Monthly Archives: Maio 2018

Também no jornal Público: “Por um Museu da Lusofonia”

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Como era fácil de adivinhar, a proposta da Câmara Municipal de Lisboa de criar um “Museu das Descobertas” (ou “da Descoberta”) fez ressurgir uma série de lugares-comuns relativos à história da colonização portuguesa, que parecem resistir a toda a crítica, por mais que se comprove a sua falta de fundamento. De forma mais ou menos expressa, parte-se sempre desta premissa: antes dos portugueses chegarem a África ou à América, esses territórios eram uma espécie de paraíso terrestre, que, obviamente, os portugueses tornaram num inferno. Nesta visão tão grosseira quanto falsa, de um lado temos pois os portugueses (por extensão, todos os europeus) como “ontologicamente agressores” e, do outro, os africanos e os americanos como “ontologicamente vítimas”. Sendo que quem questiona esta visão só pode ter, claro está, um olhar eurocêntrico.

“Impedidos” que estamos de citar um historiador europeu, citemos então um historiador brasileiro, assumidamente “de esquerda” e particularmente insuspeito de qualquer espécie de “eurocentrismo”, que reencontrámos em Maio deste ano num Congresso decorrido no Brasil, na cidade de Mariana: Paulo Margutti, autor da monumental obra “História da Filosofia no Brasil” (São Paulo, Ed. Loyola, 2013). O que nos diz ele de África antes da chegada dos portugueses e do alegado início do inferno da escravatura? Literalmente, isto: “De um modo geral, os costumes dos negros facilitavam grandemente a escravidão, uma vez que essa constituía a penalidade imposta entre eles para diversos delitos. Além disso, os pais podiam vender os filhos, o rei podia escravizar os seus súditos e grande parte dos membros de uma tribo derrotada em guerra estavam submetidos ao cativeiro” (p. 191).

E quanto ao alegado paraíso que era a América do Sul antes da chegada de Pedro Álvares Cabral? Ouçamos uma vez mais o insigne académico brasileiro: “Cada tribo tupi vivia em guerra permanente com os vizinhos, qualquer que fosse a sua matriz cultural. Quando essa matriz era diferente, as lutas eram motivadas por disputas territoriais. Quando a matriz era a mesma, as lutas eram motivadas por uma visão de mundo culturalmente condicionada, que envolvia expedições guerreiras com o objetivo de capturar prisioneiros para a realização de rituais antropofágicos (…). A fama de um homem dependia de quantos inimigos já tinha capturado ou executado, acumulando assim novos nomes. Isso está ligado à ideia de que só os corajosos tinham acesso ao paraíso, ficando as almas dos covardes condenadas a vagar pela terra, acompanhadas pelos demônios. Uma vida de valor caracterizava-se fundamentalmente pela vingança obtida graças à execução dos inimigos, fosse em combate, fosse em rituais antropofágicos” (pp. 180-181).

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Bem sabemos que estas evidências históricas em nada põem em causa as certezas de quem insiste que, “de facto”, antes dos portugueses chegarem a África ou à América, esses territórios eram uma espécie de paraíso terrestre, que, obviamente, os portugueses tornaram num inferno. Como “certezas metafísicas”, elas são absolutamente intangíveis a todo e qualquer argumento.

Esperamos, porém, que o futuro “Museu das Descobertas” (ou “da Descoberta”) não seja estruturado a partir dessa visão completamente enviesada do colonialismo e da escravatura. Caso se queira salientar esta questão, então que se conte a história toda: quanto à escravatura, os povos europeus não foram apenas agressores, foram também vítimas (pois que a história da Europa foi, também ela, violenta); e os restantes povos do mundo não foram apenas vítimas, foram também agressores. Infelizmente, a escravatura foi uma constante na história da humanidade até há poucos séculos, em todos os continentes, sem excepção.

Mais do que o nome do futuro Museu, o que nos preocupa são pois os conteúdos que serão apresentados e a forma como tais conteúdos serão apresentados. Se prevalecer essa visão completamente enviesada do colonialismo e da escravatura, então o melhor, no limite, é que não se faça o Museu. Assim, pelo menos, essa visão completamente enviesada do colonialismo e da escravatura não terá a caução do Estado Português, ainda que por via da Câmara Municipal de Lisboa.

