Category Archives: MIL

Imagem

Gonçalo Ribeiro Telles (1922-2020), um Grande Lusófono e Sócio Honorário do MIL. Até sempre, Mestre…

Também no jornal Público: “Da castração mental dos portugueses”

1. No final do primeiro trimestre deste ano, fui “Co-investigador Responsável” de um projecto submetido à FCT: Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a entidade que, em Portugal, gere os fundos de apoio à investigação científica. Esse projecto visava, expressamente, dar a conhecer, em particular junto do público não lusófono, a obra de alguns dos mais significativos pensadores portugueses contemporâneos, sendo que a selecção, o estudo e o enquadramento dos textos se faria a partir de questões temáticas, conforme o seguinte esquema:

I – Amorim Viana (1822 – 1901): Filosofia, Ciência e Religião; Cunha Seixas (1836 – 1895): O Pantiteísmo; Sampaio Bruno (1857 – 1915): A questão do Mal; Leonardo Coimbra (1883-1936): Idealismo e Realismo; Fernando Pessoa (1888 – 1935): Identidade do Sujeito; Raul Proença (1884 – 1941): Progresso e Eterno Retorno; Teixeira de Pascoaes (1877-1952): A Natureza e o Sagrado.

II – António Sérgio (1883 – 1969): Filosofia, Ética e Política; Fidelino de Figueiredo (1988-1967): Filosofia e Literatura; Almada Negreiros (1893-1970): Filosofia e Estética; Delfim Santos (1907 – 1966): Onto-fenomenologia; José Marinho (1904 – 1975): Metafísica e Religião; Álvaro Ribeiro (1905 – 1981): Ontologia e Antropologia; Eudoro de Sousa (1911 – 1987): Filosofia e Mito.

III – Agostinho da Silva (1906 – 1994): Filosofia, História e Cultura; Vergílio Ferreira (1916 – 1996): Consciência e Existência; Dalila Pereira da Costa (1918-2012): Mística e Teologia; José Enes (1924-2013): Linguagem e Ser; Miguel Baptista Pereira (1929-2007): Fenomenologia e Hermenêutica; Fernando Gil (1937 – 2006): Filosofia do Conhecimento; Eduardo Lourenço (1923 – ): Filosofia e Poesia.

Ainda segundo o projecto apresentado, cada Bloco iniciar-se-ia com uma análise do contexto histórico-político-filosófico nacional do período contemplado, que deveria enquadrar não apenas os autores seleccionados na Antologia, como referir ainda outros autores relevantes do mesmo período temporal, bem como as correntes filosófico-culturais mais significativas. Nesse enquadramento, iríamos igualmente investigar alguns nexos filosóficos entre os autores portugueses seleccionados e outros filósofos não portugueses, extravasando assim uma visão auto-centrada do nosso universo filosófico.

Através da tradução para inglês de todo esse trabalho, o universo de potenciais interessados alargar-se-ia de forma exponencial, considerando a acessibilidade permitida pelo sítio “on-line”, a criar para o efeito, disponível para “tablets” e telefones portáteis. A Antologia “on-line” integraria ainda outras plataformas, de modo a exponenciar uma maior disseminação dos resultados – para tal, haveria cruzamentos de “links” com outros sítios de referência, nacionais e internacionais. Em suma, este projecto visava colmatar uma lacuna recorrentemente apontada por investigadores não lusófonos da área de filosofia: a da inexistência de um corpus filosófico representativo do pensamento português contemporâneo devidamente estudado, enquadrado e traduzido para inglês.

2. No início deste mês de Novembro, recebemos finalmente a avaliação da FCT. Segundo esta, o projecto “inclui trabalhos sobre todos os assuntos filosóficos, desde metafísica, epistemologia, ética, religião e estética, trazendo ao público leitor de inglês a atenção para filósofos portugueses pouco conhecidos – como tal, é inovador e oportuno” (“It includes work on all philosophical subjects from metaphysics, epistemology, ethics to religion and aesthetics. It brings to the English reading public attention to little known Portuguese philosophers . As such it is innovative and timely given”).

