Category Archives: Conferências Públicas

Vídeos do 2º Congresso da Cidadania Lusófona


1º vídeo
II Congresso da Cidadania Lusófona: Sessão de Abertura
Luís Aires Barros (Sociedade de Geografia de Lisboa), Carlos Manuel Castro (Câmara Municipal de Lisboa), Maria Perpétua Rocha (PASC: Plataforma Activa da Sociedade Civil), Renato Epifânio (MIL: Movimento Internacional Lusófono) e Luísa Janeirinho (Sphaera Mundi: Museu do Mundo)

2º vídeo
Lusofonia no Séc. XXI
Adriano Moreira (Presidente Honorário do Congresso) e Ana Paula Laborinho (Instituto Camões)

3º vídeo
Lusofonia no Séc. XXI
Gilvan Müller (Instituto Internacional de Língua Portuguesa)

4º vídeo
Lusofonia no Séc. XXI
Guilherme de Oliveira Martins (Centro Nacional de Cultura)

5º vídeo
Lusofonia no Séc. XXI
Vítor Ramalho (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa)

6º vídeo
Intervalo

7º vídeo
Entrega do Prémio Personalidade Lusófona
Renato Epifânio, Fernando Nobre, Alarcão Troni e Ângelo Cristovão

8º vídeo
Que Prioridades na Cooperação Lusófona?
Apresentação do “Jogo da Lusofonia” de Margarida Santos Carvalho; Vítor Fortes e Zeferino Boal (Angola)
Intervenção de Jorge Braga de Macedo

9º vídeo
Que Prioridades na Cooperação Lusófona?
Loryel Rocha (Brasil)

10º vídeo
Que Prioridades na Cooperação Lusófona?
Maria Dovigo e Alexandre Banhos (Galiza); Djarga Seidi (Guiné-Bissau)

11º vídeo
Que Prioridades na Cooperação Lusófona?
José Lobo do Amaral (Macau), Luísa Timóteo (Malaca) e Delmar Gonçalves (Moçambique)

12º vídeo
Que Prioridades na Cooperação Lusófona?
Mário Lopes (São Tomé e Príncipe) e David Guterres (Timor-Leste). Intervenções de: DARIACORDAR – Associação Contra o Desperdício, Associação 8 Séculos de Língua Portuguesa e Associação Mares Navegados.

13º vídeo
Que Prioridades na Cooperação Lusófona?
Intervenção da Associação Mares Navegados (final)

14º vídeo
Que Prioridades na Cooperação Lusófona?
Intervenções de: Centro de Estudos da Lusofonia Agostinho da Silva e Instituto dos Mares da Lusofonia
O Mar como Prioridade Estratégica
Secretário de Estado do Mar: Manuel Pinto de Abreu.

15º vídeo
Conclusões
Moderador: Carlos Vargas. Intervenções de João Salgueiro, António Gentil Martins e Miguel Real.

16º vídeo
Conclusões
Intervenção de Manuel Ferreira Patrício.

Lançamento NOVA ÁGUIA nº 13: 23 de Março de 2014 | Palácio da Independência: Sede do MIL

Balanço do I Congresso da Cidadania Lusófona

Cerca de um ano depois de termos promovido um Encontro Público sobre a “A Importância da Lusofonia” (24 de Fevereiro de 2012), promovemos, no mesmo local, o I Congresso da Cidadania Lusófona.

Desde logo, há a destacar o salto qualitativo – em 2012, não conseguimos a representação de todos os países e regiões do espaço da lusofonia. Desta vez, isso aconteceu. Todos os oito países da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, bem como quatro regiões do espaço lusófono (nomeadamente, a Galiza, Goa, Malaca e Macau), estiverem presentes.

Isso é tanto mais de enaltecer porquanto, tendo sido uma iniciativa da Sociedade Civil, não tivemos meios financeiros para custear viagens e alojamentos – ou seja, todos os presentes, mesmo aqueles que vieram de bem longe, assumiram todas as despesas relativas à sua presença neste Congresso.

