Monthly Archives: Janeiro 2019

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26 de Fevereiro: 3ª Conferência Anual da PASC – Casa da Cidadania

26fev

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Agenda MIL para 2019

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Congresso “Eça de Queiroz, nos 150 anos do Canal do Suez”

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A 17 de Novembro de 1869, inaugurou-se o Canal do Suez, acontecimento com as maiores repercussões na época, nas mais diversas áreas (política, económica, cultural, religiosa, etc.), e que foi também uma via de abertura no diálogo entre o Ocidente e o Oriente.
Eça de Queiroz cobriu, como jovem jornalista, esse evento, publicando uma série de textos no “Diário de Notícias”, antecipando o escritor que viria a ser, um dos maiores escritores do mundo lusófono.
Cento e cinquenta anos depois, a Revista NOVA ÁGUIA, o MIL: Movimento Internacional Lusófono e o CLEPUL: Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em parceria com diversas Instituições, irão assinalar a efeméride, promovendo um Congresso a decorrer entre os dias 15 e 18 Novembro de 2019, na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Biblioteca Nacional de Portugal, que irá abordar os seguinte tópicos:
– Eça de Queiroz como jornalista;
– Eça de Queiroz como escritor inspirado pelas suas viagens;
– Representações do Médio Oriente oitocentista na obra de Eça de Queiroz e na literatura portuguesa coeva;
– A importância do Canal do Suez na época;
– O Médio Oriente na altura e hoje.

Caso pretenda participar neste Congresso, deverá enviar-nos uma proposta (com título e resumo) até final de Fevereiro, para info@movimentolusofono.org

Comissão Organizadora: Renato Epifânio, Annabela Rita, Octávio dos Santos, Pedro Correia e Rui Lopo

Para mais informações: https://queiroz150suez.blogspot.com/

4 de Fevereiro: Colóquio do Centenário do Nascimento de Afonso Botelho

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Colóquio do Centenário do Nascimento de Afonso Botelho

4 de Fevereiro de 2019 | Palácio da Independência (Salão Nobre)

Programa

09h30 | SESSÃO DE ABERTURA

09h40 | CONFERÊNCIA I

António Braz Teixeira | APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO

10h10 | PAINEL I

Manuel Cândido Pimentel | O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA‎ DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO

Maria de Lourdes Sirgado Ganho | DO CORAÇÃO E DA RAZÃO EM AFONSO BOTELHO

Miguel Real | A FICÇÃO EM AFONSO BOTELHO

Teresa Dugos Pimentel | SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO

11h30 | INTERVALO

11h40 | PAINEL II

Emanuel Oliveira Medeiros | EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO: CONHECIMENTO, CULTURA DOS MESTRES E CIVILIDADE

Jorge Rivera | O LIMIAR DA VISÃO E A MODERNIDADE DO OLHAR: ESTÉTICA E ENIGMÁTICA NA PINTURA DOS “PRIMITIVOS PORTUGUESES”

José Almeida | AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE

Mendo Castro Henriques | AFONSO BOTELHO E A UTOPIA POLÍTICA

13h00 | ALMOÇO

14h30 | TESTEMUNHOS

José Esteves Pereira, Joaquim Domingues, Pinharanda Gomes e Rodrigo Sobral Cunha

15h10 | CONFERÊNCIA II

Guilherme d’Oliveira Martins | AFONSO BOTELHO E O CENTRO NACIONAL DE CULTURA

15h40 | PAINEL III

António Cândido Franco | AFONSO BOTELHO DESCONHECIDO

Elísio Gala | O ABC DA LEALDADE

Paulo Borges | RELIGIÃO DO AMOR E SAUDADE A PARTIR DE AFONSO BOTELHO

16h40 | INTERVALO

16h50 | PAINEL IV

Luís Lóia | MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE

Renato Epifânio | DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”

Samuel Dimas | A REFLEXÃO DE AFONSO BOTELHO SOBRE “A RENÚNCIA CRISTÔ

17h50 | INTERVALO

18h00 | LEITURA INTERPRETADA E COMENTADA DA PEÇA O HÁBITO DE MORRER, DE AFONSO BOTELHO (direcção de Jorge Castro Guedes; com Adérito Lopes, Ângela Pinto, Guilherme Filipe, Lúcia Maria e Paulo Lages)

19h30 | ENCERRAMENTO

Também no jornal Público: “2019: um ano em aberto para a Lusofonia”

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Este ano começou com a tomada de posse do novo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Para além de todas as polémicas que decorrem do seu perfil político, continuamos a notar uma omissão maior no seu discurso – mesmo na sua tomada de posse, Jair Bolsonaro nada disse sobre a ligação do Brasil com Portugal e os restantes países de língua portuguesa.

Ao contrário, Jair Bolsonaro parece insistir numa visão completamente auto-centrada, “nacionalista”, como se o Brasil, pelo seu gigantismo, pudesse ser de facto auto-suficiente. Essa é de resto uma tentação recorrente e que decorre desse gigantismo. Por razões óbvias, são os países mais pequenos da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa que mais têm valorizado a nossa Comunidade Lusófona. O Brasil, volta e meia, parece dar a entender que a dispensa.

