Monthly Archives: Maio 2022

8 de Junho: A estética no pensamento português…

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Pensar de novo, pensar o novo: em tempos de pandemia

Dizem os clássicos que a Filosofia chega sempre demasiado tarde – daí a conhecida imagem de Hegel: “a ave de Minerva levanta-se ao entardecer”. Quanto a esta pandemia que nos assolou nos últimos anos, apenas podemos dizer, com alguma certeza, que este foi, até ao momento, o acontecimento mais relevante, à escala global, do século XXI – a par, quanto muito, da guerra em curso na Ucrânia… Quanto ao mais, tudo permanece ainda demasiado incerto. Há ainda, para usarmos uma outra imagem, “demasiada poeira no ar”.

Como dissemos algures, vivemos um “interregno”. Os mais providencialistas têm sugerido que este “interregno” foi como que “programado”. De forma mais imanente ou transcendente, este “interregno” teria sido pois – passe o anglicismo – um “reset” necessário. Tal como os nossos computadores por vezes bloqueiam, também o próprio mundo estaria de tal modo bloqueado que teria precisado de um “interregno”, de um “reset”, de um “reinício”.

Há ainda demasiada “poeira no ar” para conseguirmos antever o futuro que irá emergir deste “interregno”. Até ao momento, o único factor indubitavelmente positivo foi a diminuição substancial da poluição à escala global. As consequências sociais e económicas têm sido, porém, até ao momento, indubitavelmente negativas, para não dizer catastróficas. Em Portugal e no Brasil, como em todos os restantes países do mundo, houve muita gente a ficar, de um momento para o outro, sem emprego, sendo que muitos desses empregos não irão, previsivelmente, regressar. Pelo menos, tão cedo.

A prometida vacina, entretanto chegada em 2021, irá decerto antecipar esse necessário futuro pós-interregno. Seja pelo seu poder real sobre o vírus, seja “apenas” pelo seu efeito psicológico em todos aqueles que mais o temem, com a vacina o mundo parece, finalmente, em condições de virar, progressivamente, a página deste interregno de confinamento pandémico e de medo generalizado. Com ou sem vacina, teríamos, mais cedo ou mais tarde, de virar esta página. Um interregno é, por definição, um estado transitório. Um estar, não o ser…

Os textos que se coligem neste livro – mais de uma dezena e meia de textos, do universo de colaboradores da NOVA ÁGUIA, uma revista de Filosofia e Cultura lusófona – não nos dizem qual será esse futuro pós-interregno. Foram textos escritos no “olho do furacão”, quando nem sequer era visível, como agora já é, essa “luz ao fundo do túnel”. Em todos eles, porém, pulsa uma esperança – atente-se, por exemplo, neste excerto do texto de Miguel Real: “Eduardo Lourenço, quando jovem, na sua estada em Paris, escreveu um texto (que não consigo identificar agora) em que falava da personagem de um romance (salvo erro, de Somerset Maugham) que, nos últimos dias de vida, se levanta da cama, vai ao quintal e planta uma bolota de carvalho. É a realização concreta do princípio da esperança (…)”.

Como acrescenta: “…ele nunca verá o carvalho elevar-se sobre a paisagem, mas foi o seu contributo para que a vida continuasse. Que cada um de nós, hoje, neste tempo suspenso, perante um futuro vazio, plante a sua bolota – uns escrevendo, outros pintando, outros compondo música, outros fazendo teatro, cinema, animação, jornalismo, outros trabalhando nas suas profissões.”. Este livro é também uma “bolota” – a nossa “bolota” para o futuro, em particular para o futuro das relações luso-brasileiras, que igualmente têm sido afectadas por esta pandemia. Em tempos de crise, a tendência natural é que para cada país se feche em si próprio. Passada esta crise, esperemos que a ponte trans-atlântica renasça, ainda mais forte.

Renato Epifânio

Presidente do MIL e Director da NOVA ÁGUIA

28 de Maio: em Mirandela e em Coimbra…

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Para encomendar: info@movimentolusofono.org

De A.M. Pires Cabral: Livro MIL “Contos recontados”

“Contos recontados”, Lisboa, MIL/ DG Edições, 2022, 133 pp.

