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Lançamento da revista NOVA ÁGUIA 11 no Palácio da Independência (Lisboa) – 2ª parte

Lançamento da revista NOVA ÁGUIA 11 no Palácio da Independência (Lisboa)

Galeria

Fotografias de 19 Março de 2013: Lançamento NOVA ÁGUIA 11

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O MIL na TV Lisboa

O SENTIMENTO DO NADA, A CONFIANÇA E A ESPERANÇA (Miguel Real)

Opera-se hoje em Portugal, para Miguel Real, “uma autêntica mutação de valores”.
Até ao próximo dia 14, 13 pensadores olham para 2013 a partir de valores éticos, políticos e religiosos, entre os quais a bondade, a solidariedade e a coragem

Ensaio (3)
O Sentimento do Nada
Em nome da santidade do seu orçamento, o Estado português é hoje uma aterrorizante máquina de roubo colectivo: roubo de empregos e de lucro legítimo das empresas; roubo de poupanças de anos; roubo de salários; roubo de pensões; roubo da vontade empreendedora dos cidadãos e, sobretudo, roubo da alma dos portugueses.
O maior roubo que o Estado português tem cometido nos tempos recentes residiu num espectacular e aparentemente impossível roubo do excedente de esperança que todo o cidadão necessita para a existência diária como garantia de que o futuro será, senão melhor, pelo menos não pior que o passado. Este foi o grande roubo colectivo – absolutamente inqualificável – operado pelo Estado português, assente na crença metafísica e obsessiva, até delirante, mesmo patológica, da inexistência de alternativas financeiras e económicas para a sua política. Mal o Governo caia e o Presidente da República diga que existe – pressupomos que continua a existir uma entidade chamada Presidência da República –, ver-se-ão as alternativas aparecerem, e não uma, mas várias.

Com efeito, integrando o texto no interior de uma teoria de valores, como foi
solicitado, o Estado português é, desde os primeiros anos do nosso século, uma
máquina implacá-vel e aterrorizante de generalização de infelicidade, individual e colectiva. Uma classe política tecnocrata culturalmente ignorante (como o prova a anulação de feriados históricos, símbolos do passado de Portugal) e socialmente oportunista (ocupação de cargos por apropriação carreirista, sem mérito próprio), com a mente aprisionada por ditames éticos maximamente individualistas (quebrando o ancestral sentimento comunitário presente na colectividade portuguesa), dividindo americanamente os portugueses entre “vencedores” e “vencidos”, totalmente desprovida do princípio moral cristão da solidariedade e do princípio humanista da igualdade, assenhoreou-se do Estado português desde os primeiros anos do século, depreciando a prática do bem comum e hipostasiando uma política fiscal considerada “psicopata” (Carlos César, ex-presidente do Governo Regional dos Açores). Com as medidas propostas e activadas pelo Governo, nem sequer se consegue atingir o primeiro e mais simples patamar da felicidade – a satisfação de uma vida simples para
todos, com a garantia de pão sobre a mesa, um ordenado decente, uma escola para os filhos, uma cama no hospital e uma tumba no cemitério – certamente em breve privatizado e de novo aberta a “vala comum” para pobres e sem-abrigo, onde aliás foi Camões enterrado.