Todos perceberam, pois, a importância do I Congresso da Cidadania Lusófona – e daí tudo terem feito para estarem presentes. Tratou-se do primeiro grande passo de uma caminhada que agora se iniciará, à luz dos dois propósitos que definimos para este Congresso: promover o conceito de “Cidadania Lusófona” e a criação de uma Plataforma de Associações Lusófonas, congregando Associações da Sociedade Civil de
todo o Espaço da Lusofonia. Como nós próprios salientámos na Sessão de Abertura, na presença do Professor Luís Aires Barros, Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, e da Doutora Maria Perpétua Rocha, Coordenadora da PASC: Plataforma Activa da Sociedade Civil, trata-se de estender o bom exemplo da PASC a todo o espaço da Lusofonia, assim promovendo, cada vez mais, a afirmação da Sociedade Civil. Todos, aos mais diversos níveis, teremos a ganhar com isso.

Da parte tarde do primeiro dia – após as duas magníficas conferências iniciais, dos Professores Adriano Moreira e Gilvan Müller (Director do Instituto Internacional de Língua Portuguesa) e da Entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona ao Engenheiro Domingos Simões Pereira (Ex-Secretário Executivo da CPLP) –, deram-se os primeiros passos nesse sentido, delimitando algumas plataformas em que essa convergência lusófona se poderá cimentar: Cooperação Económica e Social; Direitos Humanos e Saúde; Cultura, Educação e Língua; Comunicação Social, Direitos de Autor e Património.

Como foi justamente salientado no encerramento dos trabalhos do primeiro dia do Congresso, pelo General Garcia Leandro e pelo Doutor Gentil Martins, muito há ainda há fazer nestas diversas plataformas de cooperação. Desde logo, há, cada vez mais, de trabalhar em rede, de modo a que o muito meritório trabalho já realizado por algumas entidades tenha maior projecção e, sobretudo, eficácia. No século XXI, é esse o conceito chave: trabalhar em rede, tirando, cada vez mais, proveito das novas tecnologias.

No segundo dia, após a conferência do Secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, sobre “O Mar enquanto Desígnio Estratégico”, e de uma mesa redonda muito concorrida – com intervenções de Carlos Vargas, Pinharanda Gomes, Manuel Ferreira Patrício e Lauro Moreira –, procurou-se fazer o diagnóstico sobre a situação da Lusofonia e da Sociedade Civil em cada um dos países e regiões do espaço lusófono. Apesar de algumas faltas, houve representação de todos esses países e regiões, por muito que, nalgumas intervenções, se tivesse contornado esse diagnóstico. O que até se compreende. Sabe-se que, nalguns desses países e regiões, o estado da Sociedade Civil e mesmo da Lusofonia é ainda muito precário.

Já o sabíamos, à partida. Mas isso só nos dá mais força para continuarmos este caminho da convergência lusófona. Como nós próprios dissemos no encerramento do Congresso, na presença da Maria Perpétua Rocha e da Luísa Janeirinho, que coordenou o magnífico Espectáculo com que se finalizou o primeiro dia do Congresso, e em que, igualmente, todos os povos lusófono estiveram devidamente representados (e onde se estreou o
Novo Hino da Lusofonia), estamos já a pensar no II Congresso da Cidadania Lusófona.

Algumas dúvidas nos assaltam, porém, desde já. Onde o realizar? Desejavelmente, e isso acontecerá, mais cedo ou mais tarde, num outro país lusófono. A ser em Portugal, dificilmente encontraremos um melhor local do que a Sociedade de Geografia. A dúvida maior é, contudo, a seguinte: como fazer melhor? Se, relativamente ao encontro de 2012, houve um evidente salto qualitativo, desta vez a fasquia ficou muito
alta para que um novo salto qualitativo da mesma monta possa ser facilmente dado. Não que não tenham existido aspectos a melhorar: desde logo, uma maior selectividade nas participações e uma melhor preparação das intervenções. Depois, decerto, uma maior presença na Comunicação Social. Ainda que, aí, assumamos o nosso cada vez maior cepticismo – se a Agência Lusa e a RDP Internacional estiveram presentes, muitos outros órgãos ignoraram este Congresso e houve pelo menos um que só se interessou por ele pela anunciada presença do Ministro Paulo Portas (que não pode estar presente dada a discussão da Moção de Censura ao Governo que decorreu nesse dia na Assembleia da República) – quiçá, à espera de mais uma “grandolada”.

