O Futuro da Lusofonia

A Lusofonia esta por construir. Isso que para muitos pode ser uma grande desvantagem, para nossa analise resulta numa vantagem enorme.

Nos tempos que correm de deslocamentos hegemônicos, de crise de sistema, de transição dum sistema econômico em vigor, a um novo sistema econômico ainda por definir, a criação em cernes dos espaço lusófono, a sua adiada posta em marcha, pode e deve ser uma grande vantagem.

Brasil que por capacidade motora e peso demográfico lhe corresponde o papel fundamental de movimentar a lusofonia, esta a deixar de ser uma potencia emergente e sendo já u ma realidade hegemônica regional, em transformação a ator global.

Enquanto China e Rússia, consolidam sociedades com forte presença do Estado em todos os âmbitos, e com um referente histórico de domínio oriental, donde a capacidade centralizadora do estado beneficia um crescimento planificado, e pode bem movimentar a sociedade, e a mão de obra ate aquelas áreas que considera mas proeminentes, em determinados períodos, têm também a enorme dificuldade de lesar consideravelmente o empreendimento individual, gerador de grande inovação, quanto transformador como inventivo. Em toda historia chinesa em momentos de desenrolo o Estado tinha um limite, quando esse desenrolo já não podia ir mais alem, senão através da iniciativa privada, ou do livre engenho coletivo, o Estado fechava-se, e dava por liquidado toda  a inovação, retrocedendo aos velhos tempos, e desatando a repressão sobre aqueles sectores que aspiravam a maior autonomia. Assim aconteceu com as iniciativas marítimas de finais do s.XV, que levaram a eliminação da frota comercial e ao repregue sobre si mesma, que facilitou a entrada dos portugueses no Indico e nos mares da China, sem apenas uma oposição de altura. Dos chinês haver mantido esse desafio expansivo, os portugueses se houvessem encontrado com dificuldades muito serias, e tal vez Ocidente não chegasse nunca a dominar o mundo, a partir de Oriente.

Pelo contrario o Brasil tem dentro da sua economia um peso bastante coerente do Estado, que se bem domina os setores estratégicos como as energias, a biotecnologia, o desenrolo nuclear, a industria militar, etc… participa ao mesmo tempo nas suas ações de capitais privados tanto nacionais como internacionais. A sua sociedade é mais dinâmica e menos alinhada dentro da tendência unitária estatal, mas tampouco tão individualizada como a Ocidental. A mistura de raças, uma realidade cooperativa, uma realidade estatal e uma realidade privada individual, se encontrar um elo de compenetração podem dotar ao Brasil dum novo modelo econômico e social, que inclusive pode ser exportado e provado em outros países da lusofonia, na áfrica ou bem em Oceania.

Este novo modelo deveria ter quatro eixos fundamentais, correspondo ao estado estabelecer muito bem, as suas áreas de domínio e os lugares comuns de encontro, cooperação e intercambio de experiências:

1.- O Estado como regulador das desigualdades, fugindo do modelo neo-liberal, a um modelo mais social, onde o Estado se reserve o papel de corretor. Evitando um excesso de iniciativa privada individual, que domine toda a sociedade, e vazie o estado de contido. Um Estado repartidor de renda, através de uma fiscalização mais justa. Um estado com iniciativa movimentadora da sociedade através de programas de Inovação e Desenrolo, através de programas sociais de inclusão e capacitação. Fomentador da saúde e a educação destinando fortes orçamentos à implementação dum modelo sanitário universal e duma educação de qualidade desde o ensino primário ate o Universitário.

Brasil tem um bom ensino universitário, e isso tem sido muito bom para criar elites dirigentes, que estão a levar seu país pela senda do desenrolo sustentável, mas agora deve fazer um esforço nos ensinos primários e médios, para formar uma sociedade mais educada, ao tempo que tem de investir na luta contra marginação social e a exclusão.

