MIL: Movimento Internacional Lusófono

Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 30 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa) NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

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De 28 de Janeiro a 25 de Novembro, no Porto: 150 anos de Raul Brandão e António Nobre…

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Também no jornal “Público”: Uma memória de Mário Soares

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A ocasião mais significativa em que me cruzei com Mário Soares ocorreu em 2011, na Academia das Ciências de Lisboa. O MIL: Movimento Internacional Lusófono ia entregar o Prémio Personalidade Lusófona a Ximenes Belo e, sem que estivesse à espera disso, Mário Soares apareceu na sessão. Adriano Moreira, então Presidente da Academia das Ciências, convidou-o para a mesa de honra.

Quando chegou a minha vez de intervir na sessão, justificando a entrega do Prémio, olhei para Mário Soares e tive um momento de hesitação. No meu discurso, enaltecia longamente a personalidade de Ximenes Belo e, mais longamente ainda, a personalidade do povo timorense. Como então fiz questão de frisar, aquele prémio era entregue a Ximenes Belo e, na sua pessoa, a todo o povo timorense: no essencial, por ter conseguido resistir à brutal ocupação indonésia e, depois da libertação, por se ter integrado na CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, reafirmando assim a sua condição de país irmão lusófono.

A par disso, tecia também algumas considerações sobre todo o processo de descolonização. E seria hipócrita não o fazer: a ocupação indonésia de Timor-Leste não aconteceu no vazio. Foi, ao contrário, a última etapa de um processo catastrófico que se iniciou com uma descolonização nada exemplar, que propiciou inclusivamente uma guerra civil. E de pouco vale alegar aqui que as guerras civis que ocorreram em Timor-Leste e noutros países então descolonizados foram uma consequência da Guerra Fria (entre os Estados Unidos da América e a União Soviética).

Decerto, isso é verdade. Simplesmente, a Guerra Fria já existia muito antes do processo da descolonização. A sua existência deveria antes ter levado a um cuidado redobrado, não a uma descolonização apressada, para dizer o mínimo. Feita como foi, o resultado foi catastrófico – e não apenas em Timor-Leste. Países como Angola e Moçambique ainda hoje se procuram recompor de uma guerra civil particularmente sangrenta. E nos países em que não houve propriamente uma guerra civil, logo se instauraram ditaduras de partido único, o que não deixa de ser também tragicamente irónico quando se fala de um processo de descolonização que pretendia ser um processo de libertação. Face a tudo isso, insistir na tese da “descolonização exemplar” constitui uma piada de (muito) mau gosto.

Sendo que, no caso de Timor-Leste, há responsabilidades acrescidas. No texto que levava escrito, falava disso, aludindo até a uma tristemente célebre passagem de uma obra de Mário Soares (“Portugal amordaçado”, 1973), em que se caracterizava Timor-Leste como “uma ilha indonésia que não tem grande coisa a ver com Portugal”. No meu discurso, porém, preferi passar por cima dessa passagem. Preferi pensar que a presença de Mário Soares na sessão tinha sido uma forma de o próprio se retractar dessa página mais negra dessa sua obra, senão mesmo de toda a sua vida. Na hora da sua morte, prefiro pensar que foi isso mesmo que aconteceu. É mais do que tempo de virarmos, todos, essa página.

Paradoxos do Acordo Ortográfico

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Se há lugar no espaço lusófono onde o Acordo Ortográfico é defendido sem estados de alma, esse lugar é a Galiza, como mais uma vez pude comprovar. Numa sessão dupla que decorreu, em meados de Dezembro, em Santiago de Compostela, na Faculdade de Filosofia da Universidade de Santiago de Compostela e na Fundação Academia Galega de Língua Portuguesa, verifiquei, com efeito, que isso é cada vez mais assim.

O que não surpreende – se há variante da língua portuguesa que tem sido sobressaltada pelas mais diversas ortografias é a variante galega: este Acordo Ortográfico aparece assim, para muitos galegos, como uma âncora. Sendo que o paradoxo é o seguinte: se há lugar onde um Acordo Ortográfico (que põe, em muitos casos, a origem etimológica das palavras em causa) poderia ser questionado, esse lugar deveria ser a Galiza. Noutros lugares mais longínquos do espaço lusófono, por sua vez, é mais natural que essa raiz latina (e europeia) da nossa língua comum não seja algo de tão relevante.