Esperamos, ainda assim, que o bom senso prevaleça e que o Museu se faça. Com o nome de “Museu das Descobertas”, “da Descoberta”, ou, como preferiríamos, “da Lusofonia”. No século XXI, este é, a nosso ver, o nome que mais sentido faz, porque é isso o que, no século XXI, resultou de toda essa história: a Lusofonia. Por mais controversa e traumática que continue a ser essa história, sobre o que dela resultou não nos parece haver espaço para contestação. Mesmo aqueles que consideram que, no essencial, a história da expansão marítima portuguesa foi uma história de pilhagem e devastação, não podem deixar de reconhecer a difusão da nossa língua à escala global.

Difusão que permanece e que se acentuará, neste século XXI. Como tem sido antecipado, o número de falantes da língua portuguesa irá continuar a crescer de forma significativa (excepto, ironia das ironias, em Portugal). O nome de “Museu da Lusofonia” teria pois essa vantagem: mais do que nos reenviar para o passado, projecta-nos no nosso futuro comum. Sem escamotearmos esse passado e todos os crimes, à luz dos valores de hoje, que então se cometeram, olhemos pois sobretudo para o futuro. O “Museu da Lusofonia” deveria ter esse enfoque, assim promovendo, hoje (felizmente) numa base de liberdade e de fraternidade, a relação entre todos os povos de língua portuguesa.

Renato Epifânio

Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

http://www.movimentolusofono.org

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Saudação do MIL-Cabo Verde a Germano Almeida, Prémio Camões 2018

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O MIL: Movimento Internacional Lusófono em Cabo Verde tem a honra e o prazer de celebrar com todos os lusófonos o momento de alegria e reconhecimento que se enquadra no contexto do sentido estético, ético, histórico, linguístico e, sobretudo, de forte elevação espiritual que que significa o novo Prémio Camões – desta vez atribuído ao escritor cabo-verdiano Germano Almeida. Consciente de que os escritores elevam a alma de um Povo ou de uma comunidade a um estatuto capaz de transcender ao meramente humano e quotidiano, e que Germano Almeida tem dedicado toda a sua imaginação criadora e sentimento ao enobrecimento do Povo das suas ilhas crioulas e de todos os lusófonos, não deixaria o MIL-Cabo Verde de entrar no jogo desta festa da palavra e do banquete da linguagem dados a fruir pelos mundos criados pelo escritor.

A cultura literária lusófona está mais rica com esse toque de exploração do campo dos possíveis que o escritor tem vindo a nos brindar com o seu forte sentido estético do cómico, do humor e da sátira, despertando-nos sempre para o pensar e o sentir, para um nível elevado de pensamento que nasce da natural sensibilidade humana das suas personagens que no fundo somos nós. Portanto, de um pensamento capaz de transcender (de negar qualitativamente) as miudezas da vida quotidiana que, muitas vezes, asfixiam os humanos no processo de exercer a sua vontade de ser. E daí a importância do literário no acto de devolver ao humano uma existência digna.

Movimento Internacional Lusófono | MIL-Cabo Verde

VI Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade

 

 

24 de Maio

Xuventude de Galicia: Centro Galego de Lisboa

14h00: Painel I

António Braz Teixeira | EXPRESSÃO E SENTIDO DA SAUDADE NA POESIA ANGOLANA E MOÇAMBICANA DA GERAÇÃO DE 1985

Duarte Drumond Braga | A SAUDADE EM GOA

Paulo Borges | SUYDADE: EXPERIÊNCIA DO SI ABYSSAL

15h30: Painel II

Joaquim Pinto | A SAUDADE COMO PROTENSÃO DOS ACTOS TOTAIS OU SUPERVIVÊNCIA DE EXPERIÊNCIAS SAGRADAS

Manuel Curado | A MEDICALIZAÇÃO DA SAUDADE EM JOSÉ FELICIANO DE CASTILHO (1810-1879)

