Daily Archives: Junho 11, 2020

Em Julho, mais um Livro MIL: de António Braz Teixeira, “A Vida Imaginada: Textos sobre Teatro e Literatura”

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Para encomendar: info@movimentolusofono.org

Também no jornal Público: Bora lá derrubar (ainda) mais umas estátuas?

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Há cerca de três anos, manifestámos as nossas dúvidas sobre se a moda do derrube de estátuas, então emergente nos Estados Unidos da América, acabaria por chegar até nós – como então escrevemos: “Os Talibans do Politicamente Correcto (TPC) lá conseguiram derrubar mais umas estátuas nos Estados Unidos da América (derrubar estátuas é, como se sabe, uma especialidade Taliban), mas não cremos que esse seja um (mau) exemplo que se venha a seguir na Europa, apesar do crescendo dos TPC também entre nós. É que os EUA são ainda, comparativamente, uma nação adolescente, mais permeável, por isso, a atitudes extremistas.” (“Bora lá derrubar mais umas estátuas?”, PÚBLICO, 02.09.2017).

Hoje, temos que reconhecer que fomos demasiado optimistas. A moda/ maré do derrube de estátuas está a atingir, em força, toda a Europa, inclusivamente Portugal – e, por tabela, o mundo lusófono. Muito recentemente, recebemos o texto de uma Petição que insta as Autoridades de Cabo Verde a removerem do espaço público as estátuas de Diogo Gomes, Alexandre Albuquerque, Serpa Pinto, Sá da Bandeira e Diogo Afonso, falando de uma alegada “invasão” de Cabo Verde em 1445 – quando, nesses tempos, as ilhas de Cabo Verde estavam por inteiro desabitadas (mas já se sabe que, para os TPC, isso é irrelevante).

Por cá, já se tentou derrubar a estátua do Padre António Vieira e é de esperar que em breve a moda/ maré alastre, até porque há muito por onde escolher: Afonso de Albuquerque, D. Henrique, Pedro Álvares Cabral, Vasco da Gama, o próprio Camões… Sendo que o caso da estátua do Padre António Veira (em Lisboa) já era particularmente sintomático. Bem a propósito: nestes últimos anos, estivemos envolvidos no projecto de instalação de uma estátua do Padre António Vieira em Cabo Verde (por iniciativa de Nuno Rebocho, entretanto falecido), que mereceu a concordância expressa das Autoridades cabo-verdianas (premissa, obviamente, fundamental), projecto que só não avançou (ainda) por meras questões financeiras. Neste contexto, cabe perguntar se alguma vez avançará.

Em contra-corrente, lançamos pois aqui o repto para que algum mecenas sem medo dos TPC (ainda existem?) possa financiar a concretização desse projecto de estátua do Padre António Vieira, a ser instalada na Cidade Velha (na Ribeira Grande de Santiago), que perpetuará a sua passagem por Cabo Verde e, em particular, a sua intervenção na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, na então chamada Ribeira Grande de Santa Maria, a 22 de Dezembro de 1652onde foi muito bem recebido – o próprio Padre António Vieira se refere à simpatia com que foi acolhido por toda a cidade” – e onde teve a oportunidade de proclamar que, na sua visão do mundo e da humanidade, “não há diferença de nobreza, nem diferença de cor”. Nestes novos “tempos de trevas”, não nos ocorre mensagem mais luminosa.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org