Monthly Archives: Janeiro 2009

1ª Conferência Pública do MIL: “O Futuro da Lusofonia”: Notas e Vídeo Completo

Embaixador Lauro Moreira

.A CPLP devia patrocinar mais projetos multilaterais e menos projetos bilaterais

.A CPLP teve um papel importante, mas pouco mediático, nas duas crises na Guiné-Bissau, São Tomé e Princípe e Timor.

.A CPLP tem atualmente três papéis:
..Concertação diplomática
..Promoção da Língua Portuguesa
..Concertação de projetos de desenvolvimento e cooperação

.Recentemente ocorreu um avanço importante para a língua portuguesa
..Novo Acordo Ortográfico ratificado em Portugal e no Brasil
..Repondo a união quebrada unilateralmente por Portugal em 1911
..Os jornais brasileiros já estão a adoptar a nova ortografia

.A CPLP é carateriza pela assimetria entre os seus países, compare-se o 5º maior país do mundo, o Brasil, com um dos menores, São Tomé e Princípe.

.A Universidade UNILAB, virada para as necessidades de África com metade das suas vagas reservadas para estudantes dos PALOP

.Futuro da CPLP
..Aprofundar os laços da CPLP com entidades regionais, que os países da CPLP já integraram, como a União Europeia, o Mercosul, a ASEAN, etc
..Organizar secretariados para outras áreas, além da área da Defesa, que já funciona bastante bem. Por exemplo, nas Finanças, Comércio, Ciência e Tecnologia, etc.
..Devia haver em cada país membro da CPLP um núcleo de apoio, um interlocutor que trate exclusivamente dos temas da CPLP
..Mais países além do Brasil e de Portugal deviam estabelecer embaixada na CPLP
..A sede num antigo palácio lisboeta é insuficiente e haverá que buscar nova sede rapidamente. Talvez num dos edifícios da Expo, o que está neste momento em negociações. O Brasil já reservou 600 mil euros para esse fim.
..As pessoas não podem ficar sempre reclamando que esperam mais da CPLP, como se esta fosse a única responsável. Os cidadãos são os primeiros responsáveis pela mudança da CPLP.
..Não existe uma CPLP fora de nós, a CPLP somos nós.
..Devia haver uma muito maior liberdade de circulação de pessoas no seio da CPLP. O Brasil tem no domínio dos vistos uma política muito aberta, já Portugal está condicionado pelo Tratado de Shengen.
..A questão cultural é grave: Por exemplo, o festival de cinema Cineport foi organizado estritamente por fundações e associações portuguesas e brasileiras, sem apoio da CPLP
..O IILP tem que ser profissionalizado. A representante do Institudo, por exemplo, é uma pública opositora do Acordo Ortográfico para a Língua Portuguesa de 1990, e isso deveria colidir com as funções do seu cargo. A direção do IILP devia ser escolhida por um concurso público internacional.

Miguel Real

.Já se ultrapassou aquilo a que Eduardo Lourenço chamou de “complexo de ressentimento” que deformou as boas vontades na Lusofonia.

.A Lusofonia não tem um foco político ou económico mas civilizacional. Mais do que política é na língua que reside a fundamentação e rectaguarda da lusofonia. Não é pelo Comércio, mas pela língua que se fundamentará esse espírito comum.

.Um dia talvez se faça comércio dentro da lusofonia, como se faz hoje dentro da União Europeia…

.É fundamental ultrapassar os problemas culturais entre os países da CPLP, que a podem fazer estagnar. É com alegria que vim a saber que a CPLP esteve presente na resolução dos problemas da Guiné e de Timor.

.A função da CPLP é essencialmente de mediação nas áreas de Saúde, Tecnologia e Defesa. Estas capacidades de mediação devem ser ativadas em momentos de conflito.

.A expressão “Casa da Lusofonia”, como forma de designar a CPLP (Lauro Moreira) deve ser uma forma a reter.

.Deve ser o “espírito da Língua”, o denominador comum da CPLP.