Mas não é a falar da mediocridade e miopia da nossa classe jornalística – só equiparável à mediocridade e miopia da nossa classe política –, que queremos terminar este Balanço do I Congresso da Cidadania Lusófona. Para terminar, salientamos o que neste Congresso tem perdurando mais na nossa memória: o ambiente de genuína fraternidade lusófona que se viveu nos dias 2 e 3 de Abril. O que, parecendo menos importante, é, a nosso ver, o mais decisivo: muito antes de ser um conceito, com eventuais concretizações no plano jurídico, a Cidadania Lusófona é um sentimento, uma afectividade. Se não for, de resto, a montante, uma afectividade, que abarque e abrace todos os lusófonos por esse mundo fora, jamais poderá ser, a jusante, um conceito.

Desde logo por isso, o nosso Balanço não poderia ser, pois, mais positivo.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono (entidade que, no âmbito da PASC: Plataforma Activa da Sociedade Civil, coordenou o Grupo de Trabalho responsável pela Organização do I Congresso da Cidadania Lusófona).

Conferência “A Herança Portuguesa no Mundo”

Apresentação da obra “Breve Tratado da Razão Jurídica”

Debate PODe/MIL: “Somos mesmo um Estado de Direito?”

O MIL no 18º Ignite Portugal

Apresentação da www.sapana.org por Carolina Cruz na sede do MIL

http://www.sapana.org por Carolina Cruz na sede do MIL http://www.movimentolusofono.org

Como seremos um país economicamente viável? (Debate Aberto)

Ciclo de Debates “Reaprender a Democracia”: Como seremos um país economicamente viável?

Debate aberto à audiência e com intervenção do sociólogo António Pedro Dores (PODe)

Ciclo de debates organizado conjuntamente pelo
MIL: Movimento Internacional Lusófono
http://www.movimentolusofono.org
e pela
PODe: PODe: Plataforma Outra Democracia
http://podept.blogspot.pt

Como seremos um país economicamente viável? (Sandro Mendonça)

Ciclo de Debates “Reaprender a Democracia”: Como seremos um país economicamente viável?

Professor de Economia do ISCTE

Ciclo de debates organizado conjuntamente pelo
MIL: Movimento Internacional Lusófono
http://www.movimentolusofono.org
e pela
PODe: PODe: Plataforma Outra Democracia
http://podept.blogspot.pt

.o rácio da dívida pública no PIB estava dentro das médias internacionais até que se chega ao ano 2000, em que esta explode de forma radical.
.a nossa pretensa inviabilidade é um fenómeno recente
.o nosso problema é mais a economia privada – a quem se devem pedir contas – da situação atual
.em Portugal pensamos que o conceito de “nação” é mais operativo do que ele de facto é.
.temos que nos desalavancar da Europa. Valores em risco, falta de proximidade e solidariedade.
.há uns anos atrás dependíamos muito das exportações para o mercado europeu, mas a partir de 2012, descemos de 77 para 72%. Este crescimento tem ocorrido mais para Argélia, Marrocos, EUA, Angola, China e Polónia. Nao esta aqui nem o Brasil (pelo seu extremo protecionismo).
.O que temos exportado? Principalmente máquinas-ferramenta, componentes de máquinas-ferramentas, serviços intangiveis (turismo, transporte, etc) há uma transformação em curso dos nossos parceiros comerciais. Muitas exportações são exportações de Saudade, para o mercado da Diáspora.
.deriva cega em colocarmos apenas em foco o crescimento económico
.a economia delicada de Catarina Portas: produtos de proximidade, uma economia de despecialização crescente. Uma economia leve e de sensibilidade.
.sermos crioulos e mestiços e a economia barroca por oposição à ética protestante dominante.

Como seremos um país economicamente viável? (Carlos Vargas)

Membro do Conselho Consultivo do MIL

Ciclo de Debates “Reaprender a Democracia”: Como seremos um país economicamente viável?