ISBN: 978-989-53483-7-4

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Também no jornal Público: “Better dead than red”, em louvor da resistência ucraniana…

Um dos mais infames slogans políticos da nossa história – “better red than dead” –, tem de novo ecoado, de forma mais ou menos expressa, a propósito da invasão russa da Ucrânia. Não porque, esclareça-se desde já esse equívoco recorrente, o regime de Putin tenha algo a ver com o comunismo – a sua matriz é claramente czarista.

O próprio Partido Comunista Português sabe isso perfeitamente – daí que a sua posição não se explique, de todo, pela fidelidade ao regime de Putin. Antes, tão-só, pela sua fidelidade de sempre ao Partido Comunista Russo – foi assim durante toda a II Guerra Mundial, mesmo durante o pacto soviético com o regime nazi; foi assim em todo o processo da nossa descolonização; foi assim em todo o processo de desmantelamento da União Soviética; tem sido também assim, sem surpresa, agora.

O próprio Putin também tem usado o “argumento da desnazificação” da Ucrânia para justificar a invasão russa da Ucrânia de forma claramente cínica. Ele não acredita nessa alegação – mas acredita que, por mero “reflexo pavloviano”, ela tenha algum efeito na opinião pública, interna e externa. E acredita bem – como, também sem surpresa, se pode verificar, inclusivamente na opinião pública portuguesa.

slogan tem, porém, ecoado, de forma cada vez mais sonora, à medida que a resistência ucraniana se amplia – e daí as crescentes sugestões, mais ou menos tácitas, para que a Ucrânia se renda. Como sempre, aduzem-se os mais diversos argumentos, em particular o de que a resistência ucraniana tem como principal beneficiário a NATO/ OTAN e, em especial, os Estados Unidos da América; e como maior prejudicado colateral o modelo social europeu, pelo desvio de fundos, já em concretização, para os orçamentos de Defesa dos Estados da União Europeia.

A alegação não é infundada mas não explica o crescente incómodo com a resistência ucraniana. Explica-se antes este incómodo, a nosso ver, por um conceito que a nossa cultura historicamente recalcou: o de heroicidade. Com um efeito, se há um qualificativo adequado para a resistência ucraniana é esse: heróica. E é isso o que mais profundamente nos incomoda, a todos nós que deixámos de valorizar a heroicidade e que até criámos, na nossa cultura, como seu substituto simbólico, a figura do anti-herói. Na resistência ucraniana, olhamo-nos ao espelho e vemos, com o mais profundo incómodo, quem fomos deixando de ser.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

Este Sábado, no Porto, apresentação dos Livros MIL de Rodrigo Sobral Cunha…

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Nota de pesar do MIL Cabo Verde sobre o falecimento da cantora cabo-verdiana Titina Rodriguês

Albertina Alice dos Santos Rodrigues, sobejamente conhecida por Titina Rodriguês (1947-2022), nasceu na Cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde, e faleceu em Setúbal, Portugal, a 06 de Maio de 2022, país onde vivia há já muitos anos. Reconhecida intérprete da musicologia das ilhas de Cabo Verde, Titina, que sempre esteve (e há-de estar) na memória coletiva do Povo cabo-verdiano, se elevou espiritual, estética e artisticamente nos géneros da morna e da coladeira, tendo a estes emprestado uma Voz única e singular, melancólica e saudadora, verdadeiro pulsar da alma da nossa Terra, sempre em articulação com a interculturalidade com que cantou B.Leza em Portugal, mormente na morna Tejo, enviando um recado para as ilhas de Cabo Verde via “ondas sagradas do Tejo/ deixa-me beijar as tuas águas/ deixa-me dar-te um beijo/ Beijo de saudade…”.

A cantora, que começou a cantar desde a tenra idade, deixou um legado, vários discos, obras-primas da cultura musical cabo-verdiana, fruto das suas interpretações acerca das composições de renomadíssimos compositores. Igualmente ela foi homenageada pelo Governo de Cabo Verde e pela SOCA (Sociedade Cabo-verdiana de Autores), uma homenagem bem merecida. Fica a obra, que é Grande; que é fonte de inspiração aos jovens artistas que, naturalmente, precisam de referência(s) e exemplaridade.

Uma palavra de conforto a todos os familiares e amigos da cantora.

11-14 de Outubro: VIII Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade/ I Encontro sobre Filosofia e Cultura Luso-Galaica…

Caso pretenda participar neste duplo evento, pode enviar-nos uma proposta de comunicação (com título, resumo e breve cv), até final de Maio – podendo igualmente indicar o dia/ local em que pretende participar.