Daily Archives: Julho 23, 2019

“A Literatura e o Sagrado: Tabula Rasa II” (mais recente título da Colecção NOVA ÁGUIA)

Decorreu na segunda quinzena de Novembro de 2017, entre os dias 15 e 18, o II Festival Literário TABULA RASA, uma co-organização do MIL: Movimento Internacional Lusófono e da Revista NOVA ÁGUIA, em parceria com as autoridades locais (Junta de Freguesia de Fátima e Câmara Municipal de Ourém) e em associação com uma vasta série de entidades: Academia Lusófona Luís de Camões | Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo | Associação Coração em Malaca | Academia Pró-Academia Galega de Língua Portuguesa | Casa de Goa | CLEPUL: Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias | Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora | Fundação Lusíada | Instituto Fernando Pessoa | Instituto de Filosofia Luso-Brasileira | Instituto Internacional de Macau | Liga Africana | Sociedade Histórica da Independência de Portugal | Sphaera Mundi: Museu do Mundo.

Assumimos o lema “Muito mais do que um Festival Literário” e o volume que aqui se apresenta justifica-o plenamente. Depois de, no I Festival, termos abordado a relação entre “A Literatura e a Filosofia”, desta vez o mote foi “A Literatura e o Sagrado”. Assim, dissertámos sobre “O sagrado nas várias tradições religiosas”: nomeadamente, nas tradições católica, islâmica, judaica e druídica – bem como sobre “O sagrado no pensamento, na música e nas artes plásticas”. A dimensão internacional lusófona do I Festival também se manteve, com uma série de intervenções sobre “A Literatura e o Sagrado” nos diversos países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Essa dimensão internacional lusófona já se tornou, de resto, uma das marcas maiores dos Festivais TABULA RASA.

Neste volume, publicamos todas essas intervenções, bem como outras que tiveram também lugar – desde logo, as de Adriano Moreira e Guilherme d’Oliveira Martins, na Sessão de Abertura do Festival. De igual modo, publicamos a justificação dos diversos Prémios “Obras TABULA RASA 2016-2017”, nas diversas categorias: literatura infanto-juvenil (justificação: Pedro Teixeira Neves); poesia (justificação: António José Borges); ficção (justificação: António Ganhão); filosofia (justificação: Luís Lóia) – bem como o Prémio “TABULA RASA Vida e Obra”, entregue a Pinharanda Gomes (justificação: Miguel Real). Finalmente, publicamos uma breve mas significativa “Memória Fotográfica” deste II Festival, que, tal como o primeiro, teve ainda um programa paralelo mais dirigido ao público infanto-juvenil e diversos momentos culturais que muito agradaram à numerosa assistência. Por tudo isso, uma palavra final de reconhecimento a toda a equipa que trabalhou e que continuará a trabalhar connosco.

Colecção Nova Águia

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Próximo Livro MIL: “Aristóteles em nova perspectiva”

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A pretensão de filosofar no plano da “razão pura” tem sido contestada por autores e correntes que valorizam o carácter “situado” do pensamento, sempre condicionado pelo contexto histórico, social e cultural. A dificuldade reside em saber o que é determinante na “situação”, dada a multiplicidade e a complexidade dos factores envolvidos. Ora, a escola da filosofia portuguesa tem defendido ser a língua o elemento essencial do horizonte em que pensamos, seja qual for o plano; de modo que a poesia de Teixeira de Pascoaes se pode considerar uma das mais altas expressões do pensamento português e humano, portanto de inegável valor filosófico. Está claro que, sendo possível transpor essa poesia para enunciados de feição discursiva ou para outra língua, os conteúdos ficam necessariamente matizados ou alterados pelas novas formas em que se vertem.

O especial interesse do livro de Olavo de Carvalho,Aristóteles em Nova Perspectiva. Introdução à teoria dos quatro discursos, consiste em reforçar a tese da prioridade da língua a partir da exegese da obra aristotélica, cuja presença no pensamento universal e em especial no nosso é das mais relevantes.

Segundo Olavo de Carvalho, para Aristóteles os discursos poético, retórico, dialéctico e analítico ou lógico apenas se distinguem pelo diferente grau de verosimilhança e certeza. Como todo o conhecimento parte da experiência sensível, o nível mais abstracto articula-se, em última instância, com os anteriores, numa escala de crescente evidência e necessidade. Como defendeu Eudoro de Sousa, seria necessário ser contemporâneo de Aristóteles para verdadeiramente o compreender, pois o seu pensamento está indissoluvelmente ligado à língua grega, tal como se falava e entendia no seu contexto epocal e local.

Considero, pois, tratar-se de um livro que muito interessa à reflexão sobre o tema das filosofias nacionais. Por isso de há muito se desejava que fosse mais conhecido entre nós, onde, como creio que no Brasil, não mereceu ainda a devida atenção.

Joaquim Domingues

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Para encomendar: info@movimentolusofono.org