Mais – segundo a avaliação, os investigadores responsáveis “têm amplo conhecimento e experiência na filosofia portuguesa e uma boa produção de publicações, portanto, estão bem posicionados para determinar a escolha dos autores para as colecções e para supervisionar o projecto de forma mais ampla” (“the PI and co PI both have extensive knowledge and expertise in Portuguese philosophy and a good output of publications, so are well placed to determine the choice of authors for the collections and to oversee the project more broadly”). Mais – ainda segundo a avaliação, “o projecto tem um bom plano de coordenação, planeamento, controle de orçamento e solução de problemas” (“the project has a good plan for coordination, planning, budget control, and addressing issues”).

Não obstante todas essas considerações assaz elogiosas, o Painel de avaliação não recomendou o financiamento do projecto (“Not Recommended for Funding”). E porquê?! Em suma, pelo alegado “impacto bastante limitado” (“rather limited impact”), dado que, citamos ainda, “será, de modo provável, relativamente raro que leitores não portugueses consultem” (“it will probably be relatively rare that non-Portuguese readers will consult”) a obra produzida – no essencial, três livros a serem colocadas no sítio “on-line”, onde as antologias de textos dos pensadores escolhidos seriam devidamente acompanhadas por um enquadramento hermenêutico, conforme o referido.

Face a tudo isto, resta-nos pois concluir que a entidade que, em Portugal, gere os fundos de apoio à investigação científica aceita a premissa de que o pensamento filosófico português não despertará o interesse de qualquer pessoa para além do universo lusófono (senão “raramente”). Com efeito, o Painel de avaliação não contestou nenhum dos autores e/ou temas indicados na Antologia – como poderia ter feito, já que, obviamente, todas as escolhas são discutíveis. Não – concluiu apenas que, qualquer que tivesse sido a escolha, o projecto não deveria ser financiado… Face a tudo isto, resta-nos pois concluir que a entidade que, em Portugal, gere os fundos de apoio à investigação científica não defende minimamente o nosso pensamento filosófico, antes promove, expressamente, a nossa castração mental. Ora, não será igualmente esta forma de castração – perguntamos – inconstitucional?

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org

18-20 de Novembro: em parceria com o MIL e a NOVA ÁGUIA

15h: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/83669291732

18h: https://zoom.us/j/95073710982?pwd=ZkxKY3U1ZnNSMGI5WjViaTB2LytLZz09

VI CILB Colóquios Internacionais Luso-Brasileiros

Para mais informações:

https://coloquioslusobrasi.wixsite.com/cilb2018/copia-programacao-1

7 de Novembro: Vídeo-Conferência sobre Pascoaes…

Intróito

A melhor definição de metafísica que conhecemos é de José Marinho – nas suas palavras “por metafísica designa-se não só e apenas o que está para além do físico, mas antes e primordialmente o que lhe é íntimo e nele se supõe”. Apesar de ter sido redigida numa obra sobre Leonardo Coimbra (“O Pensamento Filosófico de Leonardo Coimbra: introdução ao seu estudo”Porto, Livraria Figueirinhas, 1945), essa definição aplica-se, por inteiro, ao pensamento de Teixeira de Pascoaes.

Eis o que o próprio Marinho reconhece ao falar, num outro texto, da “luz súbita que recebeu de Pascoaes” – nas suas palavras: “Durante alguns anos, eu, como a muitos outros tem acontecido em nossos dias, dentro e fora de Portugal, fui acusado de metafísico e a acusação entendia-se neste sentido: de que eu, e outros, desatendíamos o Tempo e o Homem para nos referirmos incessantemente à Eternidade, a Deus, ao Absoluto. Pois bem, no momento em que assim me acusavam, eu fazia justamente o caminho contrário”.

Como acrescenta: “Descobrira que só é possível encontrar o sentido da Eternidade pelo aprofundamento do sentido do Tempo e que Deus só se revela plenamente a quem cumpriu a sua humanidade, descobrira que se o Absoluto, como firmemente creio, e o Poeta crê comigo, está para além de toda a relação, é necessário viver e pensar a relação plenamente para o sentido do Absoluto, passar da ideia abstracta, que é menos ideia, para a ideia concreta, que é plenamente ideia./ Se vos falo desta experiência é para vos tornar compreensível a luz súbita que recebi de Pascoaes, e que veio, sob um certo aspecto, confirmar a iluminação gradual que me veio do estudo da obra de Leonardo Coimbra”.