.A Lusofonia deve propôr-se a criar um novo rosto cultural no mundo. Se se ficar pela concertação de interesses económicos ou políticos nada a distinguirá do Mercosul ou da União Europeia. A CPLP não poderá ser uma União Europeia multicontinental, sujeita às flutuações dos interesses dos países mais poderosos. Ou a Lusofonia assim procede ou não terá outro destino que não seja a repetição do passado recente em que cada país tenderá a ser tão dominador quanto maior fôr a sua força económica.

.O desafio consiste em criar um “choque cultural” novo, tornando-se assim numa comunidade éticamente exemplar no mundo.

.A CPLP deverá reger-se pela solidariedade ativa entre os seus membros, independentemente de índices demográficos e económicos, formando um manto de Justiça que se estenda por toda a Lusofonia.

.A CPLP deverá bater-se pela unificação dos sistemas de Saúde e Ensino e por um “Passaporte Lusófono”, como consta na Declaração de Princípios do MIL.

.Daqui a 300 anos se o Portugal europeu não fôr mulato a Lusofonia falhou.

.A tecnologia deve servir a Cultura e não o contrário, como fez a Europa nos últimos cento e cinquenta anos, criando o egocêntrico Homem Europeu.

Parte 1 (Lauro Moreira) Parte 2 (Lauro Moreira) Parte 3 (Lauro Moreira) Parte 4 (Lauro Moreira) Parte 5 (Miguel Real) Parte 6 (Miguel Real) Parte 7 (Miguel Real) Parte 8 (Miguel Real) Parte 9 (Debate) Parte 10: (Debate) Parte 11: (Debate) Parte 12: (Debate) Parte 13: (Debate) Parte 14: (Debate) Parte 15: (Debate) Parte 16: (Debate) Parte 17: (Debate e Encerramento) As “MIL Conferências” são uma organização do MIL: Movimento Internacional Lusófono

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Debate público sobre “o futuro da CPLP”

No próximo dia 24 de Janeiro, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO promove um debate público sobre “o futuro da CPLP”.

Falarão, à partida, o Doutor Lauro Moreira, Embaixador Brasileiro na CPLP, e o Doutor Miguel Real, Ensaísta da Cultura Portuguesa e Lusófona.

Porque se trata de um debate, haverá depois espaço para múltiplas intervenções.

Dia 24 de Janeiro, Sábado, entre as 17h e as 19h, na nossa sede: Associação Agostinho da Silva, Rua do Jasmim, 11, 2º (em Lisboa, junto ao Príncipe Real).

Em anexo, cartaz de divulgação.
Para mais informações: 967044286
Com o apoio da Associação Agostinho da Silva, Nova Águia: Revista de Cultura para o Século XXI e Associação Mares Navegados.

O primeiro ano do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

Como é sabido, o MIL é o movimento cultural e cívico prefigurado no Manifesto da NOVA ÁGUIA – o seu nome foi objecto de uma votação pública nas últimas semanas de 2007. O MIL, já assim baptizado, nasceu pois no princípio de 2008, exactamente no primeiro dia de Janeiro.

O ideário do MIL encontra-se definido na sua “Declaração de Princípios e Objectivos” (no essencial, igualmente prefigurados no Manifesto da NOVA ÁGUIA). Caso o tenham feito de forma responsável, todas as pessoas que aderiram ao MIL fizeram-no porque se reconhecem, em geral, nessa “Declaração”.

Até ao momento, aderiram já ao MIL cerca de oito centenas de pessoas, de todo o espaço lusófono – a proporção é: 3 quintos de portugueses, um quinto de brasileiros, o outro quinto de outros países (incluindo de todos os outros países da CPLP). A esse respeito, saliento, nesse último quinto, um número significativo de adesões oriundas da Galiza (ver coluna esquerda do nosso blogue, onde aparecem os diversos órgãos da NOVA ÁGUIA e do MIL).

Decerto, há várias formas de olhar para este números: é sempre possível ver o copo meio cheio ou meio vazio. Façamos, a esse respeito, mais um pouco de História.

Logo aquando da primeira leitura oficial do Manifesto da NOVA ÁGUIA, a 10 de Outubro de 2007, no Porto, durante um Congresso de Filosofia, foi visível que, precisamente por ser um Manifesto forte, ele não era aceite por todos (e estávamos, por assim dizer, perante uma assistência “amigável”). Já se sabe: quem marca uma posição, gera oposição.

