MIL: Movimento Internacional Lusófono

Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 30 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa) NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

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7 de Outubro: Francisco Manuel de Melo e Luís António Verney

Uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com a Revista NOVA ÁGUIA, o MIL: Movimento Internacional Lusófono e, neste caso, o Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, da Universidade de Coimbra, realizar-se-á no dia 7 de Outubro do corrente ano, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, um Colóquio sobre o pensamento e obra de D. Francisco Manuel de Melo (1608 – 1666), por ocasião dos 350 anos do seu falecimento.
Para dar conta das várias facetas do pensamento deste historiador, pedagogo, moralista, autor teatral, epistológrafo e poeta, considerado como o representante máximo da literatura barroca peninsular, convidámos os maiores especialistas na sua obra. Assim, na parte da manhã, ouviremos António Braz Teixeira, Duarte Ivo Cruz, Manuel Cândido Pimentel, Manuel Ferreira Patrício e Pinharanda Gomes – e, na parte da tarde, Ana Paula Banza, Deana Barroqueiro, José Carlos Seabra Pereira, Manuel Curado e Teresa Amado.
A encerrar o Colóquio, lançaremos o volume (edição MIL: Movimento Internacional Lusófono/ DG Edições, co-organizado por António Braz Teixeira, Octávio dos Santos e Renato Epifânio), com mais de 400 páginas, que recolhe os textos das comunicações apresentadas no Congresso Internacional “Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu tempo”, realizado, em Lisboa, igualmente na Biblioteca Nacional de Portugal, de 16 a 18 de Setembro de 2013, e no Colóquio “No tricentenário de Luís António Verney”, organizado pelo Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência e pelo Centro de Estudos em Letras, da Universidade de Évora, onde decorreu, de 21 a 23 de Março do ano seguinte.
Conforme escreveu António Braz Teixeira, no seu prefácio à obra: “Estamos certos de que o presente volume constitui um relevante e inovador contributo para enriquecer a já abundante bibliografia sobre o pensamento e a obra de Luís António Verney e o contexto cultural, especulativo e pedagógico em que se desenvolveu e veio a influenciar de modo decisivo, se bem que ainda hoje controverso.”. Fica, pois, o convite para, no dia 7 de Outubro, na Biblioteca Nacional de Portugal, a quem agradecemos o acolhimento, revisitarmos estas duas figuras singulares da nossa cultura – a entrada é livre.

Declaração MIL de Pesar pelo Falecimento de José Rodrigues

Manifestamos o maior pesar pelo falecimento do nosso sócio honorário José Rodrigues (10.09.2016), aos 79 anos de idade. Tendo sido um dos artistas plásticos mais marcantes da segunda metade do século XX em Portugal, José Rodrigues esteve ainda ligado à génese da NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, lançada pelo MIL em 2008. Foi ele o autor da primeira capa da revista, no dizer do ensaísta Miguel Real, “a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português”. Foi ainda na sua Fundação, no Porto, a 19 de Maio de 2008, que decorreu o lançamento do primeiro número da NOVA ÁGUIA, perante largas centenas de pessoas.
MIL: Movimento Internacional Lusófono
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Também no jornal Público: “Uma visão curta da nossa história”

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No dia 29 de Junho do corrente ano, realizou-se na SEDES: Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, um debate promovido pela PASC: Plataforma de Associações da Sociedade Civil – Casa da Cidadania, que o MIL integra, sobre as razões da nossa crise, debate presidido pelo General Garcia Leandro e que teve como principal orador Nuno Garoupa, até há pouco tempo Presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos. No debate, tive a oportunidade de expor, ainda que de forma breve, uma convicção que cada vez mais tenho: a razão maior da situação a que Portugal chegou deve-se à crescente quebra do sentido comunitário entre os portugueses, à quebra de ligação com o próprio país, explicável, desde logo, por um enviesado (passe o eufemismo) auto-conhecimento histórico.

Aproveitando a presença de Nuno Garoupa, referi depois o exemplo da série de reportagens publicadas na altura no jornal PÚBLICO, “Racismo em português: o lado esquecido do colonialismo”, da autoria de Joana Gorjão Henriques (JGH), precisamente como um contra-exemplo de como se deve promover o nosso auto-conhecimento histórico, manifestando até a minha perplexidade pela Fundação Francisco Manuel dos Santos ter patrocinado essa série. De forma elegante, Nuno Garoupa deu a entender (essa foi, pelo menos, a forma como entendi as suas palavras) que também não havia apreciado a série, mas que na altura já não havia nada a fazer, dado que havia contratos assinados a respeitar.