Com este passado fantasmagoricamente presente, o futuro, como um autêntico
Adamastor, sugando a totalidade do corpo e da mente dos portugueses, levanta-se como um poderoso Sentimento do Nada: o Nada do desemprego, o Nada da falência, o Nada do empobrecimento, o Nada da frustração familiar, profissional e social, que não só nos absorve a alma – individual e colectiva – como nos bloqueia, senão anula, o Princípio da Esperança. Lentamente, temo-nos tornado um povo sonâmbulo, sem alma nem esperança, roídos pelo Sentimento do Nada. Nas suas intervenções públicas, José Gil e Boaventura de Sousa Santos têm difundido – com razão – que vivemos numa atmosfera impregnada de medo: medo no trabalho; medo nos transportes públicos; medo nas ruas; medo da polícia, por sua vez medrosa de não atingir os objectivos propostos pelo superior hierárquico; medo dos funcionários bancários, que nos exigem a prestação do carro, da casa… Este medo fantasmático nasce da suspeita de em breve a nossa existência será atormentada pela concretização real de um desses perigos, projectando o Nada na nossa vida, subvertendo-a existência suave que tínhamos atingido após dezenas de anos de trabalho. O Nada – a não-esperança; a não-existência, contrária àquela que tínhamos previsto e para a qual trabalhámos afanosamente; a não importância ou a desqualificação atribuída ao nosso trabalho; o não futuro, impossibilitado pelo
arrastamento de situações constrangedoras do presente; o não-ser, reduzidos a uma vida insignificante, sem possibilidade de realização – impregnou a nossa vida, devorou a nossa autoestima, assolou o papel que desempenhávamos na família, no trabalho, na colectividade de recreio, somos agora vistos como mais um, um daqueles que, inútil, deve emigrar, que falhou a vida por não ter sido oportunista, carreirista, bajulador, serviçal, verdadeiramente por não ter tido suficiente esperteza para se inscrever num partido político e se encontrar agora imune ao assalto colectivo que o Estado faz à carteira e à alma do cidadão.

O Princípio da Confiança

Mais generosos que avaros, mais comunitários que individualistas, mais emotivos que racionais, mais espiritualistas que materialistas, mais supersticiosos (Fátima) que devotos, mais líricos que prosaicos, mais soltos que disciplinados, mais improvisadores que metódicos, historicamente desprezados pelos poderes públicos, os portugueses constituem um povo que tradicionalmente, segundo a sua cultura, defende ser a razão menos importante que a paixão, o calculismo menos importante que a fruição lúdica da vida, um povo que, face aos interesses económicos, tem pugnado pelos valores do sentimento e da comoção, os valores do gregarismo e da generosidade, os valores da partilha e do companheirismo, unidos e vinculados a um sentido transcendente orientador na busca da justiça, que desespera por nunca chegar. Volta-se então para Nossa Senhora, esperando do Céu o que a terra lhe nega.

A fibra de lutador dos portugueses advém da sua história e da sua cultura – uma história, primeiro, de guerra contra o invasor mouro; depois, de guerra contra a natureza e os povos “pagãos” que descobriram em África, no Oriente e no Brasil;
finalmente, arredado da fruição do Ouro do Brasil, restrito às elites políticas, a luta pela sobrevivência numa vida em permanente miséria económica até à actualidade. Todas estas situações histó-ricas fizeram dos portugueses um povo menos votado a uma vida certa e rotineira e mais votado a uma vida improvisada, na qual cada um deveria “desenrascar- se” por si próprio ou no interior de um pequeno grupo de companheiros.

Alimentados por um sentido transcendente da História e do Homem, os portugueses sempre defenderam um punhado de valores clássicos (lealdade, amizade, honestidade, generosidade, solidariedade vicinal…). Este espiritualismo nasceu de um conjunto de constrangimentos histórico-sociais muito particulares: menos o privilégio ao indivíduo e à liberdade e mais ao gregarismo comunitário; menos a autonomia e independência da sociedade civil e mais o endeusamento do Estado (a Corte, o Senhor, o Patrão…); menos a separação e distinção radical entre as esferas da religião e do Estado e mais a prevalência dos modos profanos de socialização do sagrado; menos a generalização da riqueza do todo distribuída entre as partes e mais a concentração em pequenos grupos privilegiados; menos as medidas de reforço da sociedade civil e mais a subordinação do todo da comunidade ao Estado; menos o trabalho rigoroso e disciplinado, criando progressivamente riqueza própria, e mais a especulação de terras e imóveis, ou seja, menos a produção e mais a comercialização.