2.- Um Poder Privado Corporativo. Com grandes recursos, para cumprir a sua faceta de motor e impulsor de riqueza, inovação tecnológica e cientista e recursos para acumulação de capital individual, e coletivo.

3.- Um poder coletivo, emanado da participação social em projetos comunitários coletivos, cooperativas agrícolas, cooperativas comerciais de distribuição e venda, ou cooperativas pequeno industriais. Que sevam de contrabalança ao excesso dum sector privado baixo o que se movimente toda sociedade.

4.- Um poder individual cidadão. O individuo como ente, que vigore dentro da sociedade por médio da criação de opinião, do uso das novas tecnologias individuais onde criar espaços de reflexão e dialogo com resto da sociedade,  e que de impulso a um controlo maior do cidadão sobre a sua vida e as possíveis derivas autoritárias do governo, do sector privado, ou do sector cooperativo.

Brasil tem todos os ingredientes para criar um modelo social e econômico inovador baseado nestes 4 vetores, fluido como corrente alterna de um pólo para outro.

Se ter a habilidade para impulsionar estes sectores e dotá-los dos marcos reguladores precisos, terá  dado um passo de gigante que os outros parceiros do BRIC, não podem encaminhar. Mesmo a Índia sendo a maior democracia do mundo, e tendo um peso estatal na economia muito considerável, tem ainda que resolver muitas questões prioritárias, como as castas sociais ou o papel da mulher nos âmbitos públicos e privados, assim como o papel da religião… que ainda a terão muito entretida nos próximos decênios.

Por outro lado China, Índia, Rússia como já examinamos estão baixo o vulcão duma mas regiões mais quentes da terra, e ainda não foram capazes de construir um mercado comum, com parceiros acertados, sem que pelo médio surja a concorrência entre eles pelos espaços onde concretizar a sua hegemonia.

Ate o de agora o Brasil se tem dedicado em corpo e alma, a formação e veiculação do MERCOSUL e Unisul. Mas agora o Brasil deve de compreender, que se vem não pode abandonar esse projeto vital para sua subsistência e para o seu desenrolo, deve compreender para já que o ensamble dentro de esse mercado, vai levar ainda seu tempo, e seus ritmos, diferentes dentro de cada nação, e a que deixar que cada pais amadureça sem e se defina e encaminhe, sem perigo de quebrar alianças ou forçar resistências.

Brasil tem para já, se quer ser um ator regional, que superar as suas disputas internas e realizar um programa de conexão nacional, que por riba dos interesses partidários fixe uma aliança nacional de mínimos, e um regras, patos e acordos que possibilitem uma fixação de pontos a seguir nos temas de Estado, para assim poder erguer sua voz como ator no cenário mundial.

Para já também Brasil, na sua próxima legislatura, deve orientar suas políticas face a construção do espaço lusófono. Brasil e grande, mas não o suficiente. O MERCOSUL precisa amadurecer, e Brasil tem de guiar seu ritmos, nas não pensemos que America do Sul pode dar os passos que Europa deu trás duas guerras, com milhões de mortos, séculos de confronto interno, e a necessidade premente de união ante o inimigo comum soviético, e desafio comercial americano.

O Brasil do seguinte governo deve dar agenda prioritária a Lusofonia, como espaço primeiro de intercambio e ação cultural, de conhecimento mutuo, de situar parcerias universitárias, culturais, editorias, musicais, cinematográficas… com redes continuas em internet, para que os seus cidadãos manter-se em continua ligação, para depois deste conhecimento mutuo, abrirem-se a outros campos onde ate o dia de hoje, pouco se tem trabalhado.

Brasil precisa um forte referente lusófono, para sentir-se seguro de si mesmo, precisa forte referente lusófono para mostrar-se na America tal e como ele é. Precisa das alianças na lusofonia, em definitiva, para poder vigorar no mundo a sua forma de ver o mundo. E para elo o Brasil, junto com os outros países e regiões lusófonas tem de registrar no mundo a marca da lusofonia, e levar o galego português a ser uma língua apreciada e demandada no concerto mundial.