.o conceito de Estado-Nação tem que ser revisto
.crescer por crescer e a incompatibilidade com a finitude dos recursos e a sustentabilidade ecológica
.obsolescência programada
.a teoria do decrescimento por oposição à impossibilidade do crescimento advogado pela teoria económica atual
.O bloqueio alemão ao funcionamento do BCE como “banco de último recurso”.
.o domínio económico do eixo anglo-saxónico no materialismo da sociedade atual e o paradoxo do caso do Brasil, com o seu cruzamento de influências muito próprio.
.O que irá passar-se no mundo, irá passar-se primeiro no Brasil, país de charneira.
.os portugueses são o exemplo iberico de teimosia em quer ser e em ser capaz de ser
.a capacidade portuguesa de mediação entre partes que estão em conflito
.somos o resultado da convivência das três grandes tradições religiosas: a cristã, a judaica e a islâmica

Ciclo de debates organizado conjuntamente pelo
MIL: Movimento Internacional Lusófono
http://www.movimentolusofono.org
e pela
PODe: PODe: Plataforma Outra Democracia
http://podept.blogspot.pt

Fotografias das sessões MIL de 24 de março de 2012, na sede do MIL

Este slideshow necessita de JavaScript.

Apresentação do MIL no 18º Ignite Portugal

Para ver (em Powerpoint) clique:
MILigniteMk6_APA

Discurso de Entrega do Prémio Personalidade Lusófona ao Professor Adriano Moreira (Sociedade de Geografia de Lisboa, 24.02.2012)

Minhas Senhoras e meus Senhores

1. Cumpre-me, em primeiro lugar, agradecer à Sociedade de Geografia de Lisboa, na pessoa do seu Presidente, Professor Luís Aires Barros, o ter aceite ser a anfitriã desta Cerimónia – o da entrega do Prémio Personalidade Lusófona do Ano 2011, prémio promovido pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono, no âmbito do X Encontro da PASC: Plataforma Activa da Sociedade Civil, sobre a “Importância da Lusofonia”.

2. Registado a 15 de Outubro de 2010, o MIL nasceu informalmente no início de 2008, ainda na esteira das Comemorações do Centenário de Nascimento Agostinho da Silva, que decorreram por todo o ano de 2006 e por boa parte do ano de 2007. Tiveram essas Comemorações uma projecção lusófona, não apenas nacional e, ao longo delas, gerou-se uma dinâmica que o MIL procurou ampliar e aprofundar, o que temos notoriamente conseguido.

De então para cá, muita gente juntou-se a nós. O MIL agrega já mais de 10 milhares de aderentes – não apenas de todos os países da CPLP, como também de outras regiões que, a nosso ver, fazem parte do espaço lusófono. Todos esses países e regiões estão, de resto, representados nos nossos órgãos – desde logo, no nosso Conselho Consultivo.

Temos também a honra de ter como sócios honorários algumas da mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil: Abel de Lacerda Botelho, Adriano Moreira, Amadeu Carvalho Homem, António Braz Teixeira, António Carlos Carvalho, António Gentil Martins, Dalila Pereira da Costa, Elsa Rodrigues dos Santos, Fernando Nobre, Fernando dos Santos Neves, João Bigotte Chorão, João Ferreira, José Hermano Saraiva, José Manuel Anes, Lauro Moreira, Manuel Ferreira Patrício, Pinharanda Gomes e Ximenes Belo.

Cada vez mais, o MIL tem agregado pessoas de todo o espaço lusófono. Desde logo, porque há um reconhecimento cada vez maior da importância estratégica da convergência lusófona, Horizonte maior do MIL. Vivemos um tempo de viragem histórica, em que os vários povos da lusofonia começam a compreender os benefícios desse caminho comum, passadas que estão de vez algumas páginas historicamente mais traumáticas. Daí a sintonia temporal, senão mesmo geracional, do MIL. O MIL nasceu no tempo certo.