Depois, enviámos convites a muita gente e houve várias recusas. Lembro-me, por exemplo, de pelo menos uma pessoa ter recusado o convite, muito amavelmente, dizendo-nos que não se revia na linguagem “proto-identitária” do Manifesto. Nada de extraordinário: há muita gente que, legitimamente, é avessa a expressões como “sentido histórico da cultura portuguesa”, “nossa vocação”, “destinação colectiva”, etc. Por isso, por exemplo, sempre olharam com desconfiança Agostinho da Silva, Pessoa, Pascoaes (o próprio Eduardo Lourenço, apesar da sua linguagem mais “suave”). Por isso, também, naturalmente, não se reconheceram no nosso Manifesto, pelo menos a ponto de aderirem a este projecto. Sempre encarei isso com naturalidade – para conseguirmos a adesão dessas pessoas, teríamos que descaracterizar de tal modo o Manifesto que este se tornaria outra coisa. E isso, pelo menos para mim, nunca foi opção.

As nossas petições também geraram bastante oposição. Se a primeira, “Por uma Força Lusófona de Manutenção do Paz” não levou ninguém a sair (mas terá, admito-o, levado alguma gente a não entrar), isso aconteceu com a segunda, a respeito do Acordo Ortográfico: houve uma pessoa que se desvinculou do MIL por causa dessa Petição e houve pelo menos uma pessoa que não aderiu ao MIL por causa dela (pessoa, aliás, bem conhecida: Carlos Pinto Coelho, o ex-apresentador do célebre programa televisivo “Acontece”). O mesmo aconteceu depois com a nossa defesa do “Passaporte Lusófono”: houve uma pessoa que saiu por causa dessa Petição. E, por causa dela, continuamos a ser atacados em vários sítios – nomeadamente, em vários blogues de extrema-direita, que nos acusam de nos vergarmos aos “brasucas”, de querermos o país “cheio de pretos”, etc. (como se nós não tivéssemos sempre defendido um Portugal “lusofonamente mestiço”). Por outro lado, na extrema-esquerda, por causa da nossa expressa defesa dos valores da Língua, da Cultura e da Pátria, também já temos sido acusados de “salazaristas” (acusação que apenas pode ter eco em mentes mais idiotas e/ou sectárias).

Poderia aqui referir as muitas pessoas que, ao invés, aderiram ao MIL por causa dessas Petições, mas esse não é ponto. O ponto é que as três petições emanaram da nossa “Declaração de Princípios e Objectivos” (como é facilmente argumentável; eu próprio o fiz até à exaustão). Poderíamos, porventura, não o ter feito. Poderíamos, eventualmente, tê-las formulado de uma forma menos comprometida – no caso da última, por exemplo, foi sugerido (não importa por quem) que se fizesse uma mera denúncia da “Directiva do Retorno” sem qualquer referência ao “Passaporte Lusófono”. Mas o ponto é que nós não somos uma mera associação de defesa de imigrantes (sem qualquer desprimor para estas), nós somos um movimento que se assume como “internacional lusófono”. Logo, essa referência lusófona – mais concretamente, ao espaço lusófono e à cidadania lusófona – tem que aparecer sempre em todas as nossas posições públicas.

Ao longo deste seu primeiro ano de existência, o MIL já demarcou igualmente o seu lugar no espaço público. Algumas das posições que tomámos tiveram uma significativa repercussão nos media e, em geral, na blogosfera, quer em Portugal, quer em outros países da CPLP. Através desses ecos, cimentou-se a singularidade da nossa visão e da nossa voz: no espaço público, somos, cada vez mais, aquela voz que defende a Lusofonia e, de forma coerente e consequente, o reforço dos laços entre os países da CPLP, em todos os planos – cultural, desde logo, mas também social, económico e político.

Essa é pois, em suma, a nossa “marca” – um ano depois, já solidamente definida. Quem, de boa-fé, atentar nos nossos documentos – na Declaração de Princípios e Objectivos, nas Petições e nos diversos Comunicados que fomos emitindo ao longo do ano –, reconhece já bem essa “marca”. A ela, por causa dela, já aderiu muita gente. Por causa dela, muita outra gente (impossível quantificar) não aderiu. Como diria o outro, é a vida…

Renato Epifânio

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