Assim, hoje, sem transcendência espiritual de valores ligados à beleza, ao bem- estar e ao sagrado, os portugueses viram-se, no princípio deste século, despojados e espoliados do fruto do seu trabalho, assegurado pelos princípios morais que regulavam o bem comum – o fundo de desemprego justo, o subsídio de auxílio aos mais carenciados, a pensão para o idoso, a assistência hospitalar… – desde a entrada de Portugal na Comunidade Europeia. No futuro, inacreditavelmente, sentem ser possível o Estado em que confiavam esvaziar-lhes a conta bancária pessoal ou familiar, cúmulo da sua poupança de décadas. Quebrou-se o Princípio da Confiança que vinculava o cidadão ao Estado, instituição garantidora do bem comum. O Estado alega em altos gritos compromissos com instituições financeiras e faz-se mudo e surdo face aos compro-missos que assinou com cada cidadão, garantindo-lhe uma existência e uma cidadania “normais”. Doravante, algum português ousará acreditar numa lei criada pelo Estado? Algum português atrever-se-á a acreditar na palavra de um político dos partidos que se têm assenhoreado do Estado? Quebrou-se o Princípio da Confiança, vínculo ético da representação política entre o cidadão e o Estado. Instalou-se a regra da desconfiança de cada um sobre todos, conduzindo a uma permanente mas surda guerra civil de todos contra todos, vencendo sempre os oportunistas e os carreiristas, sem valores morais sólidos.

O Princípio da Esperança

Com a plena adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia em 1986, o ser de Portugal principiou gradualmente a confundir-se e a identificar-se com o ser da Europa, existindo animado dos mesmos fracassos, virtudes e desafios dos
restantes países europeus. Nos últimos vinte anos do século XX, os problemas da Europa tornaram-se os nossos problemas – desaparecimento do sector primário da economia, absolutização do sector terciário, absolutização de um sector informático-electrónico, independência da mulher, fraquíssima taxa de natalidade, ensino de massas e iliteracia, predomínio social do sector das novas tecnologias da comunicação, crescente mediocrização da elite política, perda de competitividade relativamente aos Estados Unidos da América e ao Japão, ameaça económica galopante dos produtos provindos da China, do Brasil e da Índia, crescente especulação financeira… Assim, aos nossos antigos problemas de desenvolvimento, herdados do século XIX e agravados ao longo da vigência do Estado Novo, somaram-se os problemas europeus propriamente ditos.

Porém, uma diferença qualitativa emergiu: os velhos problemas eram agora integrados no vasto horizonte político, económico, social e cultural europeu onde primavam a democracia e a atitude científica inovadora. Era o Princípio da Esperança. Com a Europa, resolveríamos os nossos princípios estruturais. Se, simbolicamente, datarmos de 1580 (perda da independência de Portugal e criação do mito sebástico) o momento culminante do processo de anormalização da existência de Portugal, dataremos de 1980 (data de pré-adesão de Portugal à Comunidade Europeia) o momento inicial de normalização da existência de Portugal, tornando-o um país exactamente igual aos outros, com os defeitos, as virtudes, as deficiências e as qualidades dos outros países, mais rico que uns, mais pobre que outros, singular como todos os outros. Em 1980 reside a data que encerra 400 anos de história de Portugal, mas também a data que lhe abre novo capítulo, o capítulo do futuro – expressão do sonho de todos os pensadores portugueses que, desde o século XVI, nunca separaram Portugal do corpo territorial da Europa. O Princípio da Esperança. Finalmente, nos finais do século XX, tínhamos realizado o sonho português de ser Europa.