Obviamente, isso, por si só, não seria suficiente. Se cada vez mais pessoas têm aderido a este movimento cultural e cívico é porque reconhecem em nós, para além de tudo o mais, credibilidade e coerência. Isso é, de resto, o que desde logo ressalta no histórico das nossas posições, uma extrema coerência entre todas as posições tomadas. Em todas elas, de uma forma ou de outra, está, com efeito, presente o que nos move: promover o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço da lusofonia, no plano cultural, mas também social, económico e político (conforme se pode comprovar no nosso livro recém editado: Convergência Lusófona).

O MIL, de facto, sempre teve essa marca distintiva. Não se detém no plano estritamente cultural, mas age também no plano social, económico e político, já que, para nós, o potencial da convergência lusófona desdobra-se nesses vários planos. Daí, cumulativamente, o duplo enfoque das nossas propostas: ora relativas a todo o espaço lusófono em geral, ora centradas na realidade cultural, social, económica e política de cada um dos países e regiões do espaço da lusofonia, procurando sempre, numa primeira instância, dar voz às pessoas e/ou instituições de cada um desses países e regiões, voz a que depois o MIL tem dado o devido eco.

Daí também as parcerias que temos estabelecido com múltiplas entidades – com as quais temos tomado posições conjuntas e promovido muitas outras iniciativas, nomeadamente o envio regular de vários milhares de livros para alguns países lusófonos. A esse respeito, recordamos uma das nossas iniciativas que teve, no imediato, mais consequências: a Petição “Não destruam os livros!”, que levou o Governo Português a tomar medidas concretas no sentido de que os livros sem escoamento comercial não fossem destruídos em grande escala, mas, ao invés, fossem enviados para os países lusófonos que mais carecidos estão nesse plano. Também aqui o desígnio estratégico da convergência lusófona vai deixando, cada vez mais, de ser uma mera figura retórica.

Temos consciência que nem todas as nossas propostas poderão ser imediatamente concretizadas – somos os primeiros a reconhecê-lo. Mas os caminhos, por mais longos que sejam, só valem a pena se visarem um Horizonte maior. Por isso não esmoreceremos nem, jamais, desistiremos. Prosseguiremos o nosso Caminho… A esse respeito, uma palavra de agradecimento a todas as pessoas que têm dado o seu contributo para este Caminho: aos meus colegas da Direcção do MIL, desde logo ao Rui Martins, Vice-Presidente, presente desde o início, aos actuais membros dos restantes órgãos e àqueles que no passado os integraram. Se chegámos aqui, foi com o contributo de todos Vós. Obrigado por isso.

3. No passado, homenageámos o ex-Embaixador do Brasil na CPLP, Lauro Moreira e o Bispo D. Carlos Ximenes Belo – nos dois casos, por todo o seu distinto trabalho em prol da Lusofonia, da Convergência Lusófona. Hoje, estamos aqui para homenagear o Professor Adriano Moreira como Personalidade Lusófona do ano de 2011.

Os critérios para a atribuição deste Prémio não são rígidos. Em 2009, atribuímos o Prémio ao Embaixador Lauro Moreira desde logo por uma questão de oportunidade – ele iria reformar-se em breve, e quisemos homenagear toda a sua carreira, em particular enquanto Embaixador do Brasil na CPLP, onde fez um trabalho reconhecidamente notável.

Também não foi por acaso que o primeiro Prémio foi atribuído a um brasileiro – quisemos com isso assinalar a importância do Brasil à escala global. Sem complexos de qualquer espécie, reconhecemos que, a essa escala, o Brasil será necessariamente a locomotiva maior desse caminho ainda, em grande medida, por se cumprir: o caminho da convergência lusófona, mais do que isso, o caminho da criação de uma verdadeira comunidade lusófona.