A esse respeito, Marinho não poderia, com efeito, ter encontrado melhor Mestre. Em Pascoaes, o Absoluto é, simultaneamente, o mais distante – o para além de toda a relação – e o mais próximo – o verdadeiro ser de todo o ser. E por isso, como o próprio Marinho reiteradamente referiu, foi, de facto, Pascoaes um “poeta da natureza”, um “poeta cósmico”, “de mais amplo e abissal sentido cósmico”, um poeta “panteísta”, sendo o seu panteísmo “produto duma comunhão íntima com os seres” – nessa medida, um poeta “profundamente terrestre sem pertencer à terra”, um “poeta materialista no sentido mais fundo do termo”.

Renato Epifânio

Ver vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=DOyqULnyFmg

Em Novembro, mais um Livro MIL: “Fernando Sylvan”, de Jorge Chichorro Rodrigues

Mais Livros MIL: https://millivros.webnode.com/

Para encomendar: info@movimentolusofono.org
Outros Livros da COLEÇÃO MESTRES DA LÍNGUA PORTUGUESA

HTTPS://WWW.JORGECHICHORRORODRIGUES.COM/PRODUTOS/OBRAS?

Fotos da sessão de Apresentação da NOVA ÁGUIA nº 26 e da Entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a Alarcão Troni…

Mesa de Apresentação da NOVA ÁGUIA nº 26 e de outras Edições MIL: com João Reis Gomes, Renato Epifânio, Francisco Ribeiro Soares e Rodrigo Sobral Cunha.

Mesa de Atribuição do Prémio MIL Personalidade Lusófona: com Jorge Rangel, Alarcão Troni, José Ribeiro e Castro e Américo Ferreira.

Renato Epifânio, justificando a atribuição do Prémio MIL a Alarcão Troni.

Entrega do Prémio.

Assistência

Salão Nobre do Palácio da Independência, 22 de Outubro de 2020 

(fotos de Luís de Barreiros Tavares)

22 de Outubro: Entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a Alarcão Troni

Oficialmente, o MIL: Movimento Internacional Lusófono foi constituído no dia 15 de Outubro de 2010, cumpre-se agora uma década. Ainda que tenha nascido antes – como já foi mil e uma vezes recordado, o MIL foi germinando no rescaldo das Comemorações do centenário do nascimento de Agostinho da Silva, em 2006, Comemorações essas que tiveram uma projecção muito significativa, em Portugal e em todo o mundo de língua portuguesa. Neste ano de 2020, tínhamos programado assinalar a nossa primeira década de existência oficial com um evento a realizar em Portugal, mas, entretanto, um outro evento foi agendado exactamente para o mesmo dia, em Cabo Verde. Falamos da III Conferência “Filosofia, Literatura e Educação”, promovida pela Universidade de Cabo Verde, em parceria com outras entidades, como o Instituto Camões e o MIL.

O evento que tínhamos programado para realizar em Portugal foi pois adiado, mas apenas por uma semana. No dia 22 de Outubro, na nossa sede institucional (Palácio da Independência, em Lisboa), iremos, a partir das 17 horas, comemorar a nossa primeira década de existência. Desde logo, apresentando, em primeira mão, o vigésimo sexto número da nossa revista, a NOVA ÁGUIA, conjuntamente com os mais recentes livros publicados com a nossa chancela. Finalmente, entregando o Prémio MIL Personalidade Lusófona a Alarcão Troni, ex-Presidente da SHIP: Sociedade Histórica da Independência de Portugal (em sessão presidida pelo actual Presidente da SHIP, José Ribeiro e Castro), que ingressa assim numa mui ilustre lista de nomes – recordamos os anteriores premiados: Lauro Moreira (2010), Ximenes Belo (2011), Adriano Moreira (2012), Domingos Simões Pereira (2013), Ângelo Cristóvão (2014), Gilvan Müller de Oliveira (2015), Duarte de Bragança (2016), Ruy Mingas (2017), Manuel de Araújo (2018) e Manuel Pinto da Costa (2019). Fica aqui o convite.