Se estão a dar câmbios no mundo. Mas Brasil deve aprender que já nunca voltaram os tempos do domínio à Ocidental, e se bem e certo que ainda estaremos muito longe da sociedade sonhada de homens e mulheres livres, interagindo em pé de igualdade com o resto de seres vivos do planeta, também e verdade que os novos dominós tenderão, se quiser ter existo, de fomentar um domínio participativo dos países envolvidos num mesmo espaço e dos seus respectivos cidadãos, senão outras tentativas só levarão a confronto continuo, o desgaste, e o atraso.

Isto é o que a dia de hoje nos chamamos de DOMINIO COMPARTILHADO.

BREVE APONTAMENTO SOBRE O DOMINIO COMPARTILHADO NA LUSOFONIA.

A idéia de domínio compartilhado nasce da base, de que a dia de hoje, qualquer tentativa de neocolonialismo, tanto comercial como territorial ou psicológico, esta superado pela historia.

O domínio é aquele em que a potencia hegemônica exerce um peso regulador, conciliador, um peso incentivador, para recuperação dos seus parceiros, estabelecendo um marco de desenvolvimento conjunto, em que cada pais ou região achegue o seu melhor, e beneficie da capacidades dos outros para modificar as suas fraquezas.

Assim no âmbito da Lusofonia, tanto Brasil, como Portugal, Angola e Galiza, são os países chamados a exercer uma maior cooperação e prestar maior ajuda aos países ainda por se desenvolver.

Começando por implementar e apoiar iniciativas que dêem maior firmeza a lusofonia, como a criação dum banco lusófono de reserva e um banco lusófono de desenrolo, um passaporte lusófono, em primeiro lugar.

Implementando um espaço comum de pensamento. Iniciativas reais para formar e estimular academias globais lusófonas, onde o pensamento cientista, tecnológico e inovador possam estar em contato e maiores desenrolar-e com a tirada de benefícios para todos os membros.

Um gabinete Lusófono de Necessidade Urgentes, para paliar as deficiências dos países lusófonos mais atrasados e aquelas dos países áreas onde os países mais fortes estejam em deficiência, para fortalecer ainda mais o seu peso internacional.

Um Instituto Lusófono de Geoestratégia, que faça a Lusofonia como um todo caminhar na direção de afirmar sua presença no mundo e poder defender-se de possíveis interesses na contra.

Também necessitamos criar um paradigma histórico lusófono, com a criação duma academia de historia e a realização duma enciclopédia histórica da Lusofonia, acessível a todos os cidadãos da lusofonia e referente para programas escolares, programas de internet e formato livro.

E assim pela frente.

A VISAO DA LUSOFONIA

A visão da lusofonia tem de estar virada em que cada pais, região e mesmo cidadão, pode ter uma focagem sobre o ser lusófono, mas nenhuma por muito díspar que seja, pode ser divergente. Da igual que para uns seja o construção do V Império, ou que para outros seja o afirmação da mistura racial, ou para outros seja a emancipação colonial, ambas todas confluem num mesmo objetivo. Por isso a visão lusófona se deve basear em afirmar um dialogo construtivo que achegue posições e não no típico debate, superado pela historia, de exigir antigas responsabilidades, de fomentar receios, de tentar argumentar na contra do adversário para vencê-lo…

Visões divergentes, não devem quebrar um objetivo comum: de crescimento mutuo, de aprendizagem coletiva, de conhecimento do diferente, de respeito aos demais, etc…

Todos temos o direito de falar e de ser escutados, mas todos também temos o dever de escutar com os ouvidos abertos e a mente limpa de pré-conceitos…

Senão formos capazes de nos por na pele do outro, e de saber que segundo as circunstâncias as vidas e interesses são diferentes, nunca poderemos levar à frente o sonhado futuro lusófono, que Agostinho da Silva acreditava, serem um dos piares que cimentariam a futura unidade universal na diversidade e o respeito, e daí na liberação dos seres humanos…

Artur Alonso.

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