Manifestamente, esse não foi o caso de Diogo Ramada Curto (DRC), que no suplemento “Ípsilon” do mesmo jornal (19.08.2016, pp. 27-29), assina um longo panegírico à série de reportagens entretanto reunidas em livro, onde procura defender a visão da autora da acusação, que o próprio DRC verbaliza (o que por si só é sintomático), de esta ser “uma visão parcial – por enfatizar unilateralmente o legado racista dos portugueses”. Acusação que, escusado seria dizê-lo, só peca por defeito. Com efeito, o que se diria, por exemplo, de uma visão da Grécia Antiga que fizesse da questão da escravatura (que também aí existiu) o alfa e o ómega? Decerto, não se diria apenas que era uma “visão parcial”. JGH, porém, pretende reduzir toda a nossa história da expansão marítima à câmara de horrores do tráfico de escravos, o que está muito para além da mera “parcialidade”.

Para ser imparcial, JGH teria desde logo que comparar a nossa colonização com as outras colonizações europeias. Por fim, teria que questionar essa visão, tão ingénua quanto falsa, que apresenta África como um paraíso antes da chegada dos portugueses. É que o racismo e a escravatura não foram um exclusivo europeu, muito menos português – havia racismo e escravatura entre os africanos quando os portugueses lá chegaram. Mas compreende-se que um facto tão banal como este seja escamoteado: ele por si só destrói a visão de JGH. Uma nota final: diz-se que a História serve também para nos fazer compreender o presente. Pois bem: à luz da visão de JGH, não se compreendem de todo as (singulares) relações de afectividade que existem entre os povos lusófonos. Se a visão de JGH fosse verdadeira, os povos colonizados pelos portugueses só poderiam ter por nós o maior ódio. Não é esse o caso – ou é?!

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono
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Saudação MIL ao Brasil pelas Olimpíadas de 2016

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Saudamos todo o povo brasileiro pelos memoráveis Jogos Olímpicos realizados no Rio de Janeiro, em Agosto deste ano. Depois de tantos maus augúrios, que mil e uma vezes anteciparam a catástrofe, não podemos deixar de nos regozijar com a boa organização de um evento que juntou milhares de atletas de todo o mundo, nas mais diversas modalidades.

Como em todos os restantes países lusófonos, também no Brasil há quem prefira pôr a parte (e o partido) acima e à frente do todo – tendo por isso “torcido” para que tudo corresse o pior possível.

Felizmente, salvo um ou outro pequeno incidente – que sempre ocorrem em eventos desta complexidade e magnitude –, o balanço final não pode deixar de se considerar muito positivo, para mais num país que vive – como todos sabemos – uma grave crise social, económica e política. Obviamente, essa crise não se resolveu com as Olimpíadas, mas ter-se-ia agravado ainda mais se estas não tivessem corrido bem.

Durante quase um mês, todos os olhos do mundo estiveram centrados no Brasil. Se os Jogos Olímpicos tivessem sido uma catástrofe, como mil e uma vezes se antecipou, a imagem do Brasil para o resto do mundo teria ficado irreversivelmente manchada. Com o sucesso destas Olimpíadas, o Brasil volta a ser, aos olhos do mundo, um país de futuro, em que vale a pena continuar a confiar.

Salientamos que esta foi a primeira vez que umas Olimpíadas se realizaram no espaço lusófono. Apenas das Olimpíadas já não terem o mesmo simbolismo de outrora, elas continuam a ser um evento mediático sem paralelo. Nunca no passado tantas pessoas por todo o mundo tiveram, ao mesmo tempo, a oportunidade de ouvir a língua portuguesa, falada ou cantada. Isso, por si só, é digno de ser salientado. Por isso, o sucesso destas Olimpíadas não foi apenas algo de benéfico para o Brasil – foi igualmente algo de muito benéfico para toda a Lusofonia.

Uma palavra final relativa à importância do desporto. Apesar das Olimpíadas já não conseguirem suspender guerras e de muitas modalidades se terem, pelo menos em parte, mercantilizado, o desporto continua a ser um dos motivos maiores de celebração do que a humanidade tem de melhor. Por isso, consideramos que uma das vias de aproximação dos diversos povos de língua portuguesa deveria ser essa, através da realização regular de grandes eventos, que juntassem atletas de todos os países e regiões do espaço lusófono.

MIL: Movimento Internacional Lusófono

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De Timor-Leste, uma notícia para encher a alma lusófona

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Nestes últimos tempos, as notícias que nos chegam do espaço lusófono são quase sempre negativas – em particular, dos chamados PALOPs, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa: em Moçambique, há um clima de regresso à guerra civil; em Angola, apesar da recente libertação de Luaty Beirão e seus companheiros, continua-se muito longe de um verdadeiro Estado de Direito; na Guiné-Bissau, a crise política parece tornar-se crónica; em São Tomé e Príncipe, as últimas eleições presidenciais foram boicotadas pelos candidatos perdedores na primeira volta, etc. Como quase sempre, Cabo Verde tem sido a excepção que confirma a regra.

Volta e meia, porém, há notícias que nos enchem a alma – eis um exemplo recente: «O Conselho de Ministros de Timor-Leste aprovou a doação de dois milhões de euros a Portugal para apoio no combate aos incêndios que atingem o país e ajuda às vítimas, informou o governo timorense. Em comunicado, o governo de Timor-Leste precisa que 1,25 milhões de euros se destinam “a apoiar as autoridades portuguesas no combate aos incêndios” e 750 mil euros “são para socorro directo às populações afectadas”. O primeiro-ministro timorense, Rui Maria de Araújo, convocou a reunião extraordinária do Conselho de Ministros, por considerar “alarmante” a situação em Portugal.».