Em Portugal, como se sabe, a questão continua a ser assaz controversa. Uma das mais recentes manifestações disso é a anunciada proposta da Academia das Ciências de Lisboa, visando “aperfeiçoar o Acordo Ortográfico”, ao diminuir, desde logo, o número de grafias duplas, uma das críticas maiores dos opositores do Acordo Ortográfico. E pertinentes, importa reconhecê-lo – dado que qualquer Acordo Ortográfico (não apenas este, em particular) terá, por definição, esse desiderato.

Pelos exemplos já antecipados, não cremos, contudo, que a proposta convença os opositores do Acordo Ortográfico. Fixemo-nos no seguinte exemplo: pela prevalência da fonética sobre a grafia, no Brasil pronuncia-se e escreve-se “recepção” e em Portugal, segundo o Acordo Ortográfico, “receção”. Segundo a anunciada proposta da Academia das Ciências de Lisboa, neste caso, em nome da grafia única, ficaria, em ambos os países, “recepção”. Sendo que o paradoxo é aqui o seguinte: como os brasileiros pronunciam mais abertamente as nossas palavras, incluindo algumas consoantes ditas “mudas”, a pronúncia brasileira da nossa língua garantirá mais o respeito ortográfico pela origem etimológica das palavras em causa.

A este respeito: há quem defenda, partindo de alguns documentos, que a pronúncia brasileira da nossa língua está mais próxima da pronúncia mais original (em Portugal). A tese é igualmente controversa mas esta proposta da Academia das Ciências de Lisboa parece-lhe dar, ainda que por portas travessas, alguma razão, ao fazer da pronúncia brasileira da nossa língua o padrão, nalguns casos, para a grafia comum. Só não estamos a ver como é que aqueles que acusam o Acordo Ortográfico de “abrasileirar” a nossa língua possam aceitar esta proposta, por muito que ela diminua, como diminui, as grafias duplas. Se a aceitassem, seria um paradoxo maximamente irónico. Veremos o que acontecerá no novo ano.

Prémio de Ensaio Filosófico Manuel Barbosa da Costa Freitas

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O Centro de Estudos de Filosofia (CEFi) e a Área Científica de Filosofia (ACF) da Faculdade de Ciências Humanas da UCP, em parceria com a Província Portuguesa da Ordem dos Frades Menores, instituíram o «Prémio de Ensaio Filosófico Manuel Barbosa da Costa Freitas». Este prémio destina-se a premiar ensaios de Mestrandos e Doutorandos de Universidades do Espaço Lusófono, nas três grandes áreas da Filosofia cultivadas pelo seu patrono: Filosofia Medieval, Filosofia da Religião e Filosofia Portuguesa. O Regulamento do Prémio pode ser consultado pelos interessados em http://cefi.fch.lisboa.ucp.pt/pt/ ou em https://filosofianacatolica.wordpress.com/ Todas as dúvidas e pedidos de informação podem ser dirigidos a cefi@fch.lisboa.ucp.pt

Para o ano de 2017, a data limite para entrega dos trabalhos é o dia 30 de Setembro.

Também no Jornal “Público”: Balanço lusófono de 2016…

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O ano de 2016 foi claramente um ano de aceleração da história. Com a saída da Grã-Bretanha da União Europeia e, sobretudo, a eleição de Donald Trump como o próximo Presidente dos Estados Unidos da América, todas as previsões para 2017 parecem arriscadas, tais os possíveis reajustes geopolíticos que se podem, neste momento, equacionar, sendo que o Médio Oriente continua a ser a zona mais problemática a nível global. E não se antecipa como poderá deixar de sê-lo, a menos que seja a própria comunidade muçulmana moderada a conter as suas franjas mais extremistas, o que não tem, de todo, sucedido. Muito pelo contrário.