Ver Capa e Editorial da NOVA ÁGUIA:

http://novaaguia.blogspot.com/2020/10/capa-e-editorial-da-nova-aguia-26.html

Em Outubro, novo Livro MIL: “Arte de Bem Caminhar”, de Rodrigo Sobral Cunha

Mais Livros MIL: https://millivros.webnode.com/Para encomendar: info@movimentolusofono.org

Na nossa sede: de Raul Leal, “Profética Lusíada”

Mais Livros MIL: https://millivros.webnode.com/Para encomendar: info@movimentolusofono.org

Imagem

26 de Setembro: Regresso das novas “Tertúlias de cultura portuguesa”…

11 do 9, às 19h, na Feira do Livro de Lisboa…

11 de Setembro, 19h, na Feira do Livro de Lisboa (Auditório Nascente)
Apresentação: Revista NOVA ÁGUIA nº 25 & mais recentes títulos da Colecção de Livros NOVA ÁGUIA: “Vida Conversável” e “Tábula Rasa II: A Literatura e o Sagrado”.
FLL2020_NA25 (1)
Imagem

15 de Outubro, na Universidade de Cabo Verde, em parceria com o MIL…

A Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes (curso de Filosofia) da Universidade de Cabo Verde, o Camões – Centro de Língua Portuguesa na Cidade da Praia, o Movimento Internacional Lusófono (MIL) e o Instituto de Filosofia da Universidade do Porto organizam a III CONFERÊNCIA CABO-VERDIANA DE FILOSOFIA, LITERATURA E EDUCAÇÃO, sob o lema: “Trocas Narrativas e Experiência de Leitura Plural”, a ser realizada no dia 15 de outubro de 2020 (formato online), na Universidade de Cabo Verde.

PROGRAMA

As comunicações serão transmitidas no canal YouTube da Conferência: https://www.youtube.com/channel/UCNjbqyfddgCLLzo3aWuR1gA/

Este evento pretende estabelecer a ponte entre Filosofia, Literatura e Educação no espaço lusófono, enaltecendo uma filosofia capaz de se abrir a novas formas de emergência da verdade através do literário e do poético. Neste sentido, cabe ao saber filosófico dialogar com estas formas de criação artística que, com efeito, são instâncias de formação humana, mormente na contemporaneidade onde cada vez mais se robustece a tendência para reduzir a experiência da verdade ao paradigma tecnocientífico.

Nesta linha de pensamento, este evento tem o objetivo de – a partir da filosofia, da literatura e da educação (principalmente a partir das relações a elas historicamente ambíguas ou complementares) – procurar compreender a nossa situação como seres mediados pela experiência de várias linguagens produtoras (e doadoras) de sentido, questionando-nos (e permitindo-nos questionar) acerca da nossa condição humana pessoal, histórica, social e cultural.

Reuniremos escritores, investigadores, professores, estudantes, artistas, curiosos, dando espaço à participação ativa de vários públicos que, doravante, poderão ver na literatura e na filosofia autênticas formas de educar a humanidade pela sensibilidade estética e ética. Assim, estimular a leitura no espaço pedagógico (e não só) é sinal de enriquecimento pessoal, trocas narrativas e humanização do espaço lusófono como espaço poético (e poiético) por excelência.

Organização:

Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes (curso de Filosofia) da Universidade de Cabo Verde
Camões – Centro de Língua Portuguesa na Cidade da Praia
Movimento Internacional Lusófono (MIL)
Instituto de Filosofia da Universidade do Porto – FIL/00502
Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT)

Em Setembro, mais um Livro MIL: “Ditos e Feitos”

Para encomendar: info@movimentolusofono.org
Imagem

Sem desculpas, mas também sem falsos culpados…

Visita do Presidente da República ao Palácio da Independência, sede institucional do MIL e da NOVA ÁGUIA…

 

 

Após esta sessão solene, o Presidente da República visitou os vários espaços do Palácio da Independência, inclusivamente a Sede do MIL e da NOVA ÁGUIA, onde lhe oferecemos algumas das nossas mais recentes edições.