Decerto, haverá quem em Portugal reaja de forma menos positiva a uma notícia como esta – desde logo, alegando que Timor-Leste é um país muito mais carenciado do que Portugal. Outros ficarão até indignados. Como posso testemunhar, há portugueses que não compreendem de todo a afeição que os timorenses continuam a ter por nós, considerando inclusive que isso decorre ainda de uma insuficiente “descolonização das mentes”. Para tais pessoas (que existem, reitero), a forma como, por exemplo, se comemorou em Timor-Leste a recente vitória de Portugal no Europeu de Futebol não só deve não ser valorizada como, inclusive, deve ser condenada, como se, de facto, a forma efusiva como se comemorou em Timor-Leste a recente vitória de Portugal no Europeu de Futebol fosse um sinal da menoridade política dos timorenses.

Escusado será dizer que a nossa visão é por inteiro contrária. Por isso, consideramos que Portugal deve aceitar, sem qualquer sobranceria, a doação timorense – por mais que, de facto, Timor-Leste seja um país muito mais carenciado do que Portugal. Quanto ao mais, são esses sinais que nos fazem fortalecer a convicção de que a lusofonia é muito mais do que um sonho. Como já foi mil vezes defendido, as comunidades políticas só se constituem historicamente se forem, antes de tudo o mais, comunidades de afectos. A comunidade lusófona está ainda muito longe de ser uma comunidade política (como o relativo fracasso da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, vinte anos após a sua criação, bem o atesta). Mas é já, inequivocamente, uma comunidade de afectos. E isso, por si só, é garantia de futuro.

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Também no Jornal “Público”: “Em Goa algo de novo!”

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Sim, esta vitória também é vossa!

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Não é óbvia a razão pela qual o futebol é, à escala global, de longe o desporto mais popular – à partida, dir-se-ia que um desporto jogado com as mãos, como o andebol, teria mais potencial para isso –, mas a verdade é que é. Eu tenho uma teoria – para além de outras razões, o futebol é o desporto mais imprevisível, aquele em que mais vezes a equipa mais fraca pode vencer –, mas isso agora não importa.

Sendo o futebol à escala global de longe o desporto mais popular – seja por que razão for –, a vitória de Portugal neste Europeu de Futebol é obviamente relevante, mesmo para quem não gosta de futebol. Para mais, tendo a vitória sido conquistada em Paris – onde tantos emigrantes nossos (sobre)vivem.

Que os franceses não tenham tido a decência de ter iluminado a Torre Eiffel com as nossas cores, isso é apenas um incidente sem grande relevância. Já todos sabemos a forma sobranceira como os povos do Norte de Europa olham para Portugal e para os restantes povos do Sul. É (também) por isso que a dita “União Europeia” só poderia existir se os povos do Sul aceitassem esse complexo de superioridade dos povos do Norte (mas adiante, que esta não é a altura para falar sobre o assunto).

Com uma táctica “à grega” – Portugal ganhou em Paris mais ou menos da mesma forma como a Grécia ganhou em Lisboa em 2004 –, a selecção portuguesa ganhou (e este é o ponto que quero aqui salientar) porque foi muito mais do que uma selecção estritamente portuguesa. Sim, estou a falar do brasileiro Pepe (o grande esteio da nossa defesa), bem como de todos os restantes jogadores de ascendência africana: William, Danilo, Renato, Nani e Éder (sim, aquele que marcou o golo no prolongamento quando já ninguém o esperava).

No dia seguinte à nossa vitória nas meias-finais, com o País de Gales, vi uma reportagem televisiva em Timor-Leste. O repórter, com uma sobranceria (ou seria apenas ignorância?) sem limites, denotava alguma perplexidade pelo facto dos timorenses estarem a festejar a vitória portuguesa – “como se fosse também deles”, acentuou. Pois bem: o que quero apenas aqui dizer é que esta vitória foi também vossa! Vossa: do povo timorense, de todos os povos africanos de língua portuguesa, do povo brasileiro, sem esquecer o povo galego e todas as demais comunidades que, pelo mundo fora, para perplexidade de alguns portugueses, falam, com orgulho, a nossa língua.

E a razão para tal é relativamente simples – suficientemente simples para qualquer repórter televisivo compreender. Sem o povo timorense, sem os povos africanos de língua portuguesa, sem o povo brasileiro, sem o povo galego e todas as demais comunidades que, pelo mundo fora, para perplexidade de alguns portugueses, falam, com orgulho, a nossa língua, Portugal há muito que já não existiria. Se Portugal existe ainda, se a língua portuguesa tem uma existência cada vez maior à escala global, isso deve-se também a vós. Por isso, esta vitória é também vossa!

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

http://www.movimentolusofono.org