Rui Lopo | WENCESLAU DE MORAES: A RELIGIÃO DA SAUDADE

17h00: Painel III

Miguel Real | A SAUDADE EM PEDRO MARTINS E RODRIGO SOBRAL CUNHA

Pedro Martins | A FENOMENOLOGIA DA SAUDADE EM ANTÓNIO TELMO

Rodrigo Sobral Cunha | A LUA E A SAUDADE

 

25 de Maio

Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa : Sala de Executivos

09h00: Painel IV

Jorge Teixeira da Cunha | A UNIVERSALIZAÇÃO DO TEMA DA SAUDADE NO PENSAMENTO DE ANDRÉS TORRES QUEIRUGA

José Pedro Angélico | RADICAÇÃO E FRONTEIRA, O ESTATUTO PRÉ-ONTOLÓGICO DA SAUDADE: APROXIMAÇÃO TEOLÓGICA À FILOSOFIA DA SAUDADE EM ANDRÉS TORRES QUEIRUGA

Nuno Ornelas Martins | O SAUDOSISMO E A ECONOMIA: O DEBATE ENTRE TEIXEIRA DE PASCOAES E ANTÓNIO SÉRGIO

10h30: Painel V

Joaquim Domingues | NOSSA SENHORA DAS SAUDADES

José Almeida | SAUDOSISMO E MESSIANISMO: ASPECTOS DO MITO EM FERNANDO PESSOA

Lígia Rocha | LIMA DE FREITAS: TRADIÇÃO E MODERNIDADE – QUERELAS SOBRE A SAUDADE

12h00: Painel VI

Alexandre Teixeira Mendes | DO EXÍLIO DA PALAVRA E DA PRONUNCIAÇÃO QUE NÃO CESSA; O ENTRE-DITO DA SAUDADE

Maria Dovigo | ERNESTO GUERRA DA CAL: EXÍLIO E SAUDADE

Pedro Jacob Morais | OUTRAS SAUDADES: UMA APROXIMAÇÃO À OBRA DE TERRENCE MALICK

Colexio Apóstol Santiago – Xesuítas (Vigo)

18h00: Painel VII

Fernando Ponte | A SAUDADE NO PENSAMENTO E NA OBRA DE D. ROBERTO NOVOA SANTOS

Manuel Cândido Pimentel | A FENOMENOLOGIA DA SAUDADE

Miguel Ángel Martínez Quintanar | SAUDADE: ENTRE FENÓMENO E ACONTECEMENTO

Samuel Dimas | A SAUDADE DO PARAÍSO FUTURO

 

26 de Maio

Colexio Apóstol Santiago – Xesuítas (Vigo)

09h00: Painel VIII

Luís G. Soto | SOBRE ANDRÉS TORRES QUEIRUGA E A SAUDADE

Marcelino Agís Villaverde | FILOSOFÍA E SAUDADE: A PROPÓSITO DE ANDRÉS TORRES QUEIRUGA

Renato Epifânio | REPENSANDO O ATEÍSMO: ENTRE ANDRÉS TORRES QUEIRUGA E JOSÉ MARINHO

Rocío Carolo Tosar | O CARACTER ONTOLÓXICO DA SAUDADE: RAMÓN PIÑEIRO E ANDRÉS TORRES QUEIRUGA

11h00: Intervenção de Andrés Torres Queiruga

11h30: Apresentação de Sobre a Saudade: V Colóquio Luso-Galaico &Revista NOVA ÁGUIA nº 21

12h00: Encerramento do Colóquio

Organização: Instituto de Filosofia Luso-Brasileira | Instituto de Filosofia da Universidade do Porto (RG “Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal”) | Centro Português de Vigo | Universidade de Santiago de Compostela (Facultade de Filosofía: Departamento de Filosofía e Antropoloxía) | Universidade Católica Portuguesa (CEFi: Centro de Estudos de Filosofia – Porto) | MIL: Movimento Internacional Lusófono | Revista NOVA ÁGUIA

16 de Maio | Apresentação de “No Regaço de Ataegina” (edição MIL), de Maria José Leal…

 

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/