Hoje, doze anos entrados no novo século, constatamos não ser a Europa a nossa tábua de salvação. Em nome do sacrossanto “mercado”, Portugal vive hoje o mais feroz dos individualismos, recalcando os valores gregários e comunitários que o definiram como nação, entronizando o dinheiro e a posse da mercadoria como únicos valores soberanos, face aos quais todos os restantes se inclinam.
Opera-se hoje, em Portugal, uma autêntica mutação de valores – da modéstia e
da abnegação transitou-se para a soberba e a arrogância; da solidariedade para o
egoísmo narcisíaco; dos valores da cooperação para os valores ligados à ganância, à avidez, à cobiça, ser superior ao outro, humilhando-o pela ostentação do carro, da vivenda, da piscina; da sobriedade para a luxúria, apregoada como valor benéfico pela televisão; do bem espiritual como supremo valor gregário para o bem económico como manifestação de poder e riqueza. O Princípio da Esperança, motor de trabalho e iniciativa, motor de mobilidade e igualdade social, de equidade na distribuição da riqueza colectiva, quebrou-se, deixando assim o português sentado à porta de um país sonâmbulo, perscrutando um horizonte vazio de confiança e de esperança, sentindo estalar no peito o aterrorizador Sentimento do Nada.

Miguel Real, Publicado no Jornal Público de 4 de janeiro de 2013

O MIL no Jornal do Meio Dia da SIC de 20 janeiro 2013

“Para acabar de vez com a lusofonia”?! Resposta a António Pinto Ribeiro

A 18 de Janeiro de 2013, publicou António Pinto Ribeiro (APR), no Suplemento “Ípsilon” (pp. 38-39) do Jornal “Público”, um texto intitulado “Para acabar de vez com a lusofonia”, que, alegadamente, tem sido “alimentada pela esquerda mais retrógrada e pela direita mais nacionalista e nostálgica do império”.

No seu manifesto anti-lusófono, APR consegue até a proeza de apresentar o Ultimato Inglês de 1890 com um acto anti-colonialista – quando se tratou, tão-só, da afirmação (vitoriosa) do colonialismo inglês sobre o colonialismo português –, isto para além de caricaturar o pensamento de Gilberto Freyre (que, alegadamente, “nunca vira sinais de tensão no multi-racialismo”) e de diabolizar a colonização portuguesa, como se a “expressão da barbárie” tivesse sido a sua única face.

Tudo isto para concluir que a lusofonia é um “logro”, uma “forma torpe de neo-colonialismo”, a “última marca de um império que já não existe”. Tal virulência “argumentativa” só se destina, porém, aos portugueses – já que, alegadamente, “os portugueses valorizam-na [a lusofonia], os africanos rejeitam-na”. Na sua virulência sectária, APR acaba pois por atirar sobre si próprio, renegando-se como português.

Para o evitar, ainda que correndo o risco das generalizações, bastaria salvaguardar que “em geral…”. O problema é que nem sequer isso é verdade. Conforme pode ser confirmado por pessoas que sabem do que falam quando falam de lusofonia (como, por exemplo, o Embaixador Lauro Moreira, que trabalhou longos anos na Missão Brasileira da CPLP: Comunidades dos Países de Língua Portuguesa), esta é cada vez mais valorizada – não só pelos portugueses, mas também pelos africanos dos países de língua oficial portuguesa, não esquecendo o Brasil e Timor-Leste.

Timor-Leste, de resto, é, provavelmente, o país que mais valoriza, para desgosto de APR, a lusofonia. Por razões óbvias: se Timor-Leste conseguiu resistir à ocupação indonésia, mantendo a sua autonomia cultural, e, depois, aceder à independência política, foi, em grande medida, por causa de tão maldita palavra: lusofonia. Não decerto por acaso, as autoridades timorenses fizeram questão de consagrar o português como língua oficial do país, e não o inglês, como pretenderam (e pretendem) a Austrália e outros países anglófonos. A razão é simples: Timor-Leste sabe bem que a lusofonia é a melhor garantia do seu futuro político.

Bastaria o exemplo timorense para afirmar a lusofonia como factor de libertação e não de opressão, como pretende APR. Mas vamos aos PALOPs: Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Se, como pretende APR, a língua portuguesa é a memória viva da “violência dos portugueses sobre os africanos”, por que estranha razão nenhum desses países renegou a língua portuguesa como língua oficial? – antes, pelo contrário, tudo têm feito para sedimentar a língua portuguesa em cada um desses países. Será porque continuam a ser “colonialistas”?? Ou serão apenas mosoquistas??? Decerto, não é porque valorizem a lusofonia – já que, não o esquecemos, por uma qualquer “excepcionalidade mítica” que nos transcende, “os africanos rejeitam a lusofonia”.