Face a toda essa turbulência, o espaço lusófono parece continuar na sua modorra. Ainda assim, adivinham-se algumas mudanças significativas nalguns países, inclusivamente em dois dos mais importantes: Angola e Brasil. No primeiro, José Eduardo dos Santos anunciou finalmente a sua saída da Presidência do país, o que, por si só, ajudará a desanuviar a situação política. No Brasil, é fácil prever que a situação política só se irá clarificar com novas eleições presidenciais. Enquanto a presente situação política se mantiver, o Brasil continuará por inteiro centrado nos seus problemas internos, sem disponibilidade mental para se preocupar grandemente com o futuro da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que bem precisa de um renovado empenho e impulso do Brasil.

Num dos seus muitos textos sobre este assunto, falou, o luso-brasileiro Agostinho da Silva, da “placa linguística de povos de língua portuguesa — semelhante às placas que constituem o pla­neta e que jogam entre si”. Num tempo em que as várias placas geopolíticas estão em clara e audível turbulência, custa reconhecer que a “placa linguística de povos de língua portuguesa” não é ainda sequer uma real placa, apenas o sonho disso. Se fosse já uma real placa, poderia contribuir, de forma significativa, para a rearrumação geopolítica do mundo. Não o sendo ainda, resta-lhe aproveitar o ano de 2017 para cimentar a sua coesão interna. Para que, no final do próximo ano, possamos já dizer, pelo menos, que essa “placa linguística de povos de língua portuguesa” existe. Isso já seria muito, ainda que não o suficiente.

Versão on-line: https://www.publico.pt/2016/12/24/mundo/noticia/balanco-lusofono-de-2016-por-uma-placa-linguistica-de-povos-de-lingua-portuguesa-1755830

 

 

Foi com muito agrado que, ainda em 2015, recebemos a notícia de que o Município de Bragança irá criar um Museu da Língua Portuguesa – e com muita honra que aceitámos o convite, da parte do Professor Adriano Moreira, para integrar o seu Conselho Geral.

Desde a criação do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo que mil e uma vezes se falou de criar um Museu análogo em Portugal. Como quase sempre acontece entre nós, a distância entre o falar e o fazer é infinita. Felizmente, tal não se verificou neste caso, por iniciativa do Município de Bragança, que, por esse passo, merece as maiores congratulações de todos os cidadãos lusófonos – não apenas dos portugueses.

Da nossa parte, esperamos que esse Museu celebre a Lusofonia muito para além do estrito plano linguístico. Sendo para nós, nesse estrito plano, uma realidade ampla e multímoda – em que cabem, por exemplo, os muitos crioulos que integram vocábulos de língua portuguesa –, a Lusofonia está muito para além disso.

Mais do que o uso, mais ou menos reconhecível, da língua portuguesa, um Museu da Lusofonia deverá celebrar uma forma singular de ser e de estar no mundo. Nalguns casos, de comunidades que, não falando de todo a língua portuguesa, denotam essa forma singular de ser e de estar no mundo que historicamente se concretizou nos mais diversos lugares. Em Macau, por exemplo: nunca houve muitos falantes de língua portuguesa, mas há uma forma singular de ser e de estar no mundo que permanece.

Mais do que uma vivência, trata-se aqui de uma convivência, mais precisamente, de uma forma de nos relacionarmos com pessoas de outras línguas, de outras culturas, de outras religiões. A Lusofonia, historicamente, denota essa especial capacidade de nos relacionarmos com pessoas de outras línguas, de outras culturas, de outras religiões, essa especial abertura ao(s) outro(s). Sim, historicamente, essa regra teve mil e uma excepções. Mas, por comparação com outras experiências históricas, não há como não reconhecê-lo e celebrá-lo.

Não que isso seja suficiente. Um Museu da Lusofonia nunca deverá ser apenas um Museu de celebração do nosso passado histórico comum, sem complexos ou recalcamentos. Deverá ser muito mais do que isso. Deverá ser um Museu de antecipação do futuro. E não apenas para o interior da Comunidade Lusófona. Ao celebrar essa especial capacidade de nos relacionarmos com pessoas de outras línguas, de outras culturas, de outras religiões, essa especial abertura ao(s) outro(s), esse Museu deverá dar exemplo do que pode ser um paradigma de convivência pacífica. Num mundo em que a convivência sectária parece ser ainda a regra em tantos lugares, eis um exemplo decerto inspirador para o nosso tempo

 

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20 e 21 Dezembro | NOVA ÁGUIA 18 na Galiza…

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