Depois, também não foi por acaso que o premiado seguinte tenha sido um timorense: D. Carlos Ximenes Belo. Como na atribuição do Prémio nós próprios dissemos:

«Fazemo-lo não, decerto, por ele ser sócio honorário do MIL – apesar disso nos honrar muito. Também não o fazemos por razões religiosas – já que o MIL não está ligado a nenhuma Igreja, como a nenhum Partido Político. Fazemo-lo, numa palavra, porque ele é, decerto, uma das figuras que melhor personifica o próprio povo timorense – na sua resistência à ocupação indonésia e na sua consequente libertação. Com efeito, a par da resistência armada, a Igreja timorense foi o grande esteio da resistência espiritual e cultural a essa mesma ocupação indonésia, a grande responsável por Timor-Leste ter permanecido um país lusófono. Isto mesmo depois da libertação, da independência. Como todos sabemos, houve muitas vozes a defenderem que Timor-Leste teria mais futuro no espaço anglófono. E porventura teria, imediatamente – pelo menos, do ponto de vista material. Mas, do outro lado, houve ainda mais vozes a defenderem que o futuro de Timor-Leste só poderia estar no espaço lusófono, a defenderem que Timor-Leste será um país lusófono ou não será… Uma dessas vozes, porventura a mais audível, foi, decerto, a do Bispo D. Carlos Ximenes Belo. Por isso hoje homenageamos. Timor-Leste poderia já não ser hoje um país lusófono – e se tivesse optado por essa via, ninguém em Portugal poderia reclamar – depois de termos abandonado Timor-Leste à sua sorte na descolonização, não defendendo devidamente, como era nossa obrigação, esse território face à eminente ocupação indonésia, que depois se veio a concretizar, com as consequências trágicas que muitos procuraram escamotear mas que nós não esquecemos. Também por isso homenageamos o Bispo D. Carlos Ximenes Belo e, na sua pessoa, todo o Povo Timorense.».

4. Tendo sido ambas primeiras escolhas, não deixámos de equacionar eventuais alternativas. O mesmo não aconteceu, contudo, este ano. Como podem testemunhar os meus colegas de Direcção do MIL, tendo nós decidido que, este ano, iríamos homenagear um português, o Professor Adriano Moreira emergiu imediatamente como a primeira e única escolha.

Decerto, o Professor Adriano Moreira não é o único português com currículo em prol da convergência lusófona. Felizmente, há muita gente – diria até: há cada mais gente – com currículo nessa área. Na nossa perspectiva, porém, o Professor Adriano Moreira é o português com maior e melhor currículo em prol da convergência lusófona que o MIL tanto defende.

Já antes de 25 de Abril de 1974, como todos sabemos, o Professor Adriano Moreira procurou dar passos – inclusive no plano político – para a criação de uma verdadeira Comunidade de Estados Lusófonos, como já era então (desde os anos 50) defendido por Agostinho da Silva – personalidade que mais inspira o MIL e que o Professor Adriano Moreira conheceu e ajudou – nomeadamente, na criação, no anos 60, do Centro de Estudos Portugueses da Universidade de Brasília, que ainda hoje existe.

Como o próprio Agostinho da Silva na altura lamentou, a Revolução de 25 de Abril de 1974 foi uma oportunidade perdida para a criação de uma verdadeira Comunidade de Estados Lusófonos. A forma, muito pouco exemplar, como se processou, em geral, a descolonização acabou por ser, de resto, um entrave a esse desiderato. Parecia que, a partir daí, os povos lusófonos passariam para sempre a viver de costas voltadas.

Foi assim que, durante décadas, Portugal voltou costas a todo o espaço lusófono e apostou tudo na integração europeia, enquanto grande desígnio nacional. O erro de tal aposta tornou-se entretanto evidente. Em virtude de tal erro, de tal colossal erro, Portugal é hoje um país fortemente diminuído na sua autonomia e sustentabilidade. Em virtude de tal erro, de tal colossal erro, Portugal é hoje um país que não sabe sequer se terá futuro. Em virtude de tal erro, de tal colossal erro, Portugal é hoje um país que não honra o seu passado.

Face a isto, há dois caminhos: ou desistir, ou persistir, por mais remota que seja a esperança. O Professor Adriano Moreira podia, há muito, ter desistido. Não o fez, nunca o fez, contudo. Logo que pôde, regressou a Portugal e procurou fazer o que não havia conseguido antes de 1974. Podia ter ficado legitimamente ressentido, como muitas pessoas da sua geração. Podia ter perdido completamente a esperança em Portugal, como acontece até com muitos jovens – decerto, um dos indicadores mais sombrios da crise em que vivemos.