E passemos ao Brasil – segundo APR, “Lula da Silva, enquanto Presidente do Brasil, estabeleceu parcerias económicas Sul-Sul com a maioria dos países subsarianos. Para esta estratégia, a lusofonia pouco importou”. Para azar de APR, não há muito tempo, o Embaixador brasileiro Jerónimo Moscardo, na insuspeita Fundação Mário Soares, esclareceu precisamente que assim não é, na sua conferência “Agostinho da Silva e a política externa independente do Brasil”. De resto, como APR sabe ou, pelo menos, deveria saber (mas, estranhamente, não refere), Agostinho da Silva foi, em Portugal e no Brasil, onde foi assessor do Presidente Jânio Quadros,  o grande prefigurador de uma comunidade de língua portuguesa 1.

Temos plena consciência que há muita gente que, no que concerne à lusofonia, apenas valoriza a dimensão económica. Mas isso, por si só, não desqualifica a lusofonia – também, entre nós, houve muita gente a valorizar a Europa por causa dos famosos “fundos”. Pertinente referência, esta – tanto mais porque APR, falando do “estilhaço da lusofonia”, não fala uma única vez da Europa, do Euro ou da União Europeia. Compreende-se bem porquê tão gritante omissão: é precisamente face ao estilhaço (este sim, real) da União Europeia que cada vez mais portugueses compreendem que foi um colossal erro estratégico termos, durante décadas, desprezado os laços com os restantes povos lusófonos. Isso fragilizou, em muito, a nossa posição no plano global e na própria União Europeia – onde estamos, cada vez mais, numa posição subalterna.

Face ao estilhaço (este sim, igualmente real) da globalização, o que acontecerá naturalmente, por mais que isso desgoste os arautos do pós-modernismo, é que os países se religarão com base naquilo que de historicamente há de mais sólido: as afinidades linguístico-culturais. Nessa medida, também para Portugal a lusofonia é a mais sólida garantia do seu futuro: cultural, económico e político. Não perceber isto é não perceber nada. A lusofonia não é pois uma excrescência do passado mais o fundamento maior do nosso futuro. Um fundamento firme: sem escamotear a violência da colonização portuguesa – não há colonizações não violentas –, a verdade, que pode ser confirmada todos os dias, é que a relação que existe entre o povo português e os outros povos lusófonos não é equiparável a relação que há entre outros povos ex-colonizadores e ex-colonizados. Não perceber isto é não perceber nada. Mesmo nada.

De uma forma paternalista (para não dizer neo-colonialista), APR pretende aconselhar os outros povos lusófonos a renegarem a lusofonia, como se eles não pudessem escolher qual o melhor caminho para o seu próprio futuro – como até APR já percebeu, a lusofonia é, cada vez mais, essa escolha. Daí, de resto, o tom virulento do artigo – se a lusofonia fosse algo assim tão estilhaçado… Apenas num ponto damos razão a APR: “os portugueses não têm nenhum atributo de excepcionalidade mítica”. Ou seja, o nosso futuro enquanto país não está garantido. Mas isso, precisamente, só reforça a importância desse caminho que se cumprirá pela simples mas suficiente razão de que interessa a todos. Como aconteceu no caso timorense. Como, apesar de tudo, acontece com a Guiné-Bissau – se esta tem futuro, é porque

há uma comunidade lusófona que está disposta a fazer algo (ainda que, até ao momento, não o suficiente). Como acontece também, enfim, com Portugal – no beco sem saída da troika, a lusofonia é, cada vez mais, a nosso único caminho de futuro. Pena que APR não o perceba.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono 2

1 Como chegou a dizer, em entrevista ao JL (15.09.1986): “Trata-se, actualmente, de poder começar a

fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e

uma outra, muito importante, económica”.

2 Movimento cultural e cívico, registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta

já com mais de 20 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono (inclusive em

África).