SOBRE O INQUÉRITO AOS MEMBROS DO MIL

Como é sabido, foi recentemente enviado aos Membros do MIL um Inquérito. Os resultados são públicos, todos os podem analisar. E deles retirarem as ilações que considerem mais adequadas. Eis o que aqui, pela minha parte, farei.

I – CONSIDERAÇÕES INICIAIS.

1. É certo que, nas duas semanas em que decorreu a votação, participaram menos de 300 pessoas, ou seja, menos de metade daquele que é, neste momento, o universo MIL (cerca de 700 pessoas).

2. Ainda assim, desde o terceiro dia de votação, ou seja, desde o momento em que passou a haver uma amostra significativa, as percentagens comparativas das diversas respostas mantiveram-se quase que inalteradas.

3. Infelizmente, o grau de efectiva participação nos movimentos associativos nunca é muito elevado. Nas Assembleias Gerais da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL), por exemplo, nem 10% das pessoas costumam participar.

4. Ainda assim, acho que devemos valorizar quem efectivamente participa. Valorizar, ao invés, aqueles que se abstêm, por mais que maioritários, seria, a meu ver, por inteiro anti-pedagógico.

5. Excluindo os casos em que a diferença é menor (abaixo dos 10%, ou pouco acima disso, entre as respostas a uma determinada pergunta), apresento pois aqui as conclusões que, a meu ver, mais clara e inequivocamente se podem extrair deste Inquérito.

II – RESPOSTAS AO INQUÉRITO.

1. Cerca de 3 quartos aderiram ao MIL por se reconheceram na nossa “Declaração de Princípios e Objectivos”.

2. Uma enorme maioria (cerca de 90%) acha que se pode falar de uma “vocação histórico-cultural da comunidade lusófona”.

3. Uma enorme maioria (cerca de 90%) acha que o reforço dos laços entre os países lusófonos se deve realizar “não só no plano cultural mas também social, económico e político”.

4. Cerca de 3 quartos acham que o âmbito de actuação do MIL deve ser “não só no plano cultural mas também social, económico e político”.

5. Cerca de 3 quartos concordam com a criação do cargo de “Presidente da CPLP”.

6. Apenas metade concorda com o nome de José Ramos-Horta (nas sugestões de outros nomes, não há, contudo, nenhum outro que sobressaia).

7. Um pouco mais de metade concorda que o aprofundamento da CPLP deve evoluir no sentido de um modelo de integração política como a actual União Europeia.

8. Das petições lançadas pelo MIL, a mais controversa foi a petição sobre o Acordo Ortográfico.

9. Cerca de 3 quartos consideram a Revista NOVA ÁGUIA “boa ou muita boa”.

10. Cerca de dois terços consideram a Pátria “um valor da maior importância”, sendo que apenas um quinto reduz o horizonte da Pátria ao espaço do seu país.

11. Cerca de 3 quartos consideram o Blogue NOVA ÁGUIA “bom ou muito bom”.

12. Mais de metade considera o site do MIL “bom”.

13. Apenas um quinto está disposto a empenhar-se mais neste projecto, nomeadamente dinamizando um Núcleo MIL.

III – PRINCIPAIS ILAÇÕES & UM REPTO FINAL.

1. Em geral, as pessoas que aderiram ao MIL fizeram-no de forma consciente, ou seja, tendo lido previamente a nossa “Declaração de Princípios e Objectivos”.

2. Nessa medida, consideram não apenas que se pode falar de uma “vocação histórico-cultural da comunidade lusófona”, como, coerentemente, defendem o reforço dos laços entre os países lusófonos – a todos os níveis: não só no plano cultural mas também social, económico e político. Afirmando ainda que esse deve ser o âmbito de actuação do MIL.

3. Concordando, em geral, com a proposta da criação do cargo de Presidente da CPLP, dividem-se mais quanto ao nome proposto, o de José Ramos Horta (o que não surpreende: os nomes dividem sempre mais), e são mais cautelosos quanto a uma integração política entre os países da CPLP, pelo menos a exemplo do que acontece na União Europeia (o que também não surpreende).

4. A defesa do Acordo Ortográfico continua a ser a “bandeira” do MIL que mais nos divide. Mas não de forma grave, dado que todos, em geral, percebem que o Acordo que o MIL reclama para a CPLP está muito para além do plano ortográfico – podendo mesmo realizar-se, em tese, sem este.

5. Em geral, as pessoas gostaram da Revista NOVA ÁGUIA, o que confirma a percepção daqueles que costumam ir aos muitos lançamentos que têm decorrido. A apreciação que mais tenho ouvido a respeito do segundo número tem sido, de resto, a seguinte: “está ainda melhor do que o primeiro”.

6. Consideraram igualmente oportuno o tema do primeiro número da Revista: “actualidade da ideia de Pátria”. Atendendo aos resultados, este não é apenas, aliás, um “tema actual” como um “valor da maior importância”. Donde se conclui, a meu ver, que a atitude mais consonante com o MIL é a de um assumido patriotismo trans-nacionalista ou lusófono-universalista, dado que, como referimos, apenas um quinto reduz o horizonte da Pátria ao espaço do seu país.

7. Na sua grande maioria, as pessoas gostam também do Blogue da NOVA ÁGUIA, ainda que este suscite também algumas opiniões bem adversas. Já o site do MIL não desperta tantas paixões (positivas ou negativas).

8. Apesar de só uma minoria estar disposta a empenhar-se mais neste projecto, nomeadamente dinamizando um Núcleo MIL, desde já lhes reiteramos esse repto: organizem encontros, quer para lançamentos da NOVA ÁGUIA, como tem acontecido, quer para discutirem qualquer questão que nos diga mais directamente respeito (à imagem do que a Comissão Coordenadora do MIL está neste momento a fazer: em breve, anunciaremos a data da nossa primeira Conferência Pública, sobre o tema “Caminhos para a CPLP”). Podem ainda, inclusive, constituir o vosso próprio Blogue, à imagem do que fez, recentemente, o Núcleo MIL de Barcelos. A Comissão Coordenadora do MIL está, como sempre, ao vosso dispor.

Renato Epifânio

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