Para (re)ler, este Verão: “Pensamento e Movimento”, de Pinharanda Gomes

– “Pensamento e Movimento”, Lisboa, Fundação Lusíada/ MIL/ DG Edições, 2022, 133 pp.

ISBN: 978-989-53483-9-8

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Para encomendar: info@movimentolusofono.org

Passado já mais de um par de anos sobre a sua partida, ainda nos é assaz difícil falar de Pinharanda Gomes sem uma profunda emoção. Sendo que a reedição desta obra não constitui, de todo, um gesto emocional.

Se um país se sustenta, em última instância, na sua Língua e Cultura, é a Filosofia que, a montante, mais profundamente anima a Cultura e a Língua. A essa luz, a reedição de Pensamento e Movimento, de Pinharanda Gomes, uma das obras mais filosóficas de todo o nosso século XX, é um serviço que prestamos à nossa Língua e Cultura. Não é, pois, um gesto emocional, antes um acto “cirúrgico”, sobretudo atendendo à nossa circunstância.

Numa época em que, com efeito, o exercício da filosofia em língua portuguesa é dissuadido no plano político (mais concretamente: no plano do financiamento público), é como nunca necessário dar a conhecer obras que realizam esse exercício da filosofia em língua portuguesa de forma particularmente luminosa.

Como recorda o próprio Pinharanda Gomes, os primeiros textos desta obra foram redigidos entre 1971 e 1972 – ou seja, há meio século. Meio século depois, esta obra, primeiramente publicada em 1974, permanece por inteiro actual e operativa. Por isso a entendemos republicar, naturalmente com a anuência da D. Judite da Conceição Santos, a sua companheira de sempre, e o apoio expresso do Dr. Abel Lacerda Botelho, Presidente da Fundação Lusíada, em mais uma edição conjunta com o MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Numa época em que, de facto, Portugal está a ser filosoficamente colonizado, é premente partilhar obras como Pensamento e Movimento. Para nos ajudar, cada um de nós, a pensar – na nossa língua, única forma de nós realmente pensarmos. Para nos ajudar, cada um de nós, a mover-se – e assim a sair deste marasmo em que, culturalmente, Portugal se encontra. Gratos, pois, Pinharanda Gomes, por mais este teu serviço – a Portugal, a toda a Lusofonia. Gratos, enfim, ao Elísio Gala, nosso cúmplice desta reedição.

Renato Epifânio

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