A Homenagem que hoje fazemos ao Professor Adriano Moreira é, pois, no essencial, à pessoa que nunca desistiu, que continua a ter esperança em Portugal e que considera que o futuro do nosso país passa, cada vez mais, pela convergência com os restantes países e regiões do espaço lusófono. Esse deve ser o nosso grande desígnio nacional. Não será, decerto, a panaceia para todos os nossos males, mas é, inegavelmente, o único caminho que mais e melhor garante um futuro sustentado para Portugal. É triste que tenhamos tido que bater tão fundo para só agora percebermos isso – bastava termos ouvido, em tempo útil, algumas vozes que anteciparam o (agora) óbvio para todos; bastava termos ouvido, em tempo útil, o Professor Adriano Moreira.

Temos plena consciência de que este Prémio pouco acrescenta ao currículo do Professor Adriano Moreira. O Professor Adriano Moreira honra muito mais o MIL ao ter aceite recebê-lo do que o MIL honra o Professor Adriano Moreira ao ter decidido entregar-lho. Quanto muito, o MIL honra-se a si próprio por ter feito esta escolha – entretanto ratificada pelo nosso Conselho Consultivo, constituído por 80 elementos (representativos de todos os países e regiões do espaço da lusofonia). Agradecemos-lhe muito, pois, todo o apoio que, generosamente, desde sempre, tem dado ao MIL e, agora, o ter aceite este Prémio que lhe atribuímos.

Renato Epifânio

Presidente do MIL

Vídeos e Fotos: uma Sessão histórica para a Convergência Lusófona…

A Importância da Lusofonia – Sociedade de Geografia: 24.02.12

Fotos:
http://mil-hafre.blogspot.com/search/label/*%20Jesus%20Carlos

Intervenção do Prof. Mendo Henriques:

http://www.youtube.com/watch?v=cz-CDS4WbgQ&feature=related

Intervenção do Dr. Gentil Martins:

http://www.youtube.com/watch?v=mHjFIcIaVrc&feature=uploademail

 

Intervenção do Dr. Fernando Nobre:

http://www.youtube.com/watch?v=i_GVs09PqX8&list=UUu_-yZHH8IgZ9Hrjl_t-B9w&index=2&feature=plcp

 

Intervenção do Prof. Ferreira Patrício apresentando o seu texto editado na revista “Nova Águia”: “Nos próximos 100 anos a CPLP será ou Portugal não será”

http://www.youtube.com/watch?v=fyMnTXh7FgA&context=C3fbe9a9ADOEgsToPDskJv45qIYQ3SZ8hhB3cnjkb8

Entrega do prémio MIL “Personalidade Lusófona 2011” ao  Professor Adriano Moreira

Parte 1: 

http://www.youtube.com/watch?v=c7ArkMiFVBM&feature=context&context=C3fbe9a9ADOEgsToPDskJv45qIYQ3SZ8hhB3cnjkb8

Parte 2:

http://www.youtube.com/watch?v=0vea60VP_V0&feature=context&context=C3fbe9a9ADOEgsToPDskJv45qIYQ3SZ8hhB3cnjkb8

Parte 3:

http://www.youtube.com/watch?v=RW3XuMorLYo&feature=context&context=C3fbe9a9ADOEgsToPDskJv45qIYQ3SZ8hhB3cnjkb8

 

Foto do Professor Adriano Moreira agradecendo a distinção que lhe foi conferida, de “Personalidade Lusófona 2011”:

 

http://mil-hafre.blogspot.com/2012/02/professor-adriano-moreira-agradecendo.html

 

Momento musical Proporcionado pelo Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa:

http://www.youtube.com/watch?v=ryCxMmn7pyw&context=C3fbe9a9ADOEgsToPDskJv45qIYQ3SZ8hhB3cnjkb8

Ver outras intervenções em:

http://www.youtube.com/user/movimentolusofono?feature=watch

 

Mais algumas fotos:

https://movimentolusofono.wordpress.com/2012/02/25/x-forum-pasc-a-importancia-da-lusofonia-e-entrega-do-premio-mil-personalidade-lusofona/