIL), entre as 17h e as 19h: 12, 19 e 26 de Julho…

8 de Julho: mais uma sessão de apresentação da NOVA ÁGUIA 19…

08.07.17 – 19h: Parque dos Poetas (Oeiras)

Moderação: Delmar Maia Gonçalves (Moçambique) Com: Waldemar Bastos (Angola), Mário Máximo (Portugal), Filipa Vera Jardim (Moçambique-Portugal), Jorge Viegas (Moçambique) Breve Sessão de Apresentação de Livros e Autógrafos dos Autores.

Música de: Fercy Nery (Brasil) Apresentação da Revista | NOVA ÁGUIA por Renato Epifânio (Portugal).
Para mais informações: http://www.cm-oeiras.pt/pt/agenda/Paginas/poeticas_circulo_palavra.aspx#search=po%C3%A9ticas

Imagem

4 de Julho | NOVA ÁGUIA 19 em Braga…

poster

26 de Junho, em Cabo Verde…

26 de Junho de 2017 –  Cidade Velha –  Auditório da CMRGS / MIL (Movimento Internacional Lusófono) / Universidade de Cabo Verde.

Conferência sobre: “Educação Patrimonial no Contexto da Cidade Velha – Património Mundial da Humanidade”, Por Professor Doutor Lourenço Gomes (Historiador de Arte/ Professor da Universidade de Cabo Verde).

NO ÂMBITO DA COMEMORAÇÃO DO DIA DO MUNICÍPIO DA RIBEIRA GRANDE DE SANTIAGO

PROGRAMAÇÃO

14H30 – Transporte para convidados Palmarejo/ Capus da UNICV

15H00 – Recepção dos convidados

16H05 – Alocução do Pelouro da Cultura da CMRGS

16H10 – Professor Lourenço Gomes – Universidade de Cabo Verde: “Educação Patrimonial no Contexto da Cidade Velha – Património Mundial da Humanidade”.

Descrição:

Esta conferência pretende trazer ao debate uma reflexão sobre a educação patrimonial no contexto da Cidade Velha – Património Mundial da Humanidade. Ciente de que a presença activa de uma educação patrimonial é vital na valorização e conservação de monumentos e sítios, bem como na sua contemplação, torna-se urgente a sua valorização e dedicação.

17H00 – Debate.

Moderador: Professor Carlos Bellino Sacadura – Universidade de Cabo Verde.

Mensagem da Liga Africana aos portugueses…

Entretanto, de Cabo Verde, recebemos igualmente esta mensagem:

O MIL_Cabo Verde, através desta via, expressa o sentido de pesar e espírito de solidariedade para com todo o Povo Português, especialmente as vítimas e familiares que perderam vida na catástrofe provocada pelos incêndios.

Nesta hora de tristeza e de dor, em que não pode faltar força motivacional, estamos com o Povo irmão Português. Que juntemos as sinergias e amizade(s) lusófona(s) em prol de melhores dias!

Elter Manuel Carlos, Coordenador do MIL_Cabo Verde.

Segunda quinzena de Junho…

Segunda quinzena de Junho: Ciclo Agostinho da Silva, na Livraria Tigre de Papel…