Esperemos porém que esse auto-centramento decorra sobretudo da magnitude da crise interna em que o Brasil tem vivido e que, em breve, o Brasil reafirme a sua aposta na sua ligação com Portugal e os restantes países de língua portuguesa. Temos fundada esperança nisso, até porque sabemos que algumas pessoas da sua equipa governativa têm igualmente esta nossa visão.

A esse respeito, não podemos deixar de saudar o comportamento exemplar do Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Contra algumas vozes que propunham que Portugal não se fizesse representar na tomada de posse, como se Portugal tivesse que ficar agora refém de algumas agendas partidárias, Marcelo Rebelo de Sousa representou condignamente Portugal e teve o discurso que se impunha: não falando apenas da ligação entre Portugal e o Brasil, como da importância particular do Brasil para a CPLP. Daí também o significado da presença do Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, Presidente da CPLP em exercício.

Escusado seria dizê-lo, por ser (ou dever ser) por demais óbvio, mas como vivemos tempos em que cada vez mais se põe em causa o óbvio, afirmamo-lo com toda a convicção: a ligação entre Portugal e o Brasil é uma ligação estrutural entre países, mais do que isso, entre povos, unidos por profundos laços de língua, de história e de cultura; não é uma ligação que deva depender de figuras, por mais polémicas e/ou carismáticas que sejam, nem, muito menos, de afinidades ideológicas, sempre circunstanciais. Que o ano de 2019 comprove tudo isso, eis o nosso voto, saudando todos os cidadãos lusófonos.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org

Próximas sessões de apresentação da NOVA ÁGUIA…

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16.01.19 – 18h30: Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (Braga)

18.01.19 – 18h30: Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa (Lisboa)

25.01.19 – 18h30: Casa de Angola (Lisboa)

08.02.19 – 18h30: Associação Caboverdeana de Lisboa

Também no Jornal Público: “Uma amálgama absurda…”

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Provavelmente por (de)formação filosófica, tendemos sempre a avaliar toda e qualquer posição pela sua coerência lógica. Ainda que, obviamente, a coerência lógica não seja um valor absoluto – apenas um “exemplo-choque”: Hitler e Estaline foram decerto pessoas muito coerentes (a ponto de terem sacrificado milhões de vidas humanas em nome da sua coerência) e não será por isso que as suas posições se tornam aceitáveis.

Muitas das nossas polémicas no espaço público não resistem, porém, a esse crivo da avaliação lógica. Paradigmático exemplo recente disso tem sido a polémica de início de ano em torno da entrevista de Mário Machado à TVI. É mesmo um exemplo do absurdo lógico em todo o seu esplendor.

Vamos então por partes: em primeiro lugar, tem-se questionado a legitimidade da entrevista por causa das ideias antidemocráticas da pessoa em questão. O argumento é decerto atendível. Mas, a ser assim, em nome da coerência, também se deverá defender que, por exemplo, pessoas e/ou instituições que defendam a “ditadura do proletariado” devem igualmente ser banidas do espaço público. Alguém defende realmente isso? Não estamos a ver ninguém.

Em segundo lugar, tem-se questionado a legitimidade da entrevista porque a pessoa em questão cometeu crimes e foi condenada por isso. O argumento é decerto igualmente atendível (um conhecido comentador, Daniel Oliveira, usou até o argumento-extra de que a entrevista teria chocado as famílias das vítimas). Mas, a ser assim, em nome da coerência, ninguém, por exemplo, das “FP-25 de Abril” pode ser entrevistado. Decerto, também aqui o argumento-extra das famílias das vítimas pode ser aduzido.

Sendo que, neste caso em particular, há um absurdo lógico ainda maior, que não vimos ser devidamente denunciado: a escolha de Mário Machado para defender o “regresso de Salazar”. Passando por cima desse absurdo não menor que é pôr a hipótese desse regresso em pleno século XXI, é de facto absolutamente absurda essa escolha. Independentemente da opinião que cada um possa ter sobre Salazar, é factual que ele defendia um Portugal multirracial e transcontinental, em particular em África. Poderemos decerto depois defender que Salazar estava errado ou que a sua visão de Portugal tinha passado todos os prazos de validade. Mas, em nome da verdade histórica, não podemos negar que essa era a sua visão de Portugal.

Mário Machado, assumidamente, defende o oposto: um Portugal “branco” (no seu caso, literalmente), apenas europeu, nada africanista. Independentemente da opinião que cada um possa ter sobre Mário Machado, é evidente que a sua visão de Portugal nada tem a ver com a de Salazar. Sendo que não estamos aqui a defender nenhuma delas: quanto a Mário Machado, consideramos que a sua visão de Portugal é errada, porque anti-lusófona; quanto a Salazar, consideramos que a sua visão de Portugal já no seu tempo era anacrónica. Mas nem por isso podemos não denunciar esta amálgama absurda, só justificável por ignorância